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terça-feira, 14 de julho de 2009

Lição 6 - A Lei de Deus vigorou apenas até a vinda de João Batista?

LUCAS 16:16
Esse texto afirma que a Lei de Deus
vigorou apenas até a vinda de João Batista?

Autor: Pastor Guilherme Nunes
Lição Bíblica 273, sábado, 05 de novembro de 2005

OBJETIVO: Através da análise do contexto bíblico, mostrar ao estudante que, em Lc 16:16, Jesus não aboliu a lei de Deus, e, por isso, os salvos por ele não estão desobrigados de a praticarem.

TEXTO BÁSICO: A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele. (Lc 16:16)

INTRODUÇÃO: Nos estudos antecedentes, explicamos os textos da Bíblia que mais causam polêmica, quanto à dieta cristã, e provamos que a doutrina da abstinência de alimentos impuros não foi abolida na Nova Aliança firmada por Cristo. A partir de agora, passaremos a explicar nove textos sagrados sobre a lei de Deus, cuja expressão maior é os Dez Mandamentos, a fim de provarmos que ela, a exemplo da abstinência, não foi abolida por Cristo.

É fato que a maioria das discussões cristãs sobre a lei de Deus é marcada por extremos: de um lado, os legalistas (a favor da lei) afirmam que a salvação é conseguida somente pela guarda dos mandamentos; de outro, os antinomistas (contra a lei) afirmam que a salvação é conseguida sem a guarda dos mandamentos. De seu lado, o legalismo enaltece a lei e despreza a graça; por sua vez, o antinomismo enaltece a graça e despreza a lei. Nos extremos em que se colocaram, ambas as visões estão afastadas da verdade do evangelho de Cristo.

A igreja do Senhor Jesus não pode se posicionar por nenhum desses extremos; ela deve buscar compreender corretamente esses pontos que fazem parte dos fundamentos da salvação. Por essa razão, é necessário deixar as paixões de lado e assumir a posição de equilíbrio que a Bíblia apresenta, isto é, que a salvação é adquirida única e exclusivamente pela graça de Deus, através da fé em Jesus Cristo (At 15:11; Rm 5:15, 11:6; Ef 2:1-10; Hb 2:9), mas que é um processo: tem início (I Pe 1:3,18, 4:3), meio (I Pe 1:14-16, 2:1) e fim (I Pe 1:7, 5:7,10). Por essa razão é que Jesus dá aos salvos seu eterno poder e os capacita a obedecer aos mandamentos de Deus (Ap 12:17, 14:12).

Como contribuição para a busca desse equilíbrio, neste estudo, analisaremos as palavras de Jesus, em Lc 16:16, à luz do seu contexto, a fim de provarmos que o Deus da graça, o Salvador Jesus, não invalidou ou aboliu os mandamentos divinos.

I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA

Os antinomistas afirmam que a lei de Deus foi abolida e usam Lc 16:16 na tentativa de incutir na mente dos incautos que essa suposta inutilidade da lei divina teria sido feita por Cristo. Dizem tais pessoas que, se a lei durou até João, os cristãos não lhe estão mais sujeitos e que, hoje, a graça os isenta de qualquer responsabilidade ou obediência aos ditames divinos. Segundo o teólogo Linder, o antinomismo ... refere-se à doutrina de que não é necessário aos cristãos pregarem ou obedecerem à lei moral do Antigo Testamento [e por essa razão] alguns tem ensinado que uma vez que as pessoas são justificadas pela fé em Cristo, já não tem qualquer obrigação para com a lei moral, porque Jesus os libertou.[1]

Esse ataque à lei divina é fruto de uma má aplicação das regras de interpretação das Escrituras (hermenêutica), o que leva muitos a concluírem que Jesus estipulou o tempo determinado para a existência da lei moral, ou seja, que sua validade não ultrapassaria o ministério de João Batista. Essas interpretações deficientes afirmam que Guardar a Lei era o alvo máximo do farisaísmo. Mas este não é mais um alvo válido, hoje em dia. A Lei e os Profetas consistiam em uma fase da história da redenção, que terminou com João, último profeta daquela era. [2]

E há quem afirme que, em Lc 16:16, Jesus apenas profetizou aquilo que ele iria fazer, na cruz, após a morte de João, isto é, eliminar o “peso” da lei. Seja qual for a desculpa utilizada, os antinomistas acabam por demonstrar uma espécie de fobia à santa lei de Deus e procuram reeditar argumentos inconsistentes, na vã tentativa de mascarar a verdade, o que é impossível, porque tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar (Ec 3:14).

II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Quando Jesus declarou que A lei e os profetas duraram até João, em hipótese alguma estava afirmando que a Lei de Deus e as profecias do Antigo Testamento haviam chegado ao fim. Quando analisamos o contexto imediato e amplo, percebemos que, desde 14:7, Lucas apresenta Jesus contando parábolas sobre a entrada dos pecadores no Reino de Deus. No capítulo 16, Cristo conta a parábola do administrador infiel, para condenar o mau uso das riquezas no seu Reino. Os fariseus murmuravam contra essa visão ética de Cristo, porque eles usavam o poder econômico com motivações erradas, isto é, davam esmolas aos pobres para serem bem-vistos pelos homens, seguros de que, agindo assim, estavam cumprindo a Lei e os Profetas e assegurando seu lugar no Reino do Pai. Porém, o Senhor Jesus mostrou que eles estavam enganados sobre a visão que tinham de Deus e de seu reino (Mt 6:1). Até aquele momento, os judeus conheciam a Deus através da Lei (especialmente o Pentateuco – Gênesis a Deuteronômio) e dos escritos proféticos. No Antigo Testamento, estavam descritas todas as alianças que Deus fizera com Israel, para que esse povo fosse a luz para as nações, a porta de entrada do mundo no Reino de Deus (Is 42:5-7). Mas eles se fecharam num exclusivismo rígido, porque interpretaram sua eleição como uma questão de merecimento, a ponto de odiarem os outros povos. Falharam, quebraram os acordos contidos na Lei; então, Deus levantou os profetas para denunciar a falha de Israel, chamá-lo ao arrependimento e anunciar que faria um novo e definitivo acordo que proporcionaria ao mundo inteiro condições de acesso direto ao reino de Deus, através do Messias.

O período em que Israel teve a oportunidade de ser o instrumento de Deus para salvar o mundo passou pela Lei (com Moisés), pelas profecias (com os Profetas) e veio até o precursor de Cristo (João Batista), o homem que introduziu a era messiânica. Foi nesse contexto que Jesus fez a declaração que ora analisamos. Toda a estrutura teológica do Antigo Testamento estava a serviço do Messias.

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH –captou bem o sentido teológico do texto, em Mateus 11:13: Até o tempo de João, todos os Profetas e a Lei de Moisés falaram a respeito do Reino. “O Reino” é o próprio Cristo. A Lei e os Profetas falavam de um período que estava começando ali, naquele momento, com Jesus; é ele mesmo quem explica isso: Enquanto ainda estava com vocês, eu disse que tinha de acontecer tudo o que estava escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos livros dos Profetas e nos Salmos (Lc 24:44 - NTLH).

Temos outro fator a favor de que Jesus, ao fazer a declaração registrada em Lc 16:16, não estava invalidando a Lei divina: Ao transpor este texto do grego para o português, na tradução RC da Bíblia, o tradutor fez uma inserção do verbo “durar”, conjugado na terceira pessoa do plural, no pretérito perfeito do indicativo – “duraram” –, ou seja, ele acrescentou ao texto essa forma verbal, que não consta nos originais.

Dessa forma, entendemos o versículo assim: A lei e os profetas, que foram dados aos judeus, como instrumentos de salvação para o mundo, serviram como instrumento divino para a manifestação do reino, e isso durou até João, que preparou o caminho para o Messias, e este, desde então anuncia definitiva e plena o reino de Deus (cf. Lc 4:43; Mc 1:14-15). Com isso, Cristo não está desprezando a Lei e os Profetas, mas declarando que é superior a todos os instrumentos utilizados até então por seu Pai (a Lei e os Profetas) para conduzir os pecadores ao Reino Celeste. Por isso, afirmou: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14:6).

Ele é o Senhor do Reino; a Lei e os Profetas são servos. Com ele, a porta que os judeus haviam fechado para os gentios (cf. Lc 13:10-17,24-30, 15:11-32; Mt 23:13) agora está aberta (Mt 7:8; Jo 10:7-9), e todo homem emprega força para entrar nele [no Reino], isto é, todos os pecadores precisam ter fé exclusiva em Cristo e coragem para vencerem todos os obstáculos, a fim de entrarem no Reino.

Portanto, em Lc 16:16, Jesus não está abolindo a Lei de Deus; em vez disso, está afirmando que, até aquele momento, ela era a referência para a entrada no Reino, mas que, a partir de então, ele é a entrada e a Lei é o padrão da qualidade moral e espiritual de vida no Reino (Rm 2:12,14-15; Mc 12:28-31). É por essa razão que Cristo enaltece a Lei, logo no versículo seguinte: E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei (Lc 16:17), e, na seqüência, como símbolo da vigência da Lei, exige obediência a um dos mandamentos mais quebrados, em todos os tempos: o adultério (Lc 16:18). Em outras ocasiões, ele exaltou a lei divina declarando que não veio destruí-la, mas cumpri-la (Mt 5:17); enalteceu os cumpridores da lei, afirmando que serão grandes no reino dos céus (Mt 5:19); também imprimiu mais rigor à lei, quando afirmou que a ofensa ao próximo constitui assassinato (Mt 5:21-22) e que o olhar impuro lançado a uma mulher constitui adultério (Mt 5:27-28).

Tivesse a lei de Deus durado somente até João, Cristo não teria mandado o jovem rico guardar os mandamentos (Mt 19:170), não teria exigido obediência dos escribas e fariseus (Mt 23:23) e dos seus discípulos (Jo 14:15,21); Paulo não teria afirmado que os salvos justificados por Deus são aqueles que estão em obediência a seus mandamentos (Rm 2:13), que a obediência à lei é a expressão maior da verdadeira fé (Rm 3:31) e que a lei é santa (Rm 7:21). Este apóstolo, fervoroso defensor da salvação pela graça, declara que tinha prazer na lei de Deus (Rm 7:22). Bem doutrinado, Paulo sabia que, se não há mais lei, então não há pecado, pois o pecado é a transgressão da lei (I Jo 3:4; Rm 4:15). Por isso, a Lei é eterna (Sl 78:7, 111:7-8, 119:96,160; Is 24:5), é útil no Reino (II Tm 3:16 e 17) e é válida não apenas para os judeus, mas para todos os povos (Sl 105:7; Is 51:4). Todos os escritores do Novo Testamento enalteceram a lei de Deus, porque sabiam que ela não perdeu sua utilidade a partir de João (Rm 3:9; I Jo 2:4,22,24; 5:2-3; II Jo 1:6; Ap 12:17, 14:12).

CONCLUSÃO: Chegamos à inevitável conclusão de que as palavras de Jesus, em Lc 16:16 não oferecem base para o desrespeito à lei de Deus. O que o Senhor disse foi que o Antigo Testamento (a Lei e os Profetas) atingiu seu objetivo maior na época de João Batista, o homem que foi movido pelo Espírito Santo para apresentar o Messias ao mundo. A partir de então, Cristo assumiu o comando da salvação da humanidade, e a Lei passou a agir como orientadora, visando manter os salvos no Reino de Deus, até o regresso do Senhor.

Portanto, não podemos ser antinomistas nem legalistas, pois cremos que a salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2:6-7) e cremos que o salvo demonstra a salvação através de uma vida de obediência e de boas obras (Mt 3:8; Jo 15:16). Reiteramos que a obediência aos mandamentos não é o meio para obtermos a salvação, mas é uma conseqüência da salvação que nos foi concedida (Hb 5:9: Mt 7:21). Por isso, os adventistas da promessa não têm de ter envergonha de serem defensores da vigência da Lei de Deus; antes, devem demonstrar sua fé na graça de Cristo, ter prazer de praticar a lei do Senhor (Sl 119:77) e sempre orar: Abre os meus olhos [Senhor] para que eu possa ver as verdades maravilhosas da tua lei (Sl 119:18).

QUESTIONÁRIO:

1) Como os defensores da extinção da lei de Deus interpretam Lc 16:16?

2) Com base no segundo comentário, explique qual o contexto de Lc 16:16.

3) Ainda com base no segundo comentário, explique a interpretação correta de Lc 16:16.

4) Em que sentido Lc 24:44 confirma a interpretação correta de Lc 16:16?

5) Com base em Mt 5:17-22; Rm 2:13; 3:31, 7:12; Sl 119:96, 111:7-8; II Tm 3:16-17, explique por que a lei de Deus não perdeu sua validade, depois de João Batista.

6) Da interpretação correta e da interpretação incorreta, que lições você tira para a sua vida espiritual?

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[1] Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã, Vol I, pp. 84-85, Vida Nova, São Paulo-SP.

[2] Comentário Bíblico Broadman. Rio de Janeiro: Juerp, 1983, Vol 9, p.159.

Lição 7 - Os apóstolos observavam o domingo como dia de adoração?

Atos 20:7
Esse texto afirma que os apóstolos
observavam o domingo como dia
de adoração?


Autor: Pastor Genésio Mendes
Lição Bíblica 273, sábado, 12 de novembro de 2005

OBJETIVO: Mostrar ao estudante da palavra de Deus que, ao contrário do que muito declaram, At 20:7 não ensina que o dia de adoração da igreja primitiva era o primeiro dia da semana.

TEXTO BÁSICO: No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que havia de seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até meia noite. (At 20:7)

INTRODUÇÃO: Esse é um dos textos bíblicos usados pelos defensores da guarda do primeiro dia da semana, como dia santificado para a adoração a Deus. Nesta Lição, vamos colocar a posição daqueles que são contrários à observância do sábado como dia de adoração e, depois, a posição que realmente o texto ensina.
O esforço dos escritores de provar a santificação do primeiro dia cai por terra, quando analisamos os textos apresentados, nos quais nenhuma ordem expressa se acha declarando ser o primeiro dia separado para o descanso. Nem Jesus, nem os apóstolos fazem qualquer alusão a essa ordenança. Ela se baseia apenas na suposição de que Jesus teria ressuscitado no primeiro dia, tornando-se daí em diante, dia de guarda.

I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA

Muitos escritores declaram que At 20:7 é uma evidência convincente de que a igreja do primeiro século adotava o domingo para a adoração a Deus. Essa é a opinião do comentarista Champlin: Esta passagem é interessante e importante, no que tange aos primitivos hábitos dos crentes se reunirem para a sua adoração regular em um primeiro dia da semana. Devemos observar que essa reunião ocorreu em um primeiro dia da semana, ou domingo e que foi uma reunião formal dos cristãos, para algum propósito, o que fica demonstrado pelo fato de que tiveram a cerimônia do partir do pão, isto é a Ceia do Senhor. Essa modificação no dia da adoração — do sábado para o domingo — não ocorreu por qualquer decreto de um concílio, pelo contrário, verificou-se gradualmente na prática de todos os dias.[1] Um outro escritor, seguindo a mesmo raciocínio defendido por Champlin, declara: Não temos nenhum registro explícito de quando nem porque os cristãos fizeram do domingo o dia especial de seu culto a Deus; mas a inferência clara é de que assim agiram espontaneamente, pelo fato de Jesus haver ressuscitado nesse dia. A boa nova da ressurreição de Jesus naturalmente os levou a reunirem-se naquele memorável ‘primeiro dia da semana’, e novamente estavam reunidos no domingo seguinte (ver João 20:1 e 26)[2]. Alguns comentaristas ainda interpretam a expressão “partir o pão” como sendo uma referência ao ágape (festa do amor) ou mesmo à Ceia do Senhor, ou a ambas.

1. De acordo com a interpretação dos diversos autores, qual seria o dia de adoração da igreja primitiva e por quê?

2. Como alguns comentaristas interpretam a expressão “partir o pão”?

II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Em sua terceira viagem missionária, Paulo chega a Éfeso, onde prega o evangelho e opera prodígios, todos os sábados, na sinagoga. Muitos que viviam envolvidos com o ocultismo se converteram à mensagem evangélica. Assim, ... muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de todos, e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata. (At 19:19-20)

Essas conversões mexeram com as estruturas comercias da cidade, onde havia o templo da influente e aclamada deusa Diana. Essa deusa sustentava a rentável indústria da idolatria, pois vários artífices faziam e vendiam imagens de prata dela. Com a queda nas vendas, um homem chamado Demétrio realizou uma reunião com os artífices. Explicou-lhes que os prejuízos comerciais estavam relacionados à pregação do apóstolo Paulo, que era contrária à idolatria. Se essa pregação continuasse, o comércio e a religião dos efésios seriam brevemente destruídos (Ef 19:27).

Demétrio provou ser um excelente agitador, pois a resposta dos artesãos foi imediata. O discurso malicioso de Demétrio despertou a histeria da multidão:

Ouvindo isto, encheram-se de ira e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios! E encheu-se de confusão toda a cidade. (At 19:28-29) Eles se encontraram no anfiteatro da cidade e, por duas horas, gritaram: Grande é a Diana dos efésios! Se não fosse a habilidade do secretário da prefeitura da cidade, que conseguiu dispersar o ajuntamento popular, o conflito teria acabado em tragédia (At 19:35-40).

Quando terminou aquela confusão, Paulo chamou os discípulos e lhes deu muitos conselhos. Depois, despediu-se deles e seguiu para a província da Macedônia, região da Europa, ao norte da Grécia. Ele percorreu aquelas terras, fortalecendo os discípulos com muitas exortações. Depois dessas viagens macedônicas, Paulo dirigiu-se para a Grécia, e, provavelmente, em Corinto, ele se demorou três meses, enquanto esperava a estação apropriada para embarcar rumo à Síria. Mas, quando estava pronto para viajar, soube que havia uma conspiração por parte dos judeus contra ele. Na última hora, Paulo decidiu alterar o itinerário: determinou voltar pela Macedônia (At 20:2-3)

Paulo viaja para Trôade – porto que ficava a oeste da atual Turquia. Nessa cidade, permaneceu sete dias. Stott observa que Lucas relata apenas um acontecimento durante essa semana em Trôade: o sono, a queda, a morte e a ressurreição dramática de um jovem chamado Êutico. Mas a história é também instrutiva na área do culto cristão primitivo, porque aconteceu no contexto de um culto.[3]

Ele diz isso por causa dessa afirmação de Lucas:
... no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia-noite. Esse “primeiro dia da semana” se referia ao sábado à noite ou ao domingo à noite? A interpretação desse “primeiro dia” depende da maneira como pensamos que Lucas contava o dia: como os judeus (a partir do pôr do sol) ou como os romanos (a partir da meia-noite), observa o mesmo Stott. A NTLH optou pelo sábado à noite:
No sábado à noite nós nos reunimos com os irmãos para partir o pão. Paulo falou nessa reunião e continuou falando até a meia-noite, pois ia viajar no dia seguinte. No texto grego, porém, não existe nenhuma expressão que possa ser traduzida por “primeiro dia da semana”. No Novo Testamento Interlinear, que traduz, rigorosamente, palavra por palavra, do grego para o nosso idioma, o versículo encontra-se traduzido da seguinte maneira:
Em, porém, o um dos sábados, tendo conduzido juntos nós quebrar pão, o Paulo discursava-lhe, estando para ir-se de no sobre a manhã, estendeu ao lado e a palavra até meia noite[4]. Uma tradução correta do texto grego seria:
No sábado, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os.

Seguindo essa tradução, concluímos que o culto em Trôade começou durante o sábado, isto é, antes do pôr-do-sol, e não no domingo à noite, e prolongou-se até a meia-noite. Um outro fato grave que a tradução do Novo Testamento Interlinear deixa claro é que as versões RA e RC traduziram erroneamente o versículo. A NTLH seria perfeita, se não tivesse acrescentado, por conta própria, o “à noite”, logo depois da expressão “No sábado”. Obviamente, esses problemas de tradução não são produtos de ignorância ou descuido, pois os que fazem parte das equipes de tradução – que são contra a observância do sábado, como dia de adoração e descanso - dominam, mais que qualquer outra pessoa, a língua grega.

Ainda há uma outra questão que merece explicação. Trata-se da expressão “partir o pão” que é usada, como vimos no comentário anterior, como referência à Ceia do Senhor. Essa expressão era usada, naqueles dias, para se referir a uma refeição comum (At 2:46). Pelo avanço da hora, naquela noite, parece-nos mais tratar-se realmente de uma refeição comum. Dois outros textos paralelos utilizados pelos defensores o domingo como dia de adoração a Deus são Jo 20:26 e I Co 16:2. O primeiro texto diz:
Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!

Quem disse que esse texto descreve uma reunião de adoração? O que eles estavam fazendo? Estavam se protegendo ou se escondendo dos judeus. O v. 21 deixa isso claro:
Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!

O outro texto, o de I Co 16:2, onde lemos:
... no primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for também não serve para defender o domingo como dia de adoração. Ao recorrermos novamente ao Novo Testamento Interlinear, veremos que, nessa passagem, também há problema nas traduções mais conhecidas:
Conforme um de sábado cada um de vós ao lado de si mesmo coloque entesourado o que quer que se seja encaminhado para que não, quando que vá, então coletas venham ocorrer.

No texto grego, não aparece nenhuma expressão que possa ser traduzido por “primeiro dia da semana” ou “todos os domingos” (NTLH). Aparece, sim, a palavra grega sabatou(Verificar Transliteração), cujo primeiro significado alistado no Léxico do Novo Testamento Grego/Português é “sábado, o sétimo dia da semana, considerado sagrado pelos judeus”[5] A expressão “em casa” também não consta no texto grego. Logo, a tradução mais apropriada para o versículo seria: Todos os sábados, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar.

Fica claro, portanto, que, realmente, no Novo Testamento, nada consta sobre o domingo como dia de repouso. Há, todavia, inúmeras informações de que a igreja reunia-se aos sábados para adoração. O escritor batista Isaltino Coelho Filho, ao comentar sobre o quarto mandamento, honestamente admite isto:
... embora estejamos falando do domingo como um dia reservado para o culto comunitário, entre os cristãos, não temos um mandamento específico, no Novo Testamento, para adorar a Deus, num dia específico´´ [6].

Atos dos Apóstolos, especialmente, registra que os crentes, quer fossem judeus, quer fossem gentios, tinham o hábito de se reunirem para adoração ou aprendizado sempre aos sábados:
Mas eles, atravessando de Perge para a Antioquia da Pisídia, indo num sábado à sinagoga, assentaram-se. (At 13:14) Ao saírem eles, rogaram-lhes que, no sábado seguinte, lhes falassem estas mesmas palavras. (At 13:42) No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. (At 13:44) Atos 16:13 - No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que para ali tinham concorrido. - Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras. Atos 17:2 E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos Atos 18:4. Diante de tantas evidências internas, é mais lógico concluir que o dia de culto da igreja do primeiro século era o sétimo e não o primeiro da semana.

CONCLUSÃO: É maravilhoso quando a Bíblia é estudada à luz da verdade. Dizemos isto, porque ela mesma nos avisa que muitos a estudam para contradizê-la (Rm 16:17-18; II Tm 4:3-4). Nesta lição, conhecemos os argumentos contrários à verdade, mas pudemos saber que a verdade surge absoluta quando comparada com os ensinos contraditórios. Agradeçamos a Deus pela luz que temos da verdade e que ela continue iluminando o nosso caminho na vida cristã. Continue estudando e aprendendo com a Bíblia.

QUESTIONÁRIO

03. Por que At 20:7 não serve para defender o “primeiro dia da semana” como o dia de culto? Baseie-se no comentário.

04. A expressão partir o pão pode ser entendida como uma alusão à celebração da Ceia do Senhor?

05. O texto de Jo 20:26 pode ser usado como prova de que os discípulos adoravam no primeiro dia da semana? Explique.

06. Com base em I Co 16:2, responda: Esse texto ensina que a igreja de Corinto tinha hábito de adorar a Deus no domingo? Fundamente-se no comentário.

07. O que o livro de Atos dos Apóstolos tem a nos revelar sobre o dia de adoração dos cristãos da igreja primitiva?

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[1] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 1998, vol. 03, p. 436.

[2] STAGG, Frank. Atos: a luta dos cristãos por uma igreja sem fronteiras. Rio de Janeiro: Juerp, 1994, 3a edição, p. 200.

[3] John R. W. STOTT, A Mensagem de Atos, São Paulo, ABU, 1990, p. 360.

[4] Waldyr Carvalho LUZ, O Novo Testamento Interlinear, São Paulo, editora Cultura Cristã, 2003, p. 463.

[5] GINGRICH, F. W & DANKER, F W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. São Paulo: Vida Nova, 1984 , p. 185.

[6] FILHO, I. G. C. A Atualidade dos Dez Mandamentos, p.96. (COMPLETAR CITAÇÃO)

Lição 8 - A guarda do sábado foi cancelada na cruz de Cristo?

COLOSSENSES 2:14
Esse texto prova que a guarda do sábado foi cancelada na cruz de Cristo?

Autor: Pastor Aléssio Gomes de Oliveira
Lição Bíblica 273, sábado, 19 de novembro de 2005

OBJETIVO: Mostrar ao estudante o real sentido do que Paulo diz, em Cl 2:14, para que seja fortalecido na fé, através da prática dessa verdade.

TEXTO BÁSICO: ... tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz. (Cl 2:14)

INTRODUÇÃO: Dando continuidade à nossa tarefa de explicar corretamente alguns textos sagrados referentes às doutrinas bíblicas da alimentação saudável e do santo sábado do Senhor, hoje, analisaremos Cl 2:14, texto que, segundo alguns cristãos, anula a guarda do sábado no sétimo dia. Ao estudá-lo, dentro do seu contexto, entretanto, constataremos que o quarto mandamento da lei de Deus não foi cancelado na cruz de Cristo. Tal verdade já ficou evidenciada na lição número 6, quando vimos o tratamento respeitoso que o Mestre Jesus e seus discípulos deram a esse dia, tratamento este que deve ser imitado por todos os cristãos na face da terra, a fim de que tenhamos cumprida a promessa que nos diz: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (Jo 14:21)

I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA

Alguns cristãos interpretam Cl 2:14 como uma declaração geral de Paulo a respeito dos efeitos da obra de Cristo na cruz, em relação à Lei, ou seja, com seu sacrifício, o Senhor Jesus teria cancelado todas as ordenanças, todos os rituais, todos os preceitos que eram como sombra da obra gloriosa que realizara no Calvário, incluindo, nesse cancelamento, preceitos da Lei Moral, os Dez Mandamentos, especialmente a guarda do sábado no sétimo dia da semana. Em razão desse suposto cancelamento, os cristãos ficaram desobrigados de se subordinarem a esses preceitos divinos. Essas pessoas entendem que Cristo anulou a Lei, e com isso, trouxe a liberdade tão sonhada e esperada aos seres humanos; afirmam, ainda, que o ministério da graça manifestado por Jesus é incompatível com qualquer tipo de compromisso com a Lei de Deus, que chamam de “lei de Moisés”.

Outro fator a ser considerado é o levantado sobre a Lei Moral e a Lei Cerimonial. É verdade que nem uma nem outra lei recebe escrituristicamente tais designações, dentro da Bíblia Sagrada; entretanto, é bom lembrarmos que o fato de isto não aparecer na forma escrita, não invalida sua essência, pois o princípio claro nos mandamentos escritos por Deus, nas tábuas de pedra, são princípios morais e eternos, ao passo que grande parte dos escritos que Deus mandou Moisés escrever contem princípios cerimoniais, militares, civis, ou seja, preceitos circunstanciais, transitórios, etc. Estamos convictos de que nenhum cristão fiel às Escrituras se oporia a veracidade da doutrina da Trindade pelo simples fato de tal nomenclatura não fazer parte da escrita bíblica; porém, o que importa, em ambos os casos, é a essência da qual derivam as suas definições.

A verdade por trás de todo esforço empreendido no sentido de desobrigar os cristãos do compromisso integral para com os Dez Mandamentos de Deus, afirmados por Cristo na Nova Aliança, visa tão somente enfraquecer um único desses preceitos: a vigência do santo sábado do Senhor como um dia instituído por ele para que suas criaturas, em todos os tempos e lugares, tenham um dia separado para adoração, para se recordarem de seu Criador e reconhecerem nele o Senhor Libertador, absoluto na história e digno de ser obedecido por seus servos, por meio da graça de Cristo. Entretanto, apesar dos ventos contrários, a graça de Cristo faz que nossos corações anelem pela Lei de Deus e nosso interior suspire por sua vontade, verdade esta que levou o salmista, séculos atrás, a declarar: Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano (Sl 143:10); e que moveu o apóstolo João a dizer: Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos (I Jo 5:3).

II – A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Antes da interpretação propriamente dita, é importante conhecermos o contexto geral da epístola aos Colossenses, cuja autoria é atribuída ao apóstolo Paulo, pela maioria dos teólogos. Cria-se, todavia, desde os tempos mais antigos, que esta epístola havia sido escrita em Roma, com as epístolas aos Filipenses, Filemom, I e II Timóteo e Tito, no período em que o apóstolo Paulo esteve aprisionado naquela cidade; entretanto, a linha de pensamento que hoje prevalece entre os estudiosos é a de que tais epístolas possam ter sido escritas por Paulo em uma de suas prisões, como no caso de Cesaréia ou Éfeso.

Algumas passagens nesta carta (Cl 1:4, 2:1) deixam evidente que Paulo não conhecia a maioria dos crentes de Colosso, o que dificilmente o credenciaria para ser reconhecido como o fundado da igreja naquela localidade. Colosso era uma cidade que pertencia à província romana da Ásia e é possível que o evangelho a tenha alcançado durante o período em que o apóstolo Paulo esteve evangelizando a cidade de Éfeso (At 19:10), fazendo, possivelmente, com que, através de Epafras, que era cidadão colossense, a mensagem de Cristo chegasse à cidade de Colosso (Cl 1:7, 4:12).

Se retrocedermos ao cenário da religiosidade cristã, nos tempos do apóstolo Paulo, iremos encontrá-lo envolvido, dividido e bombardeado por algumas correntes destoantes do genuíno evangelho de Cristo, que procuravam encontrar simpatizantes para suas teorias. A jovem igreja que se instalara na cidade de Colosso, assim como as igrejas da Galáxia, de Éfeso e Roma, dentre outras, muito sofria pelas divergências internas promovidas por judeus recém-convertidos ao Cristianismo, mas com enormes dificuldades em se desligarem completamente do antigo modo de vida ritualista que mantinham no judaísmo. Como se isto não bastasse, tentavam impor o mesmo modo de vida aos cristãos daquela localidade.

Hoje, temos séculos de Cristianismo, que nos proporcionaram experiência e maturidade para fazermos distinção clara entre uma coisa e outra; infelizmente, os irmãos de Colossos, não podendo desfrutar deste mesmo benefício, deixaram-se enredar por práticas judaicas que não tinham lugar no Cristianismo. Entre as práticas que os judeus novos convertidos lutavam por introduzir ao Cristianismo destacava-se a observância da lei cerimonial, notadamente os dias de festa, como a páscoa, o pentecostes, o dia da expiação, a festa dos tabernáculos, da lua nova e outras celebrações. Naturalmente, o apóstolo Paulo ensinou à igreja de Colosso que tais ordenanças e festividades foram riscadas ou cravadas na cruz, por Cristo, e que, ali, cessaram, automaticamente, os tipos de "sombras" que para ele apontavam.

É importante, nesse contexto, sabermos que os colossenses também eram profundamente assediados por mestres do gnosticismo (crença baseada no conhecimento como fonte de libertação espiritual – Cl 2:8); haviam absorvido práticas cerimoniais do judaísmo, como as doutrinas da alimentação, das festas de dias, etc. e radicalizado esses preceitos, através da abstenção absoluta de todos os tipos de carne e da inércia absoluta nos dias de sábados festivos e no sábado do Senhor. Isso os levou para um ascetismo rigoroso, por considerarem o isolamento uma das melhores formas de manterem sua suposta pureza espiritual. Com isso, criaram uma forma de legalismo (crença na libertação espiritual através das obras da lei) mais severo que o praticado pelos fariseus. Como isso não bastasse, através de vãs filosofias, colocaram Cristo na mesma igualdade dos anjos (Cl 2:18); criaram o culto tendo anjos como mediadores dos homens (Cl 2:18) e incluíram essas idéias como parte do evangelho de Cristo (Cl 2:20-23). Em outras palavras, os mestres do erro, os gnósticos de Colosso, estavam levando o Senhor da Igreja, Jesus Cristo, à insignificância.

Diante de tamanho perigo, Paulo escreveu aos colossenses para protegê-los dessa heresia mortal, e o fez com oração (Cl 1:3-14); aplicou-lhes a forte doutrina sobre o poder e o senhorio absolutos de Cristo na igreja (Cl 1:15-27); deu-lhes o seu próprio exemplo de vida, como apóstolo (1:24 a 2:5), e explicou-lhes os valores espirituais que devem modelar a vida cristã (Cl 2:6–4:6). É nesse contexto geral que devemos compreender o texto que ora estudamos. Desta forma, ao afirmar: ... tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz, Paulo não está dizendo que a Lei dos Dez Mandamentos fora abolida, mas está ensinando que a morte substitutiva de Jesus foi suficiente para pagar a nossa dívida pecaminosa. Assim sendo, os que, pela fé, acreditam na eficácia do sacrifício de Cristo, têm sua dívida cancelada, isto é, paga diante de Deus, e estão aptos a desfrutarem de uma nova vida, resultante da graça de Cristo.

Reiteramos que o texto de Cl 2:14 não ensina que a Lei de Deus foi encravada na cruz, e, sim, que a dívida de todos os pecadores arrependidos fora perdoada e a justificação de todos aqueles que, pela fé em Jesus, alcançaram a comunhão com o Pai fora proporcionada. Consideramos cristalino o que Paulo está ensinando: ele não está dizendo que a cruz de Cristo inutilizou a Lei de Deus, mas, sim, que, na cruz, o Senhor proporcionou o perdão dos pecados para a humanidade. Com isso, o apóstolo está dando uma dura resposta aos judeus legalistas e aos gnósticos libertinos, afirmando-lhes que a rigidez cerimonial, a autojustificação proveniente das obras da lei não pagam a dívida pecaminosa que a lei evidencia, e, neste sentido, ela é contra nós (Rm 7:7; Cl 2:14). Por essa razão, afirma Paulo, somente Cristo tem poder para cancelar essa dívida, e o fez na cruz.

Na mente do apóstolo, em nenhum momento existiu a idéia de que a cruz de Cristo tenha anulado a Lei Moral de Deus ou tenha extraído dessa lei o santo sábado; ele mesmo disse: Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei (Rm 3:31). O que ele afirma, em Cl 2:14, é que a cruz de Cristo anulou as leis cerimoniais que regiam os sacrifícios de animais, “sombras” do sacrifício da cruz, e as inúteis posturas legalistas de autojustificação baseadas na Lei Moral, praticadas pelos mestres do erro.

Portanto, a crença comumente difundida de que o apóstolo Paulo ensinou, em Cl 2:14, que o sábado não mais fazia parte das obrigações dos cristãos, é totalmente despropositada. Conforme Carlyle B. Haynes, Supõem alguns que o apóstolo Paulo se referia à mudança do sábado quando escreveu aos colossenses: Ninguém vos julgue por causa dos dias de festas, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. O sistema cerimonial do Velho Testamento possuía muitas festividades, dias santificados e sábados anuais. Este sistema, imposto até ao tempo da correção, havia expirado com Cristo, para quem apontava. O crente em Cristo não devia, portanto, voltar a esses tipos e sombras. [1]

Desta forma, insistimos em que o texto refere-se a questões espirituais que são consideradas sombras das coisas futuras, o que, obviamente, não diz respeito ao sábado do Senhor, que, segundo as Escrituras, deve ser guardado no sétimo dia da semana e não tem um direcionamento prioritariamente para o futuro, como os demais sábados das festividades judaicas, uma vez que, ao contrário destes, o sábado do Senhor, além de restaurar o vigor físico, tem a finalidade de fazer que os adoradores de Deus, em todos os tempos, tenham sua visão voltada para o passado, para a obra divina da Criação e da Redenção concedida aos nossos antepassados (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15).

A cada sétimo dia, portanto, o povo de Deus, de quaisquer tempo e nação, reúne-se para recordar e celebrar o poder criador e redentor do Deus Todo-Poderoso. CONCLUSÃO: Conscientizados de que o texto de Cl 2:14 não cancela a Lei de Deus, e, por assim dizer, não abole o santo sábado do Senhor, mantenhamos nossa fé firmada na verdade, e, a cada sétimo dia da semana, façamos do sábado momentos em que possamos nos apresentar diante do Senhor com um coração adorador disposto a reconhecer que ele é Criador de toda existência, é Deus Libertador das nossas vidas e Soberano sobre toda a criação: De longe trarei o meu conhecimento, e ao meu criador atribuirei a justiça. (Jó 36:3).

QUESTIONÁRIO:

1) Como os defensores da extinção da guarda do sábado no sétimo dia da semana interpretam Cl 2:14?

2) Com base no segundo comentário e em Cl 2:16-23, explique quais as heresias que os opositores do evangelho de Cristo estavam tentando implantar da igreja de Colosso.

3) Com base no segundo comentário e em Cl 1:15-23, explique os argumentos usados por Paulo para combater as heresias. Qual o principal fundamento que sustenta a igreja?

4) Agora, explique a interpretação correta do texto básico (Cl 2:14).

5) Em que sentido Rm 3:31 confirma a interpretação correta de Cl 2:14?

6) Da interpretação correta e da interpretação incorreta, que lições você tira para a sua vida espiritual?

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[1] Carlyle B. Haynes, Do sábado para o Domingo, p 31, Ed. CPB.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lição 9 - Quem observa a Lei de Deus está debaixo de maldição?

GÁLATAS 3:10
Esse texto ensina que quem observa a Lei
de Deus está debaixo de maldição?


Autor: Pastor Genilson Soares da Silva
Lição Bíblica 273, sábado, 26 de novembro de 2005

OBJETIVO: Mostrar que a parte moral da lei do Senhor continua válida para o crente de hoje, podendo ser obedecida somente pela graça, que, além de nos salvar, nos instrui a viver uma vida prudente e dedicada a Deus.

TEXTO BÁSICO: Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. (Gl 3:10)

INTRODUÇÃO: Assim que Paulo pregou o evangelho recebido pela revelação de Jesus Cristo (Gl 12) aos Gálatas, houve entusiasmada aceitação das verdades pregadas. A sua vida cristã estava avançando e crescendo, dia após dia. Eles corriam bem (Gl 5:7) a carreira que lhes estava proposta, olhando firmemente para Jesus, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai (Gl 1:4), por meio de quem, portanto, a vida cristã começa e se aperfeiçoa (Hb 12:2). De repente, os gálatas pararam de prosseguir para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3:14). O que aconteceu? Aconteceu que apareceram os judaizantes pregando um evangelho diferente, cuja ênfase principal era a circuncisão, uma prática vista por Paulo, desde o período da sua conversão, como “refugo” ou “esterco” – skubalon, no grego (Fp 3:1-8). Você sabe o que é isso? Rienecker e Rogers lhe respondem com a seguinte afirmação: Refere-se ao excremento humano, a porção do alimento rejeitada pelo organismo como não nutritiva, ou refere-se a lixo ou restos de uma festa, a comida que caia da mesa[1]

I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA

O texto que nos serve de base para este estudo (Gl 3:10) é bastante utilizado por estudiosos para defenderem a posição teológica de que a lei de Deus – inclusive as partes morais – está limitada ao tempo antes da vinda de Cristo e de que, por isso, já não é mais diretamente aplicável aos crentes de hoje. Eles sustentam que a lei do Senhor é uma unidade indivisível e inseparável, não podendo ser separada em aspectos morais, civis e rituais, pois esse sistema não está claramente apresentado nas Escrituras Sagrados. Assim, se alguém Concorda que Cristo colocou de lado a lei cerimonial por meio da sua morte e ressurreição substitutivas, então consequentemente os cristãos são desculpados de toda a lei, visto que ela é uma unidade indivisível.[2] Na lista de textos usados para defender essa posição encontra-se o que baseia a nossa lição, que será interpretado corretamente, na seqüência.

Com base na introdução e Gl 3:10, responda:

01. Leia o comentário anterior e responda: Quais são as posições de muitos sobre a lei do Senhor? A lei do Senhor é uma unidade indivisível? Analise esse conceito com base nos textos de I Sm 15:22-23; Sl 51:16-17; Is 1:11-17; Jr 7:21-23.

02. A Bíblia ensina que a parte ritual da lei do Senhor foi anulada pela morte de Jesus (Ef 2:14-15). O cumprimento de uma parte da lei do Senhor, a sua parte ritual, exclui a necessidade de o crente cumprir a sua parte moral? Explique.

II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Aos lermos a epístola aos Gálatas, ficamos impressionados com o palavreado raivoso, vigoroso, urgente, enérgico, corretivo, cortante do apóstolo, que, já de início, expressa, com franqueza, sua dolorosa surpresa e seu espanto: Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. (Gl 1:6-7) Às vezes, é preciso firmeza para se defender da corrupção a verdade do evangelho! O que estava em jogo não era uma opinião pessoal do apóstolo, mas o plano de salvação para os gentios. Após justificar e defender a legitimidade de sua autoridade e sua proclamação, que vinham sendo duramente questionadas pelos judaizantes (Gl 1:10–2:14), Paulo passou a explicar firmemente a autêntica doutrina da justificação (Gl 3:1–4:11) aos Gálatas, que estavam completamente envolvidos com as palavras dos judaizantes. Ele não queria que as igrejas voltassem aos rudimentos do judaísmo, de onde já haviam saído. Foi nesse contexto que apareceu a afirmação: Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. (Gl 3:10) Nesse capítulo, para muitos, o pensamento de Paulo acerca da lei é difícil de ser entendido, porque ele parece fazer uma série de afirmações contraditórias sobre a lei de Deus, deixando subtendido que o povo de Deus não tem mais obrigação de obedecer-lhe. As aparentes contradições são superadas quando entendemos o significado da palavra “lei”. A palavra “lei”, que aparece quinze vezes nesse terceiro capítulo – em toda a epístola, há 33 ocorrências –, foi traduzida do termo grego nomos, que, nas epístolas paulinas, possui significado diversificado. Por exemplo, em I Co 14:21, o termo nomos[3] é usado em referência ao livro do profeta Isaías 28:1-11: Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.

Em Romanos 7:21 – Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus –, nomos é uma alusão à lei moral de Deus, isto é, os dez mandamentos. Já na parte final de Rm 3:21 – Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas –, nomos aponta para o Pentateuco, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Vemos, portanto, que a palavra grega é sempre a mesma, nos três textos – nomos –, mas o sentido varia de um texto para outro. Em cada texto, nomos só aceita um dos significados possíveis, determinado pelo contexto. Quando esse princípio é ignorado, a interpretação do texto fica gravemente comprometida. Isso se aplica à epístola aos Gálatas, em que o apóstolo está engajado num debate teológico com os judaizantes, defensores da circuncisão, que é mencionada sete vezes na carta (Gl 2:7,8,9,12, 5:6,11, 6:15) como necessária ao crente para ser justificado diante de Deus. Assim sendo, pode se concluir que o termo “nomos” é, sem dúvida, uma referência a aspectos cerimoniais do judaísmo, que consistiam de ordenanças e mandamentos que apontavam para o trabalho redentor de Jesus (Cl 2:11-13; Ef 2:14-15). Os judaizantes estavam defendendo que a justificação era alcançada pela observância dessas prescrições. Trata-se de uma interpretação equivocada, pois, até mesmo no Antigo Testamento, a justificação era alcançada não pela “obediência”, mas pela “confiança”: É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça (Gl 3:6). Ao citar Abraão, o mais ilustrativo e eloqüente exemplo de justificação pela fé, Paulo deixa claro que nenhum dos mandamentos de Deus, quer fossem rituais quer fossem morais, teve o propósito de produzir justificação ou libertação. O exemplo mais convincente encontra-se em Êx 20. A salvação veio aos israelitas antes da revelação do conjunto de orientações e prescrições – rituais, civis e morais – de Deus (Êx 20–24). A lei foi dada a um povo já resgatado da escravidão. Eles não tiveram de obedecer aos mandamentos - rituais, civis e morais - para serem justificados ou resgatados da escravidão egípcia (Dt 7:7-8).

Qual era, então, a razão dos preceitos divinos? Os mandamentos – rituais, civis e morais – não eram instrumento de justificação, mas de santificação. O próprio Deus deixa isso claro para Moisés, no alto do monte Sinai: Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. (Êx 19:6) Deus queria que o povo liberto da opressão se tornasse uma nação santa. Então, em sua lei, o Senhor registrou as orientações detalhadas para facilitar aos israelitas esse crescimento em santidade. O alerta de Paulo aos judaizantes consistia em mostrar-lhes que qualquer tentativa de obter a justificação ou salvação por meio da obediência aos cerimoniais judaicos resultaria em fracasso e maldição, e não em salvação, porque as exigências cerimoniais não foram estabelecidas com o propósito de justificar ninguém perante Deus: E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. (Gl 3:11) Além do mais, Paulo mostra uma outra grave falha no ensino dessas pessoas. Elas estavam, aparentemente, ensinando que os cristãos precisavam obedecer apenas a alguns aspectos cerimoniais (principalmente, a circuncisão), e não a todas as coisas escritas no Livro da lei.

Paulo desmascara a falsidade dos judaizantes, dizendo:
Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. (Gl 5:2-3) Era tudo ou nada. Não havia a possibilidade de selecionar o que deveria ser obedecido. Portanto, não adiantaria os gálatas dizerem: “Estamos aderindo somente à circuncisão”, pois o alerta de Paulo é: ... um pouco de fermento leveda toda a massa (Gl 5:9).

Na seqüência, o apóstolo, explica que aqueles aspectos cerimoniais da legislação serviram de aio [paidagogos] para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé (Gl 3:24). Ao explicar o significado da palavra “aio”, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego afirma: ... guardião, tutor. Era um escravo empregado por famílias gregas e romanas para se encarregar dos meninos entre os 6 e 16 anos, cuidado de seu comportamento e acompanhando-lo sem que saísse de casa, indo, por exemplo, à escola.[4] Apesar de ser filho do senhor, o menino não desfrutava dos privilégios de herdeiro: Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. (Gl 4:1-2) O pedagogo – aio – era quase dono da vida da criança. Todavia, quando atingia a maioridade, ele se libertava dessa severa supervisão quase onipresente. Jamais teria saudade daquele período de menoridade, pois, à época, mesmo sendo dono de tudo, era tratado como escravo. Usando a expressão assim também nós, o apóstolo passa a aplicar essa inteligente ilustração à situação vivida pelos gálatas, dizendo: ... quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. (Gl 4:3-5)

Antes da encarnação de Cristo, todos estavam sujeitos à supervisão do aio, a lei. Uma vez que era um período de menoridade e imaturidade espiritual, todos tinham de obedecer as suas diversas prescrições e rudimentos. Com a vinda de Cristo, a supervisão terminou. Não estamos mais sob os cuidados de um pedagogo: Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio (Gl 3.25).

Alcançamos a nossa maioridade espiritual! Agora, somos filhos de Deus, como está escrito: Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. (Gl 4:6-7) O que os crentes das igrejas da Galácia estavam fazendo? Estavam trocando a maioridade pela menoridade; estavam voltando à infância espiritual. Abismado com a decisão dos gálatas, o apóstolo perguntou, nervoso e perplexo: ... como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? (Gl 4:9-11). Na parte final da carta, depois de exortar os gálatas com estas palavras: Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão (Gl 5:1),

o apóstolo Paulo ensina que a liberdade cristã, por sua vez, não deveria ser confundida com libertinagem ou licenciosidade (Gl 5:13). Essas últimas palavras do apóstolo, na Epístola aos Gálatas são oportunas e prudentes, uma vez que a doutrina da justificação somente pela fé pode ser perigosa e prejudicial, se for entendia e aplicada de maneira incorreta. Esse, portanto, não é um problema exclusivo dos gálatas. Ainda hoje, muitos cristãos correm o risco de abusar da graça de Jesus. A epístola de Judas refere-se a homens (...) que convertem em dissolução a graça de Deus (Jd 1:4). Eles, de acordo a NTLH, torciam a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral. Em todas as suas epístolas, o apóstolo Paulo sempre deixou claro que a graça não autoriza nem permite abusos, a exemplo dos seguintes questionamentos que ele lança aos fiéis: Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? (...) Havemos de pecar porque estamos debaixo da graça? (Rm 6:1,15). Ele mesmo responde, categoricamente: de modo nenhum. A graça, portanto, não nos oferece uma licença especial para vivermos na prática do pecado. Pois, além de salvar, a graça educa: Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente. (Tt 2.12) “Educando-nos” foi traduzido do verbo grego paideuo que, segundo o Léxico do Novo Testamento (REFERÊNCIA?), significa treinar, instruir, ensinar com rigor. A graça de Deus, portanto, está intimamente associada a disciplina, treinamento e discipulado rigorosos. Trata-se de uma definição bastante diferente do que se tem pregado nas igrejas de hoje. Não se deve supor que a graça do NT seja diferente da graça do AT. A graça de Deus, em ambos os Testamentos das Escrituras Sagradas, possui a mesma definição rigorosa, porque o Deus que a instituiu é o mesmo em seu caráter e natureza. As exigências de santidade para os dois povos (Israel, no AT, e a Igreja, no NT) são as mesmas. Para ambos, está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 20:7; I Pe 1:16).

E, nesse processo de santificação pessoal, a lei do Senhor (os aspectos morais) tem uma função primordial, pois ela contém os valores éticos e morais de quem a institui. Sob as duas alianças, o Senhor tem um único instrumento de santificação: os seus mandamentos, que refletem a perfeita beleza do seu caráter. As leis rituais e civis foram anuladas na cruz de Cristo, mas as morais receberam mais esclarecimento e aprofundamento na pessoa e no ensino de Cristo, que disse: Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. (Mt 5:17) Esse texto de Mateus é, segundo estudiosos da lingüística , traduzido de maneira imprecisa e confusa. Eles admitem que a palavra traduzida para o português por “cumprir” é plerosai, que pode também ser traduzida por “ratificar”, “confirmar”, “validar”, “autenticar”, “aumentar”, “completar”, “preencher” de modo absoluto. Se você substituir verbo “cumprir” por “confirmar”, por exemplo, a frase de Jesus terá mais clareza e coerência? Claro que sim. O verbo “cumprir” contradiz o contexto (Mt 5:18-20), em que Jesus ensina, de modo claro, a permanência e a obrigatoriedade da lei para os que fazem parte do reino.

Portanto, Deus espera que lhe prestemos obediência, mas não espera uma obediência forçada. Ele quer obediência motivada por gratidão, como afirma Yancey: Se compreendermos o que Cristo fez por nós, então certamente por gratidão lutaremos para viver de maneira digna de tão grande amor. Lutaremos por santidade não para fazer Deus nos amar, mas porque ele já nos ama.[5] Não obedecemos aos mandamentos de Deus (apenas os seus aspectos morais) para alcançarmos justificação. Já fomos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Rm 3:24). É por gratidão, somente por gratidão que guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável (I Jo 3:22). CONCLUSÃO: Quem observa a justa e santa lei do Senhor não está debaixo de maldição, pois ela é perfeita (Dt 32:4; Sl 19:7; Tg 1:25) assim como é perfeito o seu Legislador (Mt 5:48). Assim, o crente em Jesus tem prazer interior em cumprir e ensinar a lei do Senhor gravada em seu coração Sl 1.1, 2, Jr 31.33, Rm 7:22), exatamente porque amam profundamente a Deus que os libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. (Cl 1:13-14)

QUESTIONÁRIO

01. Leia o comentário anterior e responda: Quais são as posições de muitos sobre a lei do Senhor? A lei do Senhor é uma unidade indivisível? Analise esse conceito com base nos textos de I Sm 15:22-23; Sl 51:16-17; Is 1:11-17; Jr 7:21-23.

02. A Bíblia ensina que a parte ritual da lei do Senhor foi anulada pela morte de Jesus (Ef 2:14-15). O cumprimento de uma parte da lei do Senhor, a sua parte ritual, exclui a necessidade de o crente cumprir a sua parte moral? Explique

03. Leia I Co 14:21; Rm 7:21; Gl 3:10; Rm 3:21 e responda: A palavra “lei”, que aparece em todos esses textos, tem o mesmo significado? Enfatize o sentido de “lei” na Epístola aos Gálatas, especialmente no terceiro capítulo.

04. Baseando-se no terceiro capítulo, responda: Como era a justificação pregada pelos judaizantes aos gálatas? De que modo Paulo mostrou que esse conceito de justificação era enganoso?

05. Em Gl 3:23-24, Paulo explica que as partes cerimoniais da lei do Senhor serviram de aio. O que isso quer dizer? Qual era o papel do aio? De que modo a vinda de Cristo alterou a função da parte ritual da lei? Baseie-se no comentário.

06. Leia Gl 5:13; Rm 6:1; Jd 1:4; Tt 2:12 e responda: Por que uma compreensão imprecisa da graça de Deus pode ser prejudicial a nossa vida cristã? Os conceitos de graça variam de Testamento para Testamento? Utilize o segundo comentário.

07. Com base no último parágrafo do segundo comentário, explique: Que tipo de obediência o Senhor espera de nós?

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[1] RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 413.

[2] GUNDRY, Stanley (Organizador). Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003, p. 203.

[3] GINGRICH, F. W. & DANKER, F. W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. São Paulo: Vida Nova, 1984, p.141.

[4] Fritz RIENECKER e Cleon ROGERS, Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, São Paulo, Vida Nova, 1995, p. 377.

[5] YANCEY, Philip. Maravilhosa Graça. São Paulo: Vida, 1999, p. 199.

Lição 10 - A vinda de Cristo pôs fim a Lei de Deus?

ROMANOS 10: 4
Esse texto ensina que a vinda de Cristo pôs fim à Lei de Deus?

Autor: Pastor José Lima de Farias Filho
Lição Bíblica 273, sábado, 03 de dezembro de 2005

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Lição 11 - O sábado foi dado apenas para os judeus?

ÊXODO 31:16
Esse texto indica que o sábado foi dado
apenas para os judeus?

Autor: Pastor Manoel Pereira Brito
Lição Bíblica 273, sábado, 10 de dezembro de 2005

OBJETIVOS: Conduzir o estudante ao fortalecimento em sua crença sobre a guarda do sábado no sétimo dia da semana e conscientizá-lo de que a doutrina do sábado não foi dada por Deus somente aos judeus, mas a todas as pessoas que foram salvas em Cristo, em toda a terra.

TEXTO BÁSICO: Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. (Êx 31:16)

INTRODUÇÃO: Quanta confusão há, em relação à guarda do sábado no sétimo dia! Quanta dificuldade para reconhecê-lo como o dia santo do Senhor Deus! É lamentável que muitos cristãos não enxerguem duas grandes bênçãos divinas, entre tantas, relacionadas à criação: o homem e o sábado. O primeiro Deus fez para pensar e agir (Gn 1:26-28); o segundo Deus fez para dar suportes moral e emocional e para restaurar as forças físicas, mentais e espirituais do homem. Não se pode, pois, entender o agir do homem sem o sábado, nem a bênção e a santidade do sábado, sem o homem. A atitude do próprio Criador em descansar, abençoar e santificar o sétimo dia dá ao sábado a condição de santo dia do Senhor. Por essa razão, o estudo de hoje mostrará que o sábado ou descanso foi o único feito divino que recebeu, já de início, o qualificativo de santo; mostrará, também, que ele não foi feito apenas para o povo judeu, mas para todos os povos, as nações, as etnias e as raças que povoam a terra, em quaisquer que sejam as épocas. O sábado foi feito para repouso e para a devoção do homem a Deus.

I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA

Diversas organizações evangélicas vêem o santo sábado como instituição apenas para o povo judeu, e apresentam os seguintes argumentos:

1) O sábado foi dado aos judeus, através de Moisés, como lembrança e sinal da aliança que Deus firmara com os israelitas, no Egito. Tal argumento é Baseado em textos como este: Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre (...) Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme ao teor destas palavras tenho feito concerto contigo e com Israel. (Êx 31:17, 34:27).

2) A lei de Deus – os dez mandamentos descritos em Êx 20:1-17 – não existia, antes de ser dada no Monte Sinai. Esse argumento é baseado neste texto: Não com nossos pais fez o Senhor este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. (Dt 5:3)

3) O sábado não foi mencionado na criação. Ele fazia parte da lei cerimonial, dada por Moisés, aos israelitas. Essa lei fazia referência a todo um procedimento temporário que os israelitas deveriam adotar, até a chegada do Senhor Jesus Cristo.

O ex-padre, Aníbal Reis, forte opositor do sábado, apresenta este argumento: No contexto da vigência da Lei os judeus viviam debaixo da sombra dos bens futuros (cf. Hb.10:1). Ao consumar no Calvário a obra objetiva da Redenção, Jesus Cristo, Luz do mundo, extinguiu todas as sombras e nele se consumaram todas as figuras. Extintas as sombras e consumadas as figuras, o sábado também caducou porque das sombras e figuras fazia parte (...). Apesar de todas essas instituições e estatutos serem no Antigo Testamento PARA SEMPRE (perpétuas), caducaram quando da Morte de Jesus Cristo. Nenhuma delas se encontram no Cristianismo (...). Foram “perpétuas” no sentido de durarem por toda a vigência do Velho Testamento. O sábado semanal de igual maneira foi perpétuo com o significado de duração restrita à permanência do cerimonial judaico... SINAL do Concerto entre Deus e Israel, o sábado se restringiu às gerações israelitas sem implicar os gentios. [1]

Por sua vez, Champlin comenta o seguinte: Não há registro de que o sábado era observado na época patriarcal, embora o início “teológico” esteja relacionado à criação divina de todas as coisas e ao descanso de Deus de seu trabalho (Gn. 2:2) (...) Na teologia hebraica, esse dia sagrado comemorava a criação original e a redenção de Israel do Egito (Gn. 2:2; Êx. 20:8,11; Dt. 5:15) (...). Embora haja teorias diversas quanto às origens (...) parece que essa era uma instituição exclusiva aos hebreus antes de a idéia propagar-se a outros povos.[2]

Por esses argumentos, vemos o quanto os conceitos de certo e errado são subjetivos em nossa época; percebemos o quanto as respostas dos homens procuram satisfazer os interesses de cada questionador. Porém, quando nos colocamos diante da palavra de Deus, a ela devemos nos curvar, perguntando: Pode Deus, porventura, errar? Podem Seus preceitos morais, éticos e espirituais terem sido dados para esse e não para aquele povo?

II – A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Na Bíblia sagrada, o sábado é o sétimo dia da semana, santificado ao Senhor Deus e dado por ele a seus filhos como prova de obediência: ele é declarado dia abençoado, dia de repouso e dia santificado; essas qualidades foram eternizadas pelo ato de Deus de descansar nesse dia depois de haver criado todas as coisas: E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Gn 1:31; 2:2-3). Os demais seis dias da semana, e toda criação, eram, também, bons. A nenhum deles, porém, Deus atribuiu o qualificativo de santidade, uma das qualidades essenciais da Divindade, como fez com o sétimo dia, chamando-o de “santo” ontem, hoje e sempre (Gn 2:2-3; Êx 16:23, 31:14).

O sábado não surgiu com o povo judeu, mas com o primeiro homem e continuará existindo enquanto, sobre a terra, houver algum ser humano. Assim disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem; e domine... Frutificai e multiplicai-vos (Gn 1:26-28). No poder que o homem recebeu para governar a terra, está incluso o respeito aos seus limites físicos, mentais e espirituais; por isso, ele deve governar considerando o dia de repouso, de descanso, para que possa oferecer a devida devoção a Deus. Adão e Eva foram as primeiras pessoas a quem Deus manifestou esses princípios de vida, esses valores que provêm de sua soberana vontade, e o casal foi transmitindo esse legado divino a seus descendentes (Gn 1:26-28). Nada se perdeu, pelo cuidado especial que Deus tem para com o fiel cumprimento de sua Palavra (Jr 1:12).

Bem antes do povo judeu, Abraão e todos os demais patriarcas bíblicos também guardaram os preceitos divinos, entre os quais a guarda do sábado está incluída: Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou os meus estatutos e as minhas leis... eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso (...) E também estabeleci o meu concerto com eles. (Gn 26:5; Êx 6:2-7) Se Deus apareceu a esses homens; se eles guardaram preceitos e mandamentos de Deus, será que não sabiam que deveriam observar a guarda do sétimo dia da semana, como fora dado e ensinado de início? Será que Deus havia se esquecido do que ele mesmo ordenara, ao criar o sétimo dia da semana? Evidentemente, não! Logo, o santo sábado sempre foi guardado com fidelidade, a partir da criação.

A contagem bíblica dos dias da semana é feita de um pôr-do-sol a outro pôr-do-sol, cuja determinação é do próprio Deus. Isto inviabiliza a suposta idéia segundo a qual o sábado, santo dia do Senhor, se perdeu ao longo dos anos. A determinação bíblica é esta: De uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado (Gn 1:5,13,23,31; Lv 23:32). Estes textos não se referem ao sábado cerimonial, mas ao santo sábado do Senhor, conhecido por seu povo desde os tempos antigos, porque foi feito por causa do homem (Mc 2:27).

Balbach transcreve um trecho do comentarista batista, Broadus, com o seguinte teor: Investigações recentes mostram que os babilônios, antes do tempo de Abraão, contavam uma semana de sete dias, que findava com um dia de descanso, que era estritamente observado, e que os escritos assírios designavam por sábado (...) O próprio termo lembra-te do sábado, para o santificar (Êx 20:8), parece tratá-lo não como uma coisa nova, mas uma instituição já existente; e parece da história da primeira queda do maná (Êx. 16:5,22-30) que o povo já estava relacionando com o sábado, e que alguns estavam dispostos a esquecê-lo ou negligenciá-lo[3]

Os israelitas conviveram com povos pagãos, como escravos, no Egito, durante um período de 430 anos (Êx 12:40-41; Gl 3:7). Deus, todavia, não se distanciou de seu povo, nem o povo se distanciou tanto assim de Deus, a ponto de se esquecerem dos preceitos divinos. Disse Deus: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor (Êx 3:7-8). Isso prova que havia comunhão do povo com Deus e de Deus com seu povo. Parte das perseguições movidas contra os israelitas era motivada pelo fato de se tratar do povo de Deus, que guardava e obedecia aos preceitos divinos, dos quais o sábado fazia parte. Deus libertou seus filhos em cumprimento as suas promessas; também porque estes lhes foram obedientes (Êx 24:7).

A saída dos israelitas do Egito marcou o início da formação desse povo, como nação independente. Deus passou a capacitar essa nação com um sistema de leis, regras e padrões, visando organizá-la para que sua vida social, política e espiritual funcionasse de forma equilibrada. Ao pé do Monte Sinai, Deus procedeu à entrega dos Dez Mandamentos, únicos escritos de seu próprio punho, como prova de eternidade daquilo que já havia ensinado aos patriarcas. Na ordem seqüencial dessas Dez Palavras, o sábado aparece em quarto lugar, interligando deveres entre Deus e o homem, não como mandamento novo, mas como lembrança daquilo que, há muito tempo, já era conhecido: Lembra-te do sábado para o santificar (Êx 20:8-11). Com essa solene descrição histórica do sábado, Deus quer que conheçamos e lembremos do sétimo dia da semana como o dia de descanso por ele santificado (Gn 2:2,3; Êx 20:1-17).

Em Nm 15:32-35, temos um exemplo doloroso resultante da desobediência à guarda sábado: Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. Os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés, e a Arão, e a toda a congregação. Meteram-no em guarda, porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. Até este ponto da narrativa, com nossa cabeça moderna, poderíamos achar que isso é radicalismo do povo de Israel. Veja, então, a seqüência do texto e quem é que define a questão: Então, disse o SENHOR a Moisés: Tal homem será morto; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. Levou-o, pois, toda a congregação para fora do arraial, e o apedrejaram; e ele morreu, como o SENHOR ordenara a Moisés. (Nm 15:36) E agora, você se atreve a chamar Deus de radical? Tem o estudante a audácia de afirmar que essa lei “é de Moisés”? A obediência à guarda do sábado era segurança de vida; os israelitas deveriam obedecer ao quarto mandamento por amor de suas almas (Jr 17:21 – cf. Ne 13:17-22).

O sábado não pertence ao conjunto de leis cerimoniais, dadas por Moisés, aos israelitas; integra os Dez Mandamentos da Lei Moral escrita pelo próprio Deus e dada aos israelitas, como evidência da aliança firmada, cujo objetivo central era conscientizá-los de que o Senhor é seu único Deus (Dt 6:4). Bacchiocchi, referindo ao maná colhido em dobro, na sexta-feira, comenta o seguinte: O sábado é apresentado em Êxodo 16 e 20 como uma instituição já existente (...) A falta de explicação sobre a necessidade de se recolher quantidade dupla no sexto dia seria incompreensível, se os israelitas não tivessem conhecimento prévio do sábado. Do mesmo modo, em Êxodo 20, o sábado aparece como algo familiar... Sem embargo, a essência do sábado não é um lugar onde se possa ir para cumprir alguns ritos, e sim um tempo para se dedicar a Deus, aos demais seres e a si mesmo.[4] O sábado é, pois, o dia santo, de reflexões e adoração a quem devemos prestar louvores e gratidão, por todas as coisas criadas.

Jesus Cristo sempre esteve junto ao Pai e participou de todos os atos da criação. São dele estas palavras: Eu e o Pai somos um... quem vê a mim, vê o Pai. (Jo 1:2,3, 10:30, 14:9) E disse também: O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado (Mc 2:27). Isto evidencia que, desde o início da criação, o homem necessita do sábado para satisfazer suas necessidades físicas e espirituais e demonstrar sua obediência a Deus. Se o sábado fosse dado apenas ao judeu, por que Jesus se referiu, de forma tão genérica, ao homem e não ao judeu, especificamente? Por que João e Paulo fizeram estas afirmações: ... a salvação vem dos judeus... que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas? (Jo 4:22; Rm 9:4)

Por que nos esforçamos para conseguir a salvação que vem dos judeus e rejeitamos guardar o sábado como mandamento do Senhor, se o sábado e a salvação procedem igualmente de uma mesma fonte? O texto de Êxodo 31:16, portanto, onde está declarado que o sábado deve ser obedecido por aliança eterna nas suas gerações, não é um mandamento restrito ao povo judeu como nação, mas a todos os salvos de todas as nações, visto que a base da nossa salvação vem de Israel; o nosso Salvador é da tribo de Judá (Hb 7:14) e o Novo Testamento nos chama de o Israel de Deus (Gl 6:16).

É evidente que Deus fez com seu povo uma nova aliança, a da cruz, cuja base é o sangue de Cristo; porém, o próprio Senhor da Cruz foi obediente aos mandamentos do Pai, entre eles a guarda do sábado, sem aboli-lo (Mt 5:17). Isso é comprovado pela luta que Cristo teve com os judeus para restaurar o verdadeiro sentido do dia sagrado que havia sido transformado num fardo insuportável (Mc 2:23-28; Jo 5:16-18). Logo, para nós, cristãos, as leis morais e espirituais dadas por Deus, no Antigo Testamento, e que foram validadas no Novo Testamento, permanecem como o concerto eterno feito entre Deus e o homem, a ser obedecido por todos os homens até o último dia de vida na terra, quando terá início o sábado eterno ou o descanso eterno (Hb 4:8-11; Ex 16:17). O sábado, então, deverá ser guardado, como foi instituído por Deus, quer por judeu, quer por gentio; quer por israelita, quer por grego, como dia de santas convocações (Lv 23:2).

No dia de sábado, paremos com nossos trabalhos seculares; nesse dia santo, nossas palavras e atividades devem ser substituídas pela oração, pela leitura da palavra de Deus, pela freqüência à casa do Senhor (Sl 42:4), pelos cânticos de adoração, pelos louvores; pelo atendimento à obra de Deus e pelo bem-estar espiritual de nossos semelhantes. Vivamos a fé cristã com essas qualidades, certos de que todo cristão sincero é israelita ou judeu no seu interior, pois, pela fé que nos vem de Jesus Cristo, Não é judeu o que o é exteriormente (...) mas é judeu o que o é no [seu] interior (...) porque primeiramente as palavras de Deus lhes foram confiadas (Rm 2:28,29, 3:2). CONCLUSÃO: Amado irmão em Cristo, Deus não faz distinção de pessoa, de povo ou nação que a ele se achegue. A todos, Deus recebe de braços abertos, como bom Pai. É neste mesmo sentido que suas maravilhosas leis são dadas a todos. Assim é que o sábado não foi dado apenas para o judeu, que guardava os preceitos do Senhor, mas a todos, povos e nações formadas por pessoas salvas por seu Filho Jesus Cristo.

O mal dos judeus foi que eles criaram, para si próprios, princípios que Deus não aprova, e se voltaram para as coisas perecíveis. Por último, rejeitaram ao Senhor da glória, sem o qual ninguém se salva. Em Oséias 4:6, lê-se: O meu povo foi destruído porque lhe faltou conhecimento. Para que você não se perca, amado irmão, busque sempre em Deus o conhecimento de sua Palavra para que você seja um servo obediente.

QUESTIONÁRIO:

1) Como base no primeiro comentário, explique os três argumentos utilizados pelos defensores da extinção da guarda do sábado no sétimo dia da semana.

2) Como base no primeiro comentário, como os defensores da extinção da guarda do sábado no sétimo dia da semana interpretam Êx 31:16.

3) Diferentemente dos demais dias da semana, quais as qualificações que Deus deu ao sétimo dia? (Gn 2:2-3; Êx 16:23, 31:14)

4) Com base em Jo 4:22; Rm 9:4, explique a seguinte sentença: Por que nos esforçamos para conseguir a salvação que vem dos judeus e rejeitamos guardar o sábado como mandamento do Senhor, se o sábado e a salvação procedem igualmente de uma mesma fonte?!

5) Agora, explique a interpretação correta de Êx 31:16.

6) Da interpretação correta e da interpretação incorreta, que lições você tira para a sua vida espiritual?

________________________________________

[1] REIS, Aníbal P. A Guarda do Sábado, p. 48 e 63. (COMPLETAR REFÊNCIA)

[2] CHAMPLIN, R. N. Ph.D., em seu Dicionário, pp. 5l93. (COMPLETAR REFERÊNCIA)

[3] Alfons Balbach, Conhecereis a Verdade, p. 89 e 90.

[4] Samuele Bacchiocchi, Reposo Divino Para la Inquietud Humana, p.38.

Lição 12 - Faz diferença que dia é guardado como sábado?

ROMANOS 14:5
Esse texto afirma que não faz diferença que dia é guardado como sábado?


Autor: Pastor Adelmilson Júlio Pereira
Lição Bíblica 273, sábado, 17 de dezembro de 2005

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Lição 13 - A ressurreição de Cristo alterou o dia de descanço do sábado para o domingo?

MARCOS 16: 9
Este texto ensina que a ressurreição de Cristo alterou o dia de descanço do sábado para o domingo?


Autor: Pastor Genésio Mendes
Lição Bíblica 273, sábado, 24 de dezembro de 2005

OBJETIVO: Levar o estudante da Palavra a compreender que o texto de Mc 16:9 não autoriza os cristãos a mudarem o dia de descanso, o sétimo dia, para o primeiro dia da semana, o domingo.

TEXTO BÁSICO: Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios. (Mc 16:9)

INTRODUÇÃO: Desde a lição de número 6, temos visto como alguns intérpretes, no desejo de afirmarem que a salvação é pela maravilhosa graça de Deus, desnecessariamente tentam desqualificar a lei de Deus, e, para concretizarem esse intento, na maioria das vezes, isolam os textos de seus contextos, aplicando regras hermenêuticas que lhes sejam convenientes, a fim de obterem o resultado que mais lhes agrada. Nessa postura, encontramos comentaristas bíblicos usando Marcos 16:9 para provar que a ressurreição de Jesus ocorreu no primeiro dia da semana, e, com isso, ter um pretexto para justificar seu desvio histórico sobre o dia determinado para a guarda do quarto mandamento da Lei de Deus. Porém, quando interpretarmos Marcos 16:9, dentro do seu contexto, inevitavelmente, descobrimos que o Senhor Jesus não ressuscitou no primeiro dia da semana.

II - A INTERPRETAÇÃO ERRADA

Quando lemos as explicações teológicas dos defensores da mudança do dia de descanso, percebemos o quanto eles forçam o texto sagrado até que obtenham um sentido que não corresponde ao que foi inspirado pelo Espírito Santo, o autor da Bíblia. O texto que ora estudamos é um exemplo: afirma-se que o Senhor Jesus Cristo ressuscitou na manhã de domingo com a clara intenção de respaldar a guarda desse dia como o dia do Senhor ou o novo dia de descanso para os cristãos. O teólogo Champlin, por exemplo, tentando explicar esse texto, faz o seguinte comentário sobre o versículo 2: Alguns supõem que isso ocorrera no sábado, mas a observação do “domingo” pela igreja primitiva, como o novo dia de guarda, quase certamente mostra que criam que o domingo fora, realmente, o dia da ressurreição.[1] Observe os termos que Champlin utiliza para explicar questões tão sérias: “supõem”, “quase certamente” e “criam”. Em vez de apresentar argumentos bíblicos objetivos, normativos, ele trabalha com suposições. Por sua vez, o teólogo Isaltino G. C. Filho, para provar que Cristo ressuscitou no domingo, usou como recurso a reunião de cristãos primitivos nesse dia, dizendo: “A Igreja reunia-se no domingo, é uma pista bem clara a deduzir daqui.”[2] A exemplo do texto de Champlin, os termos usados aqui são “pista” e “deduzir”. Isaltino não apresenta nenhuma prova bíblica normativa, concreta, mas, sim, agarra-se a pistas, deduções, textos descritivos e depoimentos históricos extrabíblicos. [3] Como podemos observar, o esforço empregado a favor do domingo como dia de descanso é quase sempre baseado em textos que se referem à ressurreição de Cristo, embora nenhum deles, exceto o de Mateus 28:1-6, declare o momento da ressurreição, e em textos que descrevem momentos em que os cristãos primitivos estavam reunidos. Portanto, afirmar que Jesus Cristo ressuscitou no domingo e usar isso para provar que esse dia é o dia de descanso para os cristãos demonstra, no mínimo, falta de respeito para com as regras de interpretação da Bíblia e de compromisso para com a verdade de Deus.

II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA

Antes de apresentarmos a interpretação correta, é importante conhecermos a história do texto que faz parte da conclusão do capítulo 16. A explicação preferida dos teólogos liberais para Marcos 16:9 envolve uma acirrada discussão sobre a veracidade de manuscritos, como vemos no exemplo a seguir: Os dois melhores e mais antigos manuscritos que conhecemos, o Vaticano (B) e o Sinaitico (representado às vezes por S, outras vezes pela letra hebraica alef) e os MS 304 omitem os versos 9- 20. A evidência do manuscrito 2386 é inconclusiva, pois, além de omitir os versos 9-20, o manuscrito não contém a última página (...). O resultado dos estudos críticos mais recentes, aceito pela maioria dos estudiosos, é que os versos 9-20 não foram escritos pelo mesmo autor do Evangelho, na seção que corresponde a Mar. 1.1-16.8, mas for[ am acrescentados, talvez nos meados do segundo século de nossa era.[4]

Champlin registra que: Quatro términos do evangelho segundo Marcos figuram nos manuscritos. Os últimos doze versículos do texto comumente recebido de Marcos se fazem ausentes nos mais antigos manuscritos gregos.[5] Assim, seguem muitos teólogos, afirmando que o trecho de Marcos 16:9-20 não foi escrito por Marcos. O que não pode ser negado, entretanto, é que Marcos 16:9-20 existe em mais de 1800 manuscritos. E, sobre esse trecho, a opinião do respeitado teólogo Fritz Rienecker é importante: Para a nossa vida de fé (...) os versículos 9-20 são palavras de Deus como todos os outros versículos da Escritura, pois estão em nosso NT. [6]

Agora, vamos à interpretação correta de Marcos 16:9. No original grego, o texto foi escrito assim:

A tradução Revista e Atualizada – RA – traduz esse texto desta forma: Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria madalena, da qual expelira sete demônios. A Edição Contemporânea, por sua vez, traduz o texto assim: Tendo Jesus ressurgido de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. Na Nova Tradução na linguagem de Hoje – NTLH –, o texto está traduzido desta maneira: Jesus ressuscitou no domingo bem cedo e apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios. Com base nessas traduções, Jesus teria ressuscitado no domingo pela manhã. Mas a questão é: Essas traduções expressam o que está dito no original grego? A resposta é: Não! No original, o início do versículo está escrito assim: A tradução literal é esta: Tendo-se levantado,
() porém, cedo em primeiro sábado ...). Perceba, estudante, que as traduções (dé), que equivale à conjunção adversativa tradicionais omitiram a conjunção é uma conjunção adversativa “porém” da língua portuguesa. No grego, o termo e também pode ser aditiva, dependendo da oração. Quando são adversativas, como neste caso, as conjunções têm como função, além de ligar duas sentenças (sentenças coordenadas), firmar uma divergência de sentido da segunda sentença em relação à primeira, ou seja, aquela se estabelece para ser uma negação desta, por meio da conjunção, que carrega o sentido de contrariedade e que, por isso, é chamada de adversativa. Ora, no texto bíblico em questão, a primeira sentença – Tendo-se levantado – apresenta um primeiro evento: a ressurreição de Jesus, sendo seguida da conjunção – porém – e da expressão adverbial de tempo – cedo em primeiro sábado –, que é uma informação acrescentada à segunda sentença – apareceu primeiro a Maria, a Madalena –, que apresenta um segundo evento: a aparição do Senhor.

O que precisamos entender, agora, é por que a expressão adverbial de tempo – cedo em primeiro do sábado – está para a segunda sentença e não para a primeira: A preferência do escritor por uma conjunção adversativa, entre ambas as sentenças, é definitiva para a interpretação correta deste texto, pois mostra que ambos os eventos estão em relação de oposição, quanto ao momento de sua ocorrência, sendo que a conjunção adversativa – porém – afeta especificamente a expressão temporal – cedo em primeiro do sábado – que se segue à primeira sentença – Tendo-se levantado. Isso deixa claro que o autor, ao invés estar afirmando que a ressurreição ocorrera em cedo em primeiro sábado, está, na verdade, negando isso e, ao mesmo tempo, afirmando que esse momento refere-se ao evento da aparição. Por essa razão, a expressão adverbial de tempo jamais poderia estar para a primeira sentença. Em outras palavras, na primeira parte de Marcos 16:9, está-se afirmando que Jesus ressuscitou, porém, estando ressurreto, no primeiro dia após o sábado, apareceu a Maria madalena. O “primeiro dia após o sábado”, portanto, refere-se ao seu aparecimento e não ao dia de sua ressurreição.

Com isso, concorda Champlin: Este versículo leva-nos a aparição a Maria Madalena, o que não é realmente mencionado nos evangelhos sinóticos, exceto agora, neste sumário.[7]

Também, o Novo Comentário da Bíblia diz que o Trecho contém quatro seções: a aparição a Maria Madalena (9-11); a aparição aos dois viajantes (12 e 13) a aparição aos onze (14-18), a ascensão e exaltação (19 e20).[8]

Em nenhuma dessas sessões o assunto é a ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana. Esses equívocos de traduções acontecem, em parte, porque a pontuação, nos textos da Bíblia, é atribuída ao arcebispo Langton, ainda no século XIII. Assim, quando o texto foi escrito originalmente, não continha nenhuma pontuação. Isso quer dizer que seu sentido deve ser sempre entendido pelo contexto. As traduções mais conhecidas colocam uma vírgula após as palavras “primeiro dia da semana”, e, por essa razão, dão a entender, erroneamente, que foi nesse dia que Jesus ressuscitou. Em outra parte, percebe-se a má fé de pessoas que conhecem as regras de interpretação das Escrituras, mas que preferem ignorá-las, quando lhes convém.

Por outro lado, o Novo Testamento Interlinear apresenta a tradução correta: Tendo-se levantado, porém, cedo em primeiro do sábado, apareceu primeiramente a Maria, a Madalena, de quem havia lançado fora sete demônios.

A Nova Versão Internacional omite o porém, mas tem o mérito de colocar a vírgula no lugar certo, respeitando o sentido correto do texto original: Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena. Essas versões honestas estão em total harmonia com o contexto imediato de Marcos 16, em que os versículos 1,2,5,6, informam que, no domingo, pela manhã, quando as mulheres foram ao sepulcro, bem cedo, o anjo lhes comunicou que Jesus já havia ressuscitado: Depois que terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, a mãe de Tiago, compraram perfumes para perfumar o corpo de Jesus. No domingo, bem cedo, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo. Então elas entraram no túmulo e viram um moço vestido de branco sentado no lado direito. Elas ficaram muito assustadas, mas ele disse: —Não se assustem! Sei que vocês estão procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado; mas ele não está aqui, pois já foi ressuscitado. Vejam o lugar onde ele foi posto. (NTLH)

Essa interpretação correta está totalmente alinhada com as narrativas dos demais evangelistas, Mateus e Lucas (Mt 28:1-6; Lc 24:1-10), e com a narrativa mais detalhada de João (20:1-18), que tem a seguinte seqüência: No v.1, Cristo se apresenta a Maria Madalena no sepulcro, bem cedo; no v. 2 é dito que ela correu e foi avisar os discípulos; nos vv. 3-9, Pedro e João vão, imediatamente, ao sepulcro e confirmam a notícia, mas não vêem a Cristo; por isso, o v. 10 diz: Os discípulos voltaram para casa. Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro chorando. Ela ficou ali sozinha, até que Jesus Cristo se apresentou a ela (vv. 11-17). Foi, exatamente, a esse encontro que Marcos se referiu, em 16:9. Como Pedro e João só viram o túmulo vazio, Maria Madalena, agora já tendo se encontrando pessoalmente com o Salvador, foi outra vez aos discípulos e lhes disse: Eu vi o Senhor; e contou-lhes o que ele lhe dissera (Jo 20:18). Esta é, amado estudante, a verdadeira interpretação de Marcos 16:9: Jesus ressuscitou, conforme Mateus 28:1-6, ao pôr-do-sol de sábado, e, quando Maria Madalena foi ao sepulcro, na manhã do primeiro dia, lá foi Jesus e se apresentou a ela. Não temos, com esse texto, nenhuma prova de que Jesus ressuscitou no domingo de manhã, e muito menos de que o domingo seja o dia de repouso dos cristãos.

CONCLUSÃO: Vivemos um momento delicado no mundo cristão, em que muitas teologias têm aparecido para enganar os filhos de Deus. O perigo é tão grande que o próprio Jesus avisou que, se possível, os eleitos seriam enganados (Mt 24:24). Diante dessa avalanche de heresias e enganos, precisamos nos firmar em Cristo, através do conhecimento perfeito de sua Palavra. Essa luz nos dará condições para nos livrarmos das trevas espirituais que cobrem os corações enganadores e enganados. A verdade é essa luz que ilumina o caminho da vida (Pv 6:23). Por essa razão, reafirmamos nossa atitude de não alterarmos os fundamentos da lei de Deus, porque é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom (Rm 7:12). Na Lei, nos dez mandamentos, o dia de descanso não é o domingo, mas, sim, o sétimo dia da semana. Não se trata de um decreto humano, mas divino: A parte legal consiste dos dez mandamentos que formam a lei fundamental da teocracia e dos estatutos que nele se baseiam.[9] O doador dos dez mandamentos é Deus. Moisés é apenas o transmissor ao povo. Não o seu autor. Este é Deus.”[10]

QUESTIONÁRIO:

Como os defensores da extinção da guarda do sábado no sétimo dia da semana interpretam Mc 16:9?

Com base no segundo comentário, qual é a tradução correta de Mc 16:9, do grego para o português?

Com base na tradução correta, faça a conexão de Mc 16:9 com o seu contexto (Mc 16:1-2,5-6) e responda: Jesus ressuscitou no domingo pela manhã?

Agora, explique a interpretação correta de Mc 16:9.

Em que sentido Jo 20:1-18 confirma a interpretação correta de Mc 16:9?

Da interpretação correta e da interpretação incorreta, que lições você tira para a sua vida espiritual?

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[1] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Milenium Distribuidora Cultural Ltda., 1983, 4a Impressão Vol. I, p. 799.

[2] FILHO, Isaltino G. Coelho. A Atualidade dos Dez Mandamentos, São Paulo: Exodus, 1997, p.61

[3] Idem, pp. 53-66

[4] Estudos Introdutórios nos Evangelhos Sinóticos, p.p. 214-216. (FALTA RESTANTE DA REFERÊNCIA)

[5] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Milenium, Vol. I, p. 801.

[6] POHL, Adolf. Evangelho de Marcos – Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1998, pp. 460.

[7] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol. I, Milenium, p. 802.

[8] Novo Comentário da Bíblia, Vol. 2, p.1025. (COMPLETAR REFÊNCIA)

[9] John D. Daves, Dicionário da Bíblia, p. 256

[10] Atualidade dos Dez Mandamentos, p. 30 (COMPLETAR REFERÊNCIA)
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