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terça-feira, 14 de julho de 2009
Lição 1 - Jesus aboliu a abstinência de alimentos impuros?
MARCOS 7:15
Este texto prova que a abstinência de
alimentos foi abolida por Jesus?
Autor: Pastor Valdeci Nunes de Oliveira
Lição Bíblica 273, sábado, 01 de outubro de 2005
Leitura: Mc 7:1-5,18-23
OBJETIVO: Levar o estudante a compreender a interpretação correta de Mc 7:1-5,18-23, e a aplicar essa verdade em sua vida.
TEXTO BÁSICO: Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina. (Mc 7:15)
INTRODUÇÃO: O texto bíblico que serve de tema para a presente lição – assim como tantos outros que serão analisados posteriormente – tem sido usado por muitas pessoas como parte de seus argumentos contra a separação dos alimentos, como se essa fosse a sua verdadeira interpretação. Mas este texto prova que a abstinência de alimentos foi abolida por Jesus? Responder a esta pergunta é o que pretendemos fazer, através deste estudo. Esperamos contar com a atenção e o interesse do leitor.
A exposição que faremos do texto de Mc 7:1-5,18-23 tem como propósito mostrar o significado que o texto parece ter, para algumas pessoas, e o significado que ele, de fato, tem. A última palavra sobre esta questão caberá à Bíblia Sagrada, a palavra de Deus.
I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA DO TEXTO
Com base numa interpretação distorcida desse texto, muitas pessoas, inclusive crentes, entendem que podem comer e beber de tudo, e de maneira indiscriminada, usando como justificativa as palavras de Jesus: Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina, como se, com estas palavras, Jesus as tivesse autorizado a agir assim. Considerado ao pé da letra, esse texto parece permitir o uso irrestrito dos alimentos, principalmente se levarmos em conta o que consta do versículo 19, onde lemos: E assim, considerou ele puros todos os alimentos. Esta é, por exemplo, a opinião de Keener: Entende-se que se as palavras de Jesus forem tomadas literalmente, elas declaram que a drástica distinção puro/imundo, enfatizada pela lei, possui apenas valor simbólico. Porque tal distinção se constituía em uma das principais barreiras entre os judeus e os gentios (Ver Rm 14), esta declaração de Jesus abre caminho para uma reconciliação racial e cultural à uma mesma comunhão”[1]
II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA DO TEXTO
Como estudantes das Escrituras, reconhecemos que alguns textos, por si sós, se explicam; outros, porém, só podem ser explicados com o auxílio do contexto. Qualquer estudioso das Escrituras Sagradas tem o dever de saber dessas coisas. O texto em epígrafe, por exemplo, não pode ser interpretado sem o concurso do contexto, conforme definido na apresentação desta série de estudos. O contexto quase sempre envolve as partes anterior e posterior ao texto. Com isto, estamos procurando deixar claro que, se cada parte de um texto está relacionada às demais, nenhuma delas poderá ser explicada separadamente. O exame do contexto leva-nos à conclusão de que o assunto em torno do qual a discussão se desenvolve é comer sem lavar as mãos. Neste caso, em particular, não nos é necessário fazer nenhuma análise especial para percebermos isso. O lavar as mãos “muitas vezes”, antes das refeições, era um costume que os judeus religiosos haviam recebido dos seus antepassados. Entretanto, esse procedimento, embora saudável, não passava de uma simples tradição. Na situação que estamos analisando, os discípulos foram censurados, não por violarem qualquer dos mandamentos de Deus, mas por violarem esta tradição dos antigos, que impunha, aos que se aproximavam da mesa, a obrigação de lavarem as mãos muitas vezes, antes de fazerem suas refeições, como se as impurezas das mãos pudessem contaminá-los espiritualmente. De sua parte, o apóstolo Paulo deu testemunho desse zelo de seus compatriotas, embora reconhecesse que, em muitos casos, a medida do zelo era maior que a do entendimento (Rm 10:1-2).
Movidos pelo zelo e pela lealdade às suas tradições, escribas e fariseus faltavam com o entendimento em duas coisas: 1a) Colocavam suas tradições em pé de igualdade com a palavra de Deus; 2a) consideravam que a contaminação do corpo afetava o estado espiritual do homem. Pensando assim, julgaram a atitude dos discípulos não somente anti-higiênica, mas, também, irreverente e pecaminosa. Jesus, porém, mostrou que as tradições humanas não podem ser equiparadas ao mandamento de Deus, pois representam a planta que o Pai celestial não plantou (Mt 15:13); deixou claro, também, que qualquer impureza que, eventualmente, possa infiltrar-se no corpo, como resultado do comer sem lavar as mãos, não pode contaminar espiritualmente o homem.
É evidente que os bons hábitos de higiene produzem bons efeitos para o corpo, pois podem preveni-lo de doenças e preservar-lhe a saúde. Porém, a não-observação de um hábito, como o de lavar as mãos várias vezes, antes das refeições, pode ser nocivo à saúde do corpo, mas em nada afeta a condição espiritual do infrator. Não são as eventuais impurezas introduzidas no organismo por mãos não-lavadas que contaminam uma pessoa, mas o que de mau existe em seu coração, exteriorizado e transformado em palavras e atos de impureza moral, como os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mc 7:20-23).
A parte final do versículo 19 do capítulo 7 de Marcos, é talvez, a arma mais usada pelos que defendem o uso indiscriminado dos alimentos, por afirmar: E assim considerou ele (Jesus) puros todos os alimentos. Cientes de que estas palavras merecem uma maior atenção, sugerimos ao leitor que analise conosco os esforços já feitos pelos estudiosos na busca de uma explicação coerente para o texto. O conhecido intérprete das Escrituras R. N. Champlin, ao comentá-lo, afirma: “... alguns eruditos supõem que a ‘declaração’ não é realmente de Jesus, mas foi posta em sua boca pela igreja”. Em seguida, levanta a questão: “Por ventura Jesus teria ido ao ponto de ab-rogar virtualmente às leis levíticas no tocante a alimentos puros e impuros, além de coisas similares?” Ele admite que, por ter sentido parabólico, esta “consideração” sugere um sentido que, no seu entender, “permanece incerto”.[2]
Champlin não está entre os que reconhecem a vigência da lei que separa os alimentos; porém, usa de sinceridade ao fazer menção a “alguns eruditos que supõem que ‘a declaração’ [assim considerou ele puros todos os alimentos] não é realmente de Jesus”, pois corrobora com ele o fato de que algumas traduções simplesmente omitem esta parte final do versículo 19. Entre estas, podemos citar a tradução, em português, feita pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo. Ali, a tradução é feita assim: Porque isso não lhe entra no coração, mas vai ter ao ventre, e depois lança-se num lugar escuso, levando consigo todas as fezes do alimento (Esta tradução não contém a declaração de que Jesus “considerou puros todos os alimentos”). [3] O teor do versículo 19, na tradução citada, sugere que, do intestino, o que foi processado, é, depois, lançado fora, pelo organismo, com as eventuais impurezas introduzidas nele, em conseqüência do “comer sem lavar as mãos”. No dizer de Jesus, os alimentos declarados puros, pela lei, ainda que usados sem as repetidas lavagens de mãos, continuavam sendo puros e nenhum mal poderiam causar àqueles que deles comessem. Não é isto que acontece, quando, por desconhecimento, o crente ingere algo que possa representar um risco para a sua saúde? Sim! É o próprio Cristo quem afirma essa verdade: E se beberem alguma coisa mortífera não lhes fará dano algum (Mc 16:18).
O renomado teólogo batista, Russel Shedd, editor da Bíblia Vida Nova, tem opinião semelhante à de Champlin, no que se refere ao significado de Mc 7:19, pois, ao comentá-lo, em nota de rodapé, afirma: “Parece ser um comentário da parte de Marcos, que revela o que Pedro aprendeu (At 10:15) sobre a desobrigação dos cristãos de guardarem as leis sobre comidas puras e impuras (cf. Lv 11; Dt 14)”.
Entretanto, como defensores da veracidade e da autenticidade da Escritura, somos contrários à utilização de qualquer recurso exegético ou hermenêutico que tenha como finalidade negar a autoridade dela, sob a alegação de que esta ou aquela parte não é autêntica, como Shedd deixa implícito. Tal procedimento abre um precedente perigoso, pois pode levar o estudante a questionar a autenticidade de outras partes da mesma Escritura.
Na busca de explicação para o texto em apreço, há outros argumentos dos quais podemos fazer uso, sem que nos seja necessário contrariar o ensinamento bíblico. Antes, porém, de recorrermos a esses argumentos, chamamos o estudante à atenção para as seguintes considerações:
1a) O enunciado constante do final do versículo que estamos apreciando é tido como de difícil explicação, porque, aparentemente, desobriga os cristãos da obediência à lei que faz distinção entre os alimentos. Há, porém, como neste caso, vários outros ditos de Jesus (assim chamados, por não apresentarem sentido claro à primeira vista), que têm desafiado a criatividade e a capacidade dos estudiosos, durante muito tempo, e Mc 7:19 é um deles.
2a) Não há, em nenhuma outra parte das Escrituras, tanto no Antigo quanto do Novo Testamento, um outro texto em que possamos ler que o crente está desobrigado da obediência à lei de separação dos alimentos. E isto nos induz à convicção de que o texto em apreço (Mc 7:19) tem um significado diferente daquele que, à primeira vista, parece ter, pois prevalece o conceito segundo o qual nenhuma doutrina bíblica poderá ser estabelecida ou anulada com base em um único versículo.
3a) A lei que trata do limpo e do imundo, tal como encontramos em Lv 11, foi, depois, repetida em Dt 14. Há, ainda, muitas alusões que lhe são feitas, em, praticamente, todo o restante das Escrituras (cf. Nm 5:2, 9:10; Dt 12:15,22; II Cr 23:19; Is 66:17; Ez 44:23; Ag 2:14; Ml 1:7; Mt 12:43; Mc 1:23; Lc 4:33, 11:24; At 10:14,15,28; II Co 6:17, 7:1; Ap 18:2, 22:11). Ora, Jesus conhecia muito bem a lei que fazia distinção entre os alimentos. Por que, então, fez tal declaração?
4a) Alguns dos ensinamentos ministrados por Jesus tinham caráter genérico, isto é, eram destinados a todas as pessoas, em situações diversas; outros, eram específicos, ou seja, eram destinados a algumas pessoas apenas, em situações especiais (Mc 4:4:11,34; Lc 8:10).
Shedd chega a aventar a idéia de que a conclusão de Marcos – E assim considerou ele puros todos os alimentos – é resultado da influência que Pedro exercera sobre ele, uma vez que este, depois da visão descrita em At 10:11-13, deixara de ser abstinente. E muitos outros especialistas em Novo Testamento concordam que Pedro, de fato, exercera influência sobre Marcos. Porém, o pressuposto de que Pedro deixara de ser abstinente, a partir da visão descrita em At 10, está em total desacordo com as declarações do próprio apóstolo, conforme At 10:14 e 28, em que ele afirma nunca ter comido coisa alguma comum e imunda, acrescentando, ainda, que, através daquela visão, Deus lhe havia mostrado que havia purificado homens e não animais, como verificaremos na próxima lição.
Se, porém, a explicação de Mc 7:19 dada por Shedd é incorreta, qual a correta? A explicação pode ser encontrada com a análise de duas palavras importantes e presentes naquela sentença: “puros” e “comidas”. Vamos começar pela palavra “puros”. Quando recorrem ao texto grego, os estudiosos contrários à validade da distinção feita por Deus, em Lv 11 e Dt 14, afirmam que a maior prova de que, para o Senhor, todas as carnes são puras é o verbo grego katharizo – que significa: limpar, lavar, purificar –, o mesmo usado pelo escritor do evangelho para retratar a purificação do leproso efetuada por Jesus (Mc 1:40-42). Outros escritores do Novo Testamento utilizam também katharizo para descrever o poder do sangue de Jesus para purificar pecados (At 10:15; Tt 2:14; Hb 9:14; I Jo 1:7,9).
Todavia, ignoram outra palavra igualmente importante: “alimentos” (RA) ou “comidas” (RC), que foi traduzida do grego broma (Mt 14:15; Lc 3:11; Rm 14:15; I Co 6:13; I Tm 4:3; Hb 9:10). Outra palavra sinônima usada para fazer referência a alimentos/comidas, no grego, é brosis (Jo 4:32, 6:27; Rm 14:17; I Co 8:4; II Co 9:10; Hb 12:16). Jesus chegou a utilizar as duas, no pequeno diálogo que teve com os seus discípulos sobre comida (Jo 4:32) – brosis (Jo 4:34) e broma. A palavra, portanto, traduzida por alimentos/comidas, que aparece no texto grego de Mc 7:19, é broma e não kreas, termo que significa “carnes”, usada em Rm 14:21 e I Co 8:13.
Um judeu jamais usaria esses dois termos gregos – brosis e broma – para se referir a carnes que não fossem adequadas para o consumo humano. A Bíblia que Jesus lia, o Antigo Testamento, não tinha como alimento qualquer das carnes proibidas em Lv 11 e Dt 14. Portanto, com certeza, Jesus jamais defenderia o uso de alimentos que não fossem permitidos pela referida lei. Se, apesar disso, o leitor acha que há, em Mc 7:19, alguma incoerência da parte de Jesus, sugerimos que acompanhe o nosso raciocínio nos dois exemplos que se seguem. O primeiro deles diz respeito ao episódio da multiplicação dos pães de cevada e dos dois peixinhos, descrito em Jo 6:5-12. Ao final daquela refeição, o Senhor disse: Recolhei os pedaços que sobejaram para que nada se perca. Aqui, há um princípio espiritual prático: Jesus é contrário ao desperdício de alimento.
Paradoxalmente, porém, nós o vemos permitir a uma legião de demônios que entre numa manada de dois mil porcos, o que resultou na morte de todos eles (Mc 5:1-13). Se considerarmos que eram 2.000 porcos e que cada porco pesava, em média, 30 kg, então temos: 2.000 x 30 =60.000 kg de carne. Como poderia o mesmo Jesus que, em outra situação, dera a seus discípulos uma lição de economia não se importar com tamanho desperdício? Temos dúvidas sobre se Jesus usaria o mesmo procedimento se, ao invés de uma manada de porcos, fosse um rebanho de ovelhas; porque as ovelhas poderiam ser usadas como alimento; os porcos, não. Para os observadores da tradição, o comer sem lavar as mãos tinha o poder de contaminar espiritualmente até mesmo as carnes que Deus havia declarado puras, em Lv 11 e Dt 14. A tradição era, para eles, tão forte que tinha o poder de tornar impuro o que Deus havia declarado puro. Jesus acertou, quando disse, no contexto, que, por causa das tradições, esses “teólogos judaicos” estavam invalidando a palavra de Deus. “Mandamentos humanos” eram, espiritualmente, mais poderosos e influentes que “mandamentos divinos”. Eles estavam indo além do que as Escrituras diziam, asseverando novas idéias sobre pureza e impureza dos alimentos – questão que já estava claramente determinada pelo Senhor, em Lv 11 e Dt 14. Eles não estavam ensinando segundo as Escrituras.
O rigor com que encaravam essas tradições levava muitas pessoas humildes a se sentirem espiritualmente imundas ou impuras, quando comiam sem atenderem as regras de purificação preconizadas por essas tradições. É possível imaginarmos o alívio que essas pessoas sentiram, ao ouvirem de Jesus que os alimentos de uso permitido pela lei continuam sendo limpos, mesmo quando usados sem o ritual do “lavar as mãos muitas vezes”.
A lição que aprendemos é a seguinte: Não devemos impor aos fiéis proibição alguma que já não esteja prevista nas Escrituras; do mesmo modo, não temos o direito de liberar o que elas proíbem.
CONCLUSÃO
Pelo que ficou demonstrado nesta lição, o texto de Mc 7:15 não prova que Jesus aboliu a abstinência de alimentos. Aqueles que o citam, para justificar o uso indiscriminado dos alimentos, fazem-no fundamentados numa falsa interpretação dele. O texto, que serviu de tema para este estudo não se propõe a discutir a questão alimentar, mas se propõe a esclarecer se comer sem lavar as mãos pode ou não contaminar espiritualmente o homem. E Jesus deixou claro que o homem é contaminado pelos maus desígnios que saem do seu coração, como a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Estas são as coisas que, entrando no homem, podem contaminá-lo, não o comer com as mãos por lavar, desde que o alimento usado, com mão lavadas ou não, sejam declarados puros pela lei.
QUESTIONÁRIO
1) No comentário anterior, dissemos que há textos bíblicos que só podem ser explicados com o auxílio do contexto. Leia o referido comentário e responda: O que é contexto?
2) Leia Mc 7:1-2 e responda: A que conclusão chegaram escribas e fariseus, ao observarem o comportamento dos discípulos, enquanto estes comiam?
3) Leia Mc 7:3-4 e responda: No seu zelo com a saúde do corpo, até que ponto chegaram escribas, fariseus e todos os judeus, para não se contaminarem?
4) Leia Mc 7:6-8 e responda: Lembrando as palavras de um profeta do Antigo Testamento, que disse Jesus aos reprovadores?
5) Leia Mc 7:14-15 e responda: Qual foi a resposta final de Jesus, na discussão sobre o “comer sem lavar as mãos?”
6) Leia Mc 7:18-19 e responda: Que explicação podemos dar às palavras de Jesus e por quê?
7) Leia os Mc 7:20-23 e responda: De acordo com o ensinamento de Jesus, que coisas podem contaminar o homem?
________________________________________
[1] KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos Ltda , 2004, p. 160.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Milenium Distribuidora Cultural Ltda., 1983, Vol. I, 4a Impressão, p. 719.
[3] Bíblia Sagrada. Traduzida em português segundo a Vulgata Latina, pelo Padre Antonio Pereira de Figueiredo. Londres, Lisboa e Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, edição de 1940.
Este texto prova que a abstinência de
alimentos foi abolida por Jesus?
Autor: Pastor Valdeci Nunes de Oliveira
Lição Bíblica 273, sábado, 01 de outubro de 2005
Leitura: Mc 7:1-5,18-23
OBJETIVO: Levar o estudante a compreender a interpretação correta de Mc 7:1-5,18-23, e a aplicar essa verdade em sua vida.
TEXTO BÁSICO: Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina. (Mc 7:15)
INTRODUÇÃO: O texto bíblico que serve de tema para a presente lição – assim como tantos outros que serão analisados posteriormente – tem sido usado por muitas pessoas como parte de seus argumentos contra a separação dos alimentos, como se essa fosse a sua verdadeira interpretação. Mas este texto prova que a abstinência de alimentos foi abolida por Jesus? Responder a esta pergunta é o que pretendemos fazer, através deste estudo. Esperamos contar com a atenção e o interesse do leitor.
A exposição que faremos do texto de Mc 7:1-5,18-23 tem como propósito mostrar o significado que o texto parece ter, para algumas pessoas, e o significado que ele, de fato, tem. A última palavra sobre esta questão caberá à Bíblia Sagrada, a palavra de Deus.
I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA DO TEXTO
Com base numa interpretação distorcida desse texto, muitas pessoas, inclusive crentes, entendem que podem comer e beber de tudo, e de maneira indiscriminada, usando como justificativa as palavras de Jesus: Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina, como se, com estas palavras, Jesus as tivesse autorizado a agir assim. Considerado ao pé da letra, esse texto parece permitir o uso irrestrito dos alimentos, principalmente se levarmos em conta o que consta do versículo 19, onde lemos: E assim, considerou ele puros todos os alimentos. Esta é, por exemplo, a opinião de Keener: Entende-se que se as palavras de Jesus forem tomadas literalmente, elas declaram que a drástica distinção puro/imundo, enfatizada pela lei, possui apenas valor simbólico. Porque tal distinção se constituía em uma das principais barreiras entre os judeus e os gentios (Ver Rm 14), esta declaração de Jesus abre caminho para uma reconciliação racial e cultural à uma mesma comunhão”[1]
II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA DO TEXTO
Como estudantes das Escrituras, reconhecemos que alguns textos, por si sós, se explicam; outros, porém, só podem ser explicados com o auxílio do contexto. Qualquer estudioso das Escrituras Sagradas tem o dever de saber dessas coisas. O texto em epígrafe, por exemplo, não pode ser interpretado sem o concurso do contexto, conforme definido na apresentação desta série de estudos. O contexto quase sempre envolve as partes anterior e posterior ao texto. Com isto, estamos procurando deixar claro que, se cada parte de um texto está relacionada às demais, nenhuma delas poderá ser explicada separadamente. O exame do contexto leva-nos à conclusão de que o assunto em torno do qual a discussão se desenvolve é comer sem lavar as mãos. Neste caso, em particular, não nos é necessário fazer nenhuma análise especial para percebermos isso. O lavar as mãos “muitas vezes”, antes das refeições, era um costume que os judeus religiosos haviam recebido dos seus antepassados. Entretanto, esse procedimento, embora saudável, não passava de uma simples tradição. Na situação que estamos analisando, os discípulos foram censurados, não por violarem qualquer dos mandamentos de Deus, mas por violarem esta tradição dos antigos, que impunha, aos que se aproximavam da mesa, a obrigação de lavarem as mãos muitas vezes, antes de fazerem suas refeições, como se as impurezas das mãos pudessem contaminá-los espiritualmente. De sua parte, o apóstolo Paulo deu testemunho desse zelo de seus compatriotas, embora reconhecesse que, em muitos casos, a medida do zelo era maior que a do entendimento (Rm 10:1-2).
Movidos pelo zelo e pela lealdade às suas tradições, escribas e fariseus faltavam com o entendimento em duas coisas: 1a) Colocavam suas tradições em pé de igualdade com a palavra de Deus; 2a) consideravam que a contaminação do corpo afetava o estado espiritual do homem. Pensando assim, julgaram a atitude dos discípulos não somente anti-higiênica, mas, também, irreverente e pecaminosa. Jesus, porém, mostrou que as tradições humanas não podem ser equiparadas ao mandamento de Deus, pois representam a planta que o Pai celestial não plantou (Mt 15:13); deixou claro, também, que qualquer impureza que, eventualmente, possa infiltrar-se no corpo, como resultado do comer sem lavar as mãos, não pode contaminar espiritualmente o homem.
É evidente que os bons hábitos de higiene produzem bons efeitos para o corpo, pois podem preveni-lo de doenças e preservar-lhe a saúde. Porém, a não-observação de um hábito, como o de lavar as mãos várias vezes, antes das refeições, pode ser nocivo à saúde do corpo, mas em nada afeta a condição espiritual do infrator. Não são as eventuais impurezas introduzidas no organismo por mãos não-lavadas que contaminam uma pessoa, mas o que de mau existe em seu coração, exteriorizado e transformado em palavras e atos de impureza moral, como os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mc 7:20-23).
A parte final do versículo 19 do capítulo 7 de Marcos, é talvez, a arma mais usada pelos que defendem o uso indiscriminado dos alimentos, por afirmar: E assim considerou ele (Jesus) puros todos os alimentos. Cientes de que estas palavras merecem uma maior atenção, sugerimos ao leitor que analise conosco os esforços já feitos pelos estudiosos na busca de uma explicação coerente para o texto. O conhecido intérprete das Escrituras R. N. Champlin, ao comentá-lo, afirma: “... alguns eruditos supõem que a ‘declaração’ não é realmente de Jesus, mas foi posta em sua boca pela igreja”. Em seguida, levanta a questão: “Por ventura Jesus teria ido ao ponto de ab-rogar virtualmente às leis levíticas no tocante a alimentos puros e impuros, além de coisas similares?” Ele admite que, por ter sentido parabólico, esta “consideração” sugere um sentido que, no seu entender, “permanece incerto”.[2]
Champlin não está entre os que reconhecem a vigência da lei que separa os alimentos; porém, usa de sinceridade ao fazer menção a “alguns eruditos que supõem que ‘a declaração’ [assim considerou ele puros todos os alimentos] não é realmente de Jesus”, pois corrobora com ele o fato de que algumas traduções simplesmente omitem esta parte final do versículo 19. Entre estas, podemos citar a tradução, em português, feita pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo. Ali, a tradução é feita assim: Porque isso não lhe entra no coração, mas vai ter ao ventre, e depois lança-se num lugar escuso, levando consigo todas as fezes do alimento (Esta tradução não contém a declaração de que Jesus “considerou puros todos os alimentos”). [3] O teor do versículo 19, na tradução citada, sugere que, do intestino, o que foi processado, é, depois, lançado fora, pelo organismo, com as eventuais impurezas introduzidas nele, em conseqüência do “comer sem lavar as mãos”. No dizer de Jesus, os alimentos declarados puros, pela lei, ainda que usados sem as repetidas lavagens de mãos, continuavam sendo puros e nenhum mal poderiam causar àqueles que deles comessem. Não é isto que acontece, quando, por desconhecimento, o crente ingere algo que possa representar um risco para a sua saúde? Sim! É o próprio Cristo quem afirma essa verdade: E se beberem alguma coisa mortífera não lhes fará dano algum (Mc 16:18).
O renomado teólogo batista, Russel Shedd, editor da Bíblia Vida Nova, tem opinião semelhante à de Champlin, no que se refere ao significado de Mc 7:19, pois, ao comentá-lo, em nota de rodapé, afirma: “Parece ser um comentário da parte de Marcos, que revela o que Pedro aprendeu (At 10:15) sobre a desobrigação dos cristãos de guardarem as leis sobre comidas puras e impuras (cf. Lv 11; Dt 14)”.
Entretanto, como defensores da veracidade e da autenticidade da Escritura, somos contrários à utilização de qualquer recurso exegético ou hermenêutico que tenha como finalidade negar a autoridade dela, sob a alegação de que esta ou aquela parte não é autêntica, como Shedd deixa implícito. Tal procedimento abre um precedente perigoso, pois pode levar o estudante a questionar a autenticidade de outras partes da mesma Escritura.
Na busca de explicação para o texto em apreço, há outros argumentos dos quais podemos fazer uso, sem que nos seja necessário contrariar o ensinamento bíblico. Antes, porém, de recorrermos a esses argumentos, chamamos o estudante à atenção para as seguintes considerações:
1a) O enunciado constante do final do versículo que estamos apreciando é tido como de difícil explicação, porque, aparentemente, desobriga os cristãos da obediência à lei que faz distinção entre os alimentos. Há, porém, como neste caso, vários outros ditos de Jesus (assim chamados, por não apresentarem sentido claro à primeira vista), que têm desafiado a criatividade e a capacidade dos estudiosos, durante muito tempo, e Mc 7:19 é um deles.
2a) Não há, em nenhuma outra parte das Escrituras, tanto no Antigo quanto do Novo Testamento, um outro texto em que possamos ler que o crente está desobrigado da obediência à lei de separação dos alimentos. E isto nos induz à convicção de que o texto em apreço (Mc 7:19) tem um significado diferente daquele que, à primeira vista, parece ter, pois prevalece o conceito segundo o qual nenhuma doutrina bíblica poderá ser estabelecida ou anulada com base em um único versículo.
3a) A lei que trata do limpo e do imundo, tal como encontramos em Lv 11, foi, depois, repetida em Dt 14. Há, ainda, muitas alusões que lhe são feitas, em, praticamente, todo o restante das Escrituras (cf. Nm 5:2, 9:10; Dt 12:15,22; II Cr 23:19; Is 66:17; Ez 44:23; Ag 2:14; Ml 1:7; Mt 12:43; Mc 1:23; Lc 4:33, 11:24; At 10:14,15,28; II Co 6:17, 7:1; Ap 18:2, 22:11). Ora, Jesus conhecia muito bem a lei que fazia distinção entre os alimentos. Por que, então, fez tal declaração?
4a) Alguns dos ensinamentos ministrados por Jesus tinham caráter genérico, isto é, eram destinados a todas as pessoas, em situações diversas; outros, eram específicos, ou seja, eram destinados a algumas pessoas apenas, em situações especiais (Mc 4:4:11,34; Lc 8:10).
Shedd chega a aventar a idéia de que a conclusão de Marcos – E assim considerou ele puros todos os alimentos – é resultado da influência que Pedro exercera sobre ele, uma vez que este, depois da visão descrita em At 10:11-13, deixara de ser abstinente. E muitos outros especialistas em Novo Testamento concordam que Pedro, de fato, exercera influência sobre Marcos. Porém, o pressuposto de que Pedro deixara de ser abstinente, a partir da visão descrita em At 10, está em total desacordo com as declarações do próprio apóstolo, conforme At 10:14 e 28, em que ele afirma nunca ter comido coisa alguma comum e imunda, acrescentando, ainda, que, através daquela visão, Deus lhe havia mostrado que havia purificado homens e não animais, como verificaremos na próxima lição.
Se, porém, a explicação de Mc 7:19 dada por Shedd é incorreta, qual a correta? A explicação pode ser encontrada com a análise de duas palavras importantes e presentes naquela sentença: “puros” e “comidas”. Vamos começar pela palavra “puros”. Quando recorrem ao texto grego, os estudiosos contrários à validade da distinção feita por Deus, em Lv 11 e Dt 14, afirmam que a maior prova de que, para o Senhor, todas as carnes são puras é o verbo grego katharizo – que significa: limpar, lavar, purificar –, o mesmo usado pelo escritor do evangelho para retratar a purificação do leproso efetuada por Jesus (Mc 1:40-42). Outros escritores do Novo Testamento utilizam também katharizo para descrever o poder do sangue de Jesus para purificar pecados (At 10:15; Tt 2:14; Hb 9:14; I Jo 1:7,9).
Todavia, ignoram outra palavra igualmente importante: “alimentos” (RA) ou “comidas” (RC), que foi traduzida do grego broma (Mt 14:15; Lc 3:11; Rm 14:15; I Co 6:13; I Tm 4:3; Hb 9:10). Outra palavra sinônima usada para fazer referência a alimentos/comidas, no grego, é brosis (Jo 4:32, 6:27; Rm 14:17; I Co 8:4; II Co 9:10; Hb 12:16). Jesus chegou a utilizar as duas, no pequeno diálogo que teve com os seus discípulos sobre comida (Jo 4:32) – brosis (Jo 4:34) e broma. A palavra, portanto, traduzida por alimentos/comidas, que aparece no texto grego de Mc 7:19, é broma e não kreas, termo que significa “carnes”, usada em Rm 14:21 e I Co 8:13.
Um judeu jamais usaria esses dois termos gregos – brosis e broma – para se referir a carnes que não fossem adequadas para o consumo humano. A Bíblia que Jesus lia, o Antigo Testamento, não tinha como alimento qualquer das carnes proibidas em Lv 11 e Dt 14. Portanto, com certeza, Jesus jamais defenderia o uso de alimentos que não fossem permitidos pela referida lei. Se, apesar disso, o leitor acha que há, em Mc 7:19, alguma incoerência da parte de Jesus, sugerimos que acompanhe o nosso raciocínio nos dois exemplos que se seguem. O primeiro deles diz respeito ao episódio da multiplicação dos pães de cevada e dos dois peixinhos, descrito em Jo 6:5-12. Ao final daquela refeição, o Senhor disse: Recolhei os pedaços que sobejaram para que nada se perca. Aqui, há um princípio espiritual prático: Jesus é contrário ao desperdício de alimento.
Paradoxalmente, porém, nós o vemos permitir a uma legião de demônios que entre numa manada de dois mil porcos, o que resultou na morte de todos eles (Mc 5:1-13). Se considerarmos que eram 2.000 porcos e que cada porco pesava, em média, 30 kg, então temos: 2.000 x 30 =60.000 kg de carne. Como poderia o mesmo Jesus que, em outra situação, dera a seus discípulos uma lição de economia não se importar com tamanho desperdício? Temos dúvidas sobre se Jesus usaria o mesmo procedimento se, ao invés de uma manada de porcos, fosse um rebanho de ovelhas; porque as ovelhas poderiam ser usadas como alimento; os porcos, não. Para os observadores da tradição, o comer sem lavar as mãos tinha o poder de contaminar espiritualmente até mesmo as carnes que Deus havia declarado puras, em Lv 11 e Dt 14. A tradição era, para eles, tão forte que tinha o poder de tornar impuro o que Deus havia declarado puro. Jesus acertou, quando disse, no contexto, que, por causa das tradições, esses “teólogos judaicos” estavam invalidando a palavra de Deus. “Mandamentos humanos” eram, espiritualmente, mais poderosos e influentes que “mandamentos divinos”. Eles estavam indo além do que as Escrituras diziam, asseverando novas idéias sobre pureza e impureza dos alimentos – questão que já estava claramente determinada pelo Senhor, em Lv 11 e Dt 14. Eles não estavam ensinando segundo as Escrituras.
O rigor com que encaravam essas tradições levava muitas pessoas humildes a se sentirem espiritualmente imundas ou impuras, quando comiam sem atenderem as regras de purificação preconizadas por essas tradições. É possível imaginarmos o alívio que essas pessoas sentiram, ao ouvirem de Jesus que os alimentos de uso permitido pela lei continuam sendo limpos, mesmo quando usados sem o ritual do “lavar as mãos muitas vezes”.
A lição que aprendemos é a seguinte: Não devemos impor aos fiéis proibição alguma que já não esteja prevista nas Escrituras; do mesmo modo, não temos o direito de liberar o que elas proíbem.
CONCLUSÃO
Pelo que ficou demonstrado nesta lição, o texto de Mc 7:15 não prova que Jesus aboliu a abstinência de alimentos. Aqueles que o citam, para justificar o uso indiscriminado dos alimentos, fazem-no fundamentados numa falsa interpretação dele. O texto, que serviu de tema para este estudo não se propõe a discutir a questão alimentar, mas se propõe a esclarecer se comer sem lavar as mãos pode ou não contaminar espiritualmente o homem. E Jesus deixou claro que o homem é contaminado pelos maus desígnios que saem do seu coração, como a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Estas são as coisas que, entrando no homem, podem contaminá-lo, não o comer com as mãos por lavar, desde que o alimento usado, com mão lavadas ou não, sejam declarados puros pela lei.
QUESTIONÁRIO
1) No comentário anterior, dissemos que há textos bíblicos que só podem ser explicados com o auxílio do contexto. Leia o referido comentário e responda: O que é contexto?
2) Leia Mc 7:1-2 e responda: A que conclusão chegaram escribas e fariseus, ao observarem o comportamento dos discípulos, enquanto estes comiam?
3) Leia Mc 7:3-4 e responda: No seu zelo com a saúde do corpo, até que ponto chegaram escribas, fariseus e todos os judeus, para não se contaminarem?
4) Leia Mc 7:6-8 e responda: Lembrando as palavras de um profeta do Antigo Testamento, que disse Jesus aos reprovadores?
5) Leia Mc 7:14-15 e responda: Qual foi a resposta final de Jesus, na discussão sobre o “comer sem lavar as mãos?”
6) Leia Mc 7:18-19 e responda: Que explicação podemos dar às palavras de Jesus e por quê?
7) Leia os Mc 7:20-23 e responda: De acordo com o ensinamento de Jesus, que coisas podem contaminar o homem?
________________________________________
[1] KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos Ltda , 2004, p. 160.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Milenium Distribuidora Cultural Ltda., 1983, Vol. I, 4a Impressão, p. 719.
[3] Bíblia Sagrada. Traduzida em português segundo a Vulgata Latina, pelo Padre Antonio Pereira de Figueiredo. Londres, Lisboa e Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, edição de 1940.
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Lição 2 - Jesus purificou todos os alimentos?
ATOS 10:13
Esse texto afirma que Deus purificou todos os alimentos?
Autor: Pastor Valdeci Nunes de Oliveira
Lição Bíblica 273, sábado, 08 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar ao estudante o real sentido teológico de Atos 10:13, para que ele tenha a sua fé fortalecida com essa verdade.
TEXTO BÁSICO: E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro; mata e come (At 10:13).
INTRODUÇÃO: Estamos diante de um texto bíblico (At 10:13) que, a exemplo do que foi estudado na lição anterior (Mc 7:15), nada tem a ver com a questão da alimentação. Porém, os defensores da abolição da dieta cristã usam ambos os textos, para ensinarem que a distinção feita por Deus, entre os alimentos puros e impuros, no décimo primeiro capítulo do livro de Levítico, já foi abolida, e que, em decorrência disto, os cristãos podem comer de tudo, indiscriminadamente. Será esta a verdadeira interpretação do texto? É o que veremos, durante o estudo da presente lição.
I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA DO TEXTO
Considerando que Pedro estava jejuando e, portanto, com fome, no momento em que ouviu a voz que lhe dizia: Levanta-te Pedro, mata e come, e considerando, ainda, que lhe foi feita a observação: ... não chames tu comum ao que Deus purificou, muitas pessoas entendem que, a partir dali, a abstinência daqueles alimentos considerados impuros estava definitivamente cancelada. E, pensando assim, comem e ensinam outras pessoas a comerem de tudo. Essas pessoas entendem que os animais vistos naquela visão eram animais literais e que, de acordo com o entendimento que têm dessa visão, foram purificados por Deus mediante o sacrifício de Jesus.
Até mesmo pessoas relativamente esclarecidas, sabendo que esta não é a verdadeira interpretação do texto, torcem-na por conveniência, como podemos observar a seguir:
O efeito da visão, portanto, era anunciar a Pedro que a distinção que se fazia no Antigo Testamento entre alimentos que eram “puros” e, portanto, apropriados para o consumo humano, e os que eram “impuros”, já fora cancelado, de tal modo que, doravante, os cristãos judaicos poderiam comer qualquer tipo de comida sem medo de profanação. Quando é, pois, que Deus cancelou a distinção? Parece que foi no momento de ser feita esta declaração [1] Seguindo este mesmo entendimento, muitas pessoas, em nossos dias, comem e bebem, sem qualquer escrúpulo, tudo o que lhes vem à boca, alegando, para isso, que, depois da morte de Cristo, todas as coisas foram purificadas.
I - A INTERPRETAÇÃO CORRETA DO TEXTO
Se At 10:13 nada tem a ver com a questão alimentar, o que Deus pretendia mostrar ao apóstolo Pedro e, por intermédio deste, a todos os demais judeus, através daquela visão? Para interpretarmos corretamente At 10:13, precisamos examinar o seu contexto; não apenas no contexto mais próximo, isto é, os versículos imediatamente anteriores (At 10:1:12) e posteriores (At 10:14, 11:18) ao versículo 13, mas, também, o contexto temático, ou seja, outras passagens relacionadas ao tema abordado. Por onde devemos começar? Vamos iniciar pela antiga promessa feita por Deus a Abraão: ... e em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12:3). Esta promessa deveria cumprir-se de maneira plena, no tempo determinado por Deus, e a vinda de seu Filho Jesus Cristo a este mundo marcou o início desse tempo. Até então, os descendentes de Abraão (o povo judeu) eram os privilegiados, porque deles eram a adoção, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas (Rm 9:4). Os outros povos eram considerados gentios na carne, chamados incircuncisos, sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos aos concertos da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2:11-12).
Mas o plano de Deus revelado a Abraão incluía todas as famílias da terra, e não apenas os judeus. O difícil, para muitos judeus, porém, era partilhar com os gentios a privilegiada condição que usufruíam, como integrantes do povo escolhido, se os gentios não se submetessem a todas as exigências representadas, tanto na lei como nas tradições de seu povo. Mas Deus estava determinado a quebrar a barreira que os separava e a fazer de ambos um só povo. Ele queria fazer isso através dos próprios judeus. O tempo de agir havia chegado (Mc 1:14-15; Gl 4:4-5) e era preciso encontrar a maneira apropriada de fazer isso. Deus encontrou.
Enquanto Pedro orava,
... sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, vindo para a terra, no qual havia de todos os animais quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. (At 10:11-12)
Três vezes, uma voz ordenou-lhe: Levanta-te, Pedro! Mata e come (At 10:13); três vezes, Pedro protestou contra a ordem divina: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda (At 10:14). Cada vez, a lição foi repetida: Não faças tu comum ao que Deus purificou (At 10:15).
Essa visão dos animais foi a opção mais apropriada para – uma vez entendida no seu verdadeiro sentido – quebrar a barreira representada pelos preconceitos que dividiam os judeus dos não-judeus e preparou o apóstolo para pregar o evangelho a Cornélio, um gentio, por duas razões principais: 1a) foi religiosamente convincente (foi mostrada a um homem piedoso, num momento em que este homem piedoso estava em plena consagração), e 2a) envolveu representantes respeitáveis dos dois povos. O que foi mostrado a Pedro naquela visão tinha sentido figurado. Os animais vistos não significavam animais de verdade: representavam pessoas. E que pessoas eram essas? Os gentios! Observemos, a propósito disto, o comentário feito por Champlin: As visões místicas ordinariamente são dadas na forma de ‘quadros’ ou ‘símbolos’... No caso que ora comentamos, por exemplo, não devemos imaginar que Pedro realmente viu feras, répteis e aves estranhas, baixadas do firmamento numa espécie de lençol literal, de pano. Pelo contrário, foram imagens mentais, recebidas sob formas aparentemente visuais, que tinham por intuito transmitir-lhe uma espécie de mensagem espiritual. [2]
Conhecedor das barreiras política, social e religiosa que separavam os judeus dos não-judeus (Jo 4:9), mas desejoso de mostrar a estes que havia chegado o momento de agregar também aqueles, pela fé em Jesus Cristo, conforme a promessa feita a Abraão (Gn 18:18; Gl 3:8) e cumprir seu grande propósito de estabelecer um só rebanho para um só pastor (Jo 10:16), Deus utilizou aquela visão, informando ao gentio Cornélio e ao judeu Pedro sobre o que pretendia fazer a esses dois povos, a partir dali (cf. At 10:1-6,19-20). De acordo com Champlin, ... o ponto central da visão, que Deus pode declarar qualquer coisa pura, aplica-se especialmente aos gentios que Pedro está para receber. (10:28, 15:9) [3]
Aqueles animais da visão representavam os povos não-judeus, antes, considerados distanciados de Deus, mas que, agora, pelo evangelho, passavam a ser aceitos. Portanto, Pedro foi advertido, na visão, a não considerar comum ou imundo o que Deus mesmo havia purificado (At 10:15,28). E Pedro aprendeu a lição, pois, no começo de sua pregação, declarou em Cesaréia: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo (At 10:28,34-35). Veja, que neste trecho, o próprio Pedro explica o significado correto do texto, afastando qualquer dúvida sobre o assunto.
Posteriormente, ao ser censurado pelos defensores da circuncisão, por ter se hospedado e se alimentado na casa de um gentio (At 11:1-3), ele narrou com riqueza de detalhes, tudo quanto acontecera, inclusive a maneira como Deus confirmara a sua presença naquela casa, fazendo descer o seu Santo Espírito sobre todos os gentios que ouviam a Palavra (At 11:4-18). De fato, A eleição divina não implica parcialidade; a graça de Deus alcança livremente tanto a gentios como a judeus. Para nós hoje, isto é um lugar comum, mas para Pedro era uma idéia revolucionária [4] Yancey[5] tece comentários sobre a posição dos judeus com relação aos impuros e sobre a visão mostrada a Pedro e descrita no capítulo 10 do livro de Atos. Diz o referido autor que o modo como os não-judeus eram tratados por alguns judeus estava em total desacordo com os padrões estabelecidos pela graça de Deus, cujo propósito é aproximar e não afastar as pessoas de Deus. Esse modo de tratar com discriminação não era adotado somente com os não-judeus; muitos dos próprios judeus também eram tratados assim. Para exemplificar isso, Yancey faz menção aos leprosos, à mulher durante os dias de sua menstruação, o homem que tocava em um cadáver, etc. Depois de argumentar que Jesus agiu de modo a mudar esse conceito, o autor dá como exemplos: a) Jesus sendo tocado por uma mulher com hemorragia (Mc 5:25-29); b) Jesus tocando na filha de Jairo, estando esta já morta (Mc 5:35-42); c) Jesus tocando no leproso (Mc 1:40-42). Depois de reproduzir as palavras de Pedro, em At 10:28: mas Deus me mostrou que não devo chamar nenhum homem de impuro, Yancey conclui o seu raciocínio, dizendo: Somos chamados para estender essa misericórdia, para ser transmissores da graça, e não para evitar o contágio. Assim como Jesus, podemos ajudar o ‘impuro’ a se tornar limpo”. “Desta forma não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há macho nem fêmea, pois todos vós sois um em Cristo Jesus”.[6]
Portanto, a lei que faz distinção dos alimentos permanece em vigor (Lv 11), mas a barreira social que fazia separação entre as pessoas, classificando algumas como puras e outras como impuras, Jesus aboliu (Lv 21:16-24). Se já não tinha razão de existir no passado, menos razão tem agora.
CONCLUSÃO:
Pelo que pudemos demonstrar, o texto que serviu de tema para este estudo não prova que Jesus purificou todos os animais. A visão descrita nele tem sentido figurado e revela o propósito de Deus em congregar, através da pregação do evangelho, todos os povos da terra, derribando as barreiras que as separava. Os animais mostrados na visão representavam os povos não-judeus, antes, considerados impuros, mas que, a partir dali, passavam a ser aceitos, pela fé em Jesus Cristo, sem qualquer discriminação.
Se Jesus houvesse liberado o uso de alimentos considerados impuros, até aquela época, por que o apóstolo Pedro continuava sendo abstinente, sendo sua resposta ao Senhor foi: De modo nenhum, Senhor, porque jamais comi coisa alguma comum e imunda?
QUESTIONÁRIO
1) Leia o texto reproduzido anteriormente e faça um resumo dele, envolvendo a ordem que Deus deu a Cornélio para chamar Pedro e como o mesmo Deus preparou o apóstolo para atender a esse chamado.
2) Leia Ef 2:11-12 e descreva as relações política, social e religiosa prevalecentes nos dias de Cristo, entre judeus e não-judeus.
3) Leia Gn 12:3 e responda: Que promessa feita a Abraão Deus havia reservado para cumprir através de seu Filho Jesus Cristo?
4) Leia Jo 4:22; Rm 1:16 e explique: Por que Deus queria fazer isto através de um judeu?
5) Leia At 10:11-13 e responda: Que meio utilizou Deus para mostrar aos judeus, através de Pedro, que o tempo de congregar os gentios havia chegado?
6) Leia At 9:6,10,11,17; At 5,7,17-20 e responda: Que medidas preparatórias adotou o Senhor, no sentido de quebrar o preconceito judaico, com relação aos não-judeus, e facilitar a entrada do evangelho aos gentios?
7) Leia At 10:28; Ef 2:13-18 e responda: Qual o verdadeiro significado da visão dos animais mostrada a Pedro.
________________________________________
[1] MARSHALL, I. H. Atos: Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova e Mundo Cristão, 1991, p.178.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. CIDADE? EDITORA? vol 3, p. 214.
[3] – O Novo Testamento Versículo por Versículo, Vol I, p 367.
[4] O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p. 1119.
[5] YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 1999, p. 154/165
[6] YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, 1a Edição, Editora Vida, São Paulo, 1999 pp. 160-161.
Esse texto afirma que Deus purificou todos os alimentos?
Autor: Pastor Valdeci Nunes de Oliveira
Lição Bíblica 273, sábado, 08 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar ao estudante o real sentido teológico de Atos 10:13, para que ele tenha a sua fé fortalecida com essa verdade.
TEXTO BÁSICO: E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro; mata e come (At 10:13).
INTRODUÇÃO: Estamos diante de um texto bíblico (At 10:13) que, a exemplo do que foi estudado na lição anterior (Mc 7:15), nada tem a ver com a questão da alimentação. Porém, os defensores da abolição da dieta cristã usam ambos os textos, para ensinarem que a distinção feita por Deus, entre os alimentos puros e impuros, no décimo primeiro capítulo do livro de Levítico, já foi abolida, e que, em decorrência disto, os cristãos podem comer de tudo, indiscriminadamente. Será esta a verdadeira interpretação do texto? É o que veremos, durante o estudo da presente lição.
I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA DO TEXTO
Considerando que Pedro estava jejuando e, portanto, com fome, no momento em que ouviu a voz que lhe dizia: Levanta-te Pedro, mata e come, e considerando, ainda, que lhe foi feita a observação: ... não chames tu comum ao que Deus purificou, muitas pessoas entendem que, a partir dali, a abstinência daqueles alimentos considerados impuros estava definitivamente cancelada. E, pensando assim, comem e ensinam outras pessoas a comerem de tudo. Essas pessoas entendem que os animais vistos naquela visão eram animais literais e que, de acordo com o entendimento que têm dessa visão, foram purificados por Deus mediante o sacrifício de Jesus.
Até mesmo pessoas relativamente esclarecidas, sabendo que esta não é a verdadeira interpretação do texto, torcem-na por conveniência, como podemos observar a seguir:
O efeito da visão, portanto, era anunciar a Pedro que a distinção que se fazia no Antigo Testamento entre alimentos que eram “puros” e, portanto, apropriados para o consumo humano, e os que eram “impuros”, já fora cancelado, de tal modo que, doravante, os cristãos judaicos poderiam comer qualquer tipo de comida sem medo de profanação. Quando é, pois, que Deus cancelou a distinção? Parece que foi no momento de ser feita esta declaração [1] Seguindo este mesmo entendimento, muitas pessoas, em nossos dias, comem e bebem, sem qualquer escrúpulo, tudo o que lhes vem à boca, alegando, para isso, que, depois da morte de Cristo, todas as coisas foram purificadas.
I - A INTERPRETAÇÃO CORRETA DO TEXTO
Se At 10:13 nada tem a ver com a questão alimentar, o que Deus pretendia mostrar ao apóstolo Pedro e, por intermédio deste, a todos os demais judeus, através daquela visão? Para interpretarmos corretamente At 10:13, precisamos examinar o seu contexto; não apenas no contexto mais próximo, isto é, os versículos imediatamente anteriores (At 10:1:12) e posteriores (At 10:14, 11:18) ao versículo 13, mas, também, o contexto temático, ou seja, outras passagens relacionadas ao tema abordado. Por onde devemos começar? Vamos iniciar pela antiga promessa feita por Deus a Abraão: ... e em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12:3). Esta promessa deveria cumprir-se de maneira plena, no tempo determinado por Deus, e a vinda de seu Filho Jesus Cristo a este mundo marcou o início desse tempo. Até então, os descendentes de Abraão (o povo judeu) eram os privilegiados, porque deles eram a adoção, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas (Rm 9:4). Os outros povos eram considerados gentios na carne, chamados incircuncisos, sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos aos concertos da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2:11-12).
Mas o plano de Deus revelado a Abraão incluía todas as famílias da terra, e não apenas os judeus. O difícil, para muitos judeus, porém, era partilhar com os gentios a privilegiada condição que usufruíam, como integrantes do povo escolhido, se os gentios não se submetessem a todas as exigências representadas, tanto na lei como nas tradições de seu povo. Mas Deus estava determinado a quebrar a barreira que os separava e a fazer de ambos um só povo. Ele queria fazer isso através dos próprios judeus. O tempo de agir havia chegado (Mc 1:14-15; Gl 4:4-5) e era preciso encontrar a maneira apropriada de fazer isso. Deus encontrou.
Enquanto Pedro orava,
... sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, vindo para a terra, no qual havia de todos os animais quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. (At 10:11-12)
Três vezes, uma voz ordenou-lhe: Levanta-te, Pedro! Mata e come (At 10:13); três vezes, Pedro protestou contra a ordem divina: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda (At 10:14). Cada vez, a lição foi repetida: Não faças tu comum ao que Deus purificou (At 10:15).
Essa visão dos animais foi a opção mais apropriada para – uma vez entendida no seu verdadeiro sentido – quebrar a barreira representada pelos preconceitos que dividiam os judeus dos não-judeus e preparou o apóstolo para pregar o evangelho a Cornélio, um gentio, por duas razões principais: 1a) foi religiosamente convincente (foi mostrada a um homem piedoso, num momento em que este homem piedoso estava em plena consagração), e 2a) envolveu representantes respeitáveis dos dois povos. O que foi mostrado a Pedro naquela visão tinha sentido figurado. Os animais vistos não significavam animais de verdade: representavam pessoas. E que pessoas eram essas? Os gentios! Observemos, a propósito disto, o comentário feito por Champlin: As visões místicas ordinariamente são dadas na forma de ‘quadros’ ou ‘símbolos’... No caso que ora comentamos, por exemplo, não devemos imaginar que Pedro realmente viu feras, répteis e aves estranhas, baixadas do firmamento numa espécie de lençol literal, de pano. Pelo contrário, foram imagens mentais, recebidas sob formas aparentemente visuais, que tinham por intuito transmitir-lhe uma espécie de mensagem espiritual. [2]
Conhecedor das barreiras política, social e religiosa que separavam os judeus dos não-judeus (Jo 4:9), mas desejoso de mostrar a estes que havia chegado o momento de agregar também aqueles, pela fé em Jesus Cristo, conforme a promessa feita a Abraão (Gn 18:18; Gl 3:8) e cumprir seu grande propósito de estabelecer um só rebanho para um só pastor (Jo 10:16), Deus utilizou aquela visão, informando ao gentio Cornélio e ao judeu Pedro sobre o que pretendia fazer a esses dois povos, a partir dali (cf. At 10:1-6,19-20). De acordo com Champlin, ... o ponto central da visão, que Deus pode declarar qualquer coisa pura, aplica-se especialmente aos gentios que Pedro está para receber. (10:28, 15:9) [3]
Aqueles animais da visão representavam os povos não-judeus, antes, considerados distanciados de Deus, mas que, agora, pelo evangelho, passavam a ser aceitos. Portanto, Pedro foi advertido, na visão, a não considerar comum ou imundo o que Deus mesmo havia purificado (At 10:15,28). E Pedro aprendeu a lição, pois, no começo de sua pregação, declarou em Cesaréia: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo (At 10:28,34-35). Veja, que neste trecho, o próprio Pedro explica o significado correto do texto, afastando qualquer dúvida sobre o assunto.
Posteriormente, ao ser censurado pelos defensores da circuncisão, por ter se hospedado e se alimentado na casa de um gentio (At 11:1-3), ele narrou com riqueza de detalhes, tudo quanto acontecera, inclusive a maneira como Deus confirmara a sua presença naquela casa, fazendo descer o seu Santo Espírito sobre todos os gentios que ouviam a Palavra (At 11:4-18). De fato, A eleição divina não implica parcialidade; a graça de Deus alcança livremente tanto a gentios como a judeus. Para nós hoje, isto é um lugar comum, mas para Pedro era uma idéia revolucionária [4] Yancey[5] tece comentários sobre a posição dos judeus com relação aos impuros e sobre a visão mostrada a Pedro e descrita no capítulo 10 do livro de Atos. Diz o referido autor que o modo como os não-judeus eram tratados por alguns judeus estava em total desacordo com os padrões estabelecidos pela graça de Deus, cujo propósito é aproximar e não afastar as pessoas de Deus. Esse modo de tratar com discriminação não era adotado somente com os não-judeus; muitos dos próprios judeus também eram tratados assim. Para exemplificar isso, Yancey faz menção aos leprosos, à mulher durante os dias de sua menstruação, o homem que tocava em um cadáver, etc. Depois de argumentar que Jesus agiu de modo a mudar esse conceito, o autor dá como exemplos: a) Jesus sendo tocado por uma mulher com hemorragia (Mc 5:25-29); b) Jesus tocando na filha de Jairo, estando esta já morta (Mc 5:35-42); c) Jesus tocando no leproso (Mc 1:40-42). Depois de reproduzir as palavras de Pedro, em At 10:28: mas Deus me mostrou que não devo chamar nenhum homem de impuro, Yancey conclui o seu raciocínio, dizendo: Somos chamados para estender essa misericórdia, para ser transmissores da graça, e não para evitar o contágio. Assim como Jesus, podemos ajudar o ‘impuro’ a se tornar limpo”. “Desta forma não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há macho nem fêmea, pois todos vós sois um em Cristo Jesus”.[6]
Portanto, a lei que faz distinção dos alimentos permanece em vigor (Lv 11), mas a barreira social que fazia separação entre as pessoas, classificando algumas como puras e outras como impuras, Jesus aboliu (Lv 21:16-24). Se já não tinha razão de existir no passado, menos razão tem agora.
CONCLUSÃO:
Pelo que pudemos demonstrar, o texto que serviu de tema para este estudo não prova que Jesus purificou todos os animais. A visão descrita nele tem sentido figurado e revela o propósito de Deus em congregar, através da pregação do evangelho, todos os povos da terra, derribando as barreiras que as separava. Os animais mostrados na visão representavam os povos não-judeus, antes, considerados impuros, mas que, a partir dali, passavam a ser aceitos, pela fé em Jesus Cristo, sem qualquer discriminação.
Se Jesus houvesse liberado o uso de alimentos considerados impuros, até aquela época, por que o apóstolo Pedro continuava sendo abstinente, sendo sua resposta ao Senhor foi: De modo nenhum, Senhor, porque jamais comi coisa alguma comum e imunda?
QUESTIONÁRIO
1) Leia o texto reproduzido anteriormente e faça um resumo dele, envolvendo a ordem que Deus deu a Cornélio para chamar Pedro e como o mesmo Deus preparou o apóstolo para atender a esse chamado.
2) Leia Ef 2:11-12 e descreva as relações política, social e religiosa prevalecentes nos dias de Cristo, entre judeus e não-judeus.
3) Leia Gn 12:3 e responda: Que promessa feita a Abraão Deus havia reservado para cumprir através de seu Filho Jesus Cristo?
4) Leia Jo 4:22; Rm 1:16 e explique: Por que Deus queria fazer isto através de um judeu?
5) Leia At 10:11-13 e responda: Que meio utilizou Deus para mostrar aos judeus, através de Pedro, que o tempo de congregar os gentios havia chegado?
6) Leia At 9:6,10,11,17; At 5,7,17-20 e responda: Que medidas preparatórias adotou o Senhor, no sentido de quebrar o preconceito judaico, com relação aos não-judeus, e facilitar a entrada do evangelho aos gentios?
7) Leia At 10:28; Ef 2:13-18 e responda: Qual o verdadeiro significado da visão dos animais mostrada a Pedro.
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[1] MARSHALL, I. H. Atos: Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova e Mundo Cristão, 1991, p.178.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. CIDADE? EDITORA? vol 3, p. 214.
[3] – O Novo Testamento Versículo por Versículo, Vol I, p 367.
[4] O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p. 1119.
[5] YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, São Paulo, 1999, p. 154/165
[6] YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, 1a Edição, Editora Vida, São Paulo, 1999 pp. 160-161.
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Lição 3 - Todas as carnes são boas para o consumo humano?
ROMANOS 14:14
Esse texto ensina que todas as carnes
são boas para o consumo humano?
Autor: Pastor Enéias Manoel dos Santos
Lição Bíblica 273, sábado, 15 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar ao estudante que, ao contrário do que muita gente pensa e ensina, Rm 14:14 não é uma permissão para o crente comer de tudo o que deseja, pois à luz do contexto, o assunto central se refere apenas a carnes sacrificadas aos ídolos.
TEXTO BÁSICO: Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. (Rm 14:14)
INTRODUÇÃO: Como a maioria das epístolas doutrinárias de Paulo, Romanos contém uma seção prática. No Capítulo 14, mostra o dever do cristão para com os irmãos mais fracos. O versículo 14 do mesmo capítulo é um dos textos interpretados de forma equivocada, em defesa do uso de carnes impuras como alimento. Tais declarações são feitas sem o respeito às regras básicas de interpretação.
O bom senso nos diz que, para termos uma compreensão exata do texto, é necessário considerar o contexto social em que viviam os romanos; não estudar o versículo isoladamente, sem levar em conta todo o capítulo e o livro em que está inserido; considerar como Paulo tratou o mesmo assunto com outra igreja (cf. I e II Coríntios); observar, também, como a Bíblia, no seu todo, se refere a alimentos limpos e imundos. Sem respeitar essas regras básicas, não podemos alcançar um entendimento perfeito do versículo em seu sentido real. Neste estudo, serão apresentadas algumas interpretações deturpadas de Rm 14:14 e, em seguida, o sentido correto do que Paulo falou.
I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA
Para dar suporte ao argumento de que a abstinência de carnes imundas não se aplica aos cristãos de hoje, muitos utilizam Rm 14:14. O que dizer sobre o texto em questão? Com base na primeira parte do versículo - Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda –, afirmam que Paulo obteve do próprio Senhor uma nova revelação sobre a questão da comida. Ele foi persuadido e convencido pelo Senhor a acreditar dessa forma, pois Jesus, ao se referir sobre a pureza ou impureza dos alimentos, considerou (...) puros todos os alimentos (Mc 7:19). Paulo ensina-nos que é muito mais importante alguém estar persuadido por Cristo Jesus do que por Moisés, visto que A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1:17). Por isso, não devemos evitar tais alimentos por força da imposição das leis mosaicas, porque a lei mosaica já não se aplica aos crentes do Novo Testamento. Com isso, Paulo mostrou possuir uma hierarquia de valores, dentro da qual Cristo ocupa o primeiro lugar, em todas as considerações. Assim é que devem ser as coisas, para o crente do Novo Testamento.
Quanto à segunda parte do versículo – a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda – esses mesmos comentaristas argumentam que, de acordo com essa frase, a impureza do alimento é apenas uma questão de ponto de vista. Não tem nada haver com questão doutrinária. Assim, segundo eles, Paulo ensina que, se um crente gentílico, que sempre consumira todo tipo de alimento, quisesse continuar se alimentando da mesma forma, não haveria nada de errado em sua decisão, ainda que os outros considerassem repugnante tal hábito. Na própria fé cristã, nada haveria contrário a isso. Enquanto não se comprovar que algum artigo da alimentação é definidamente prejudicial à saúde, o crente está na inteira liberdade de comer o que bem desejar. Os alimentos proibidos, em Lv 11, foram proibidos apenas para os judeus, na época, por causa das condições precárias de higiene. Diante desta afirmativa perguntamos: Porque a higiene seria precária em se tratando das carnes imundas e não seria para as carnes permitidas?
II – A INTERPRETAÇÃO CORRETA
Entendendo o contexto do capítulo 14: Há quem diga que o texto trata de pessoas que, antes de se converterem a Cristo, viviam segundo os rigorosos e extremos preceitos do ascetismo - moral filosófica ou religiosa, adotadas entre os judeus e os gentios - que impunha severas regras de alimentação e disciplina, como meio de se alcançar a salvação do espírito. Talvez algumas dessas práticas ascetas ainda fossem usadas pelos recém-convertidos da igreja de Roma, que se abstinham de ingerir carne e vinho (Rm 14:21). É isso mesmo? Não. Se o problema fosse ascetismo, a reação de Paulo teria sido enérgica e incisiva – como foi em outras epístolas (Cl 2:4,16-23; I Tm 4:1-5) –, pois tal heresia era altamente destruidora e prejudicial. Há, ainda, uma outra explicação para a passagem. Para alguns, os crentes fracos seriam os legalistas, que continuavam acreditando que, para serem justificados e reconciliados com Deus precisavam observar as cerimônias judaicas. De fato, alguns judeus diziam que os cristãos precisariam tornar-se judeus para ser cristãos, e impunham-lhes, principalmente, a necessidade da circuncisão. Essa explicação é satisfatória? Não. Paulo seria assim tão manso e suave com quem pervertia o precioso evangelho de Cristo? De modo algum! Em suas outras cartas – principalmente a de Gálatas –, ele sempre aparece combatendo ardorosamente os ensinamentos dos legalistas (Gl 6:12-16).
Os cristãos dessa época tinham de conviver com uma sociedade paganizada, totalmente envolvida com a idolatria. Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de animais eram comuns em diversas religiões. Parte do animal era queimada sobre o altar; outra parte era exposta e vendida nos mercados da cidade. Para muitos cristãos judeus da Igreja de Roma, que tinham uma crença sensível, inculta, imatura, isso representava um seríssimo problema. Apesar de convertidos ao evangelho, esses fiéis ainda adotavam muitos dos procedimentos e regulamentos aprendidos na tradição judaica – que era o ensino verbal de hábitos, costumes e práticas, passados de geração em geração. Para eles, comer “a carne dos ídolos” significava participação e aprovação da idolatria. Agora, como eles podiam saber se a carne exposta e vendida nos mercados romanos não provinha de animais anteriormente consagrados aos deuses dos templos pagãos? Na verdade, não havia como saber. Assim sendo, a melhor solução achada pelos cristãos judeus, que tinham uma compreensão elementar da fé cristã, era não comer carne alguma, nem mesmo as permitidas por Deus, em Lv 11 e Dt 14. Com isso, eles corriam o risco de se contaminarem espiritualmente.
Os cristãos gentios (os fortes na fé), por sua vez, tinham um outro ponto de vista sobre as carnes sacrificadas às divindades. Para eles os ídolos não significavam nem representavam nada. De acordo com Bruce, “... entre os cristãos [os fortes na fé] havia alguns que possuíam uma consciência robusta e entendiam que a carne não piorava nem melhorava por sua associação com a divindade paga.” [1]
Com base nessa consciência emancipada e esclarecida, esses cristãos continuavam comprando e comendo as carnes vindas dos templos pagãos, sem nenhum tipo de senso de culpa. Esses “irmãos maduros” irritavam-se com os “irmãos imaturos”, tratando-os com desprezo. O clima, na igreja de Roma, era de discórdia, contenda, divisão e censura. Por isso, a igreja corria sério risco de desintegrar-se. Como dois grupos com opiniões pessoais bastante diferentes poderiam conviver de maneira respeitosa e harmoniosa, sem que houvesse julgamentos, condenações, discriminações? Foi o que o apóstolo procurou ensinar. Ele desejava, antes de tudo, que os “fracos na fé” fossem carregados e edificados pelos “fortes na fé”; também, que os mais fracos não se precipitassem em julgar os outros. Assim, ele os exortou a manterem unidade e a comunhão fraternal. Não se deve abandoná-los na sua fraqueza, como fazem aqueles que, cheios de aversão, afastam-se e só se preocupam com a salvação pessoal. (ESTÁ CONFUSO) Entendendo o sentido do versículo 14: À luz do contexto, como podemos interpretar corretamente a expressão paulina: Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda? Para facilitar a compreensão, vamos dividir o versículo em três partes. Vamos à primeira: Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus. Esta expressão, extremamente enfática, exprime a convicção de espírito do apóstolo. E mais: a sua convicção se apoiava na autoridade do Senhor Jesus. O que ele estava prestes a dizer não era resultado de auto-convencimento; ele fora convencido ou persuadido pelo próprio Senhor.
Do que Paulo fora convencido pelo Senhor? De que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. É esta uma declaração de que todos os animais são limpos? É claro que Paulo não está usando o termo genericamente, pois, se o fizesse, teríamos de supor que todos os tipos de carnes seriam próprias para o consumo humano, o que não é verdade. Obviamente, sabemos que existem carnes impuras, isto é, prejudiciais em si mesmas.
Na primeira epístola aos Coríntios, encontramos uma expressão parecida: ... sabemos que o ídolo nada é no mundo (I Co 8:4). Aqui, Paulo está autorizando a igreja a praticar a idolatria? Se os ídolos nada são, por que Deus condena a idolatria? O que o apóstolo está afirmando a respeito dos ídolos é que eles, em si mesmos, não são divindade; não têm poder algum. O apóstolo está confirmando, aqui, a verdade relatada no Sl 115:4-6: Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, têm nariz, mas não cheiram. Os ídolos não representam Deus, e, sim, não representam coisa alguma. Comer alimentos sacrificados a ídolos é o mesmo que comer alimentos sacrificados a nada. Se os ídolos nada são, perguntamos: As carnes que lhes são oferecidas se tornam impuras? Não. O ídolo não tem, “em si mesmo”, a capacidade de afetar o crente maduro que come carne que lhe tenha sido oferecida. Não é a existência do ídolo, mas a sua divindade que Paulo nega. O ídolo, em si mesmo, nada é, mas a idolatria é pecado, por que os demônios se manifestam e trabalham na idolatria (I Co 10:19).
Portanto, quando Paulo diz: ... nenhuma coisa é de si mesmo imunda, não está, absolutamente, querendo afirmar que todas as carnes são puras. A expressão nada de si mesmo é imundo (Rm 14:14) não tem sentido genérico, mas específico; não se refere a todas as carnes, mas àquelas que, naquele momento, eram oferecidas aos ídolos. No sentido específico, dizer: nada de si mesmo é imundo é o mesmo que dizer: nenhuma dessas carnes que estão sendo aí oferecidas são imundas, porque se tratava de carnes que, segundo as regras de Lv 11 e Dt 14, eram limpas.
“... a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo” (Rm 14:14). A primeira pessoa que classificou as carnes e considerou algumas como imundas foi o próprio Deus: Falou o Senhor a Moisés (...) destes, porém, não comereis (Lv 11:1-4). Então, se alguém considerar alguma carne imunda é porque está se baseando na palavra de Deus, e não há nenhuma censura a isso; ao contrário, trata-se de uma atitude louvável.
A palavra de Deus está acima de qualquer opinião ou entendimento humano; todo cristão conhecedor e fiel a Deus, diante de uma mesa com vários tipos de carnes, imediatamente, vai comparar com a palavra de Deus e identificar se se trata de alimento imundo ou não. Por outro lado, quem não conhece a Palavra considera tudo puro. Conclusão: A respeito de Romanos 14, concluímos que se trata de um texto escrito para desfazer a dúvida sobre se o cristão deveria ou não comer carnes sacrificadas aos ídolos; também, para sanar o problema do desprezo e do julgamento entre os irmãos e resolver o desconforto na igreja de Roma.
O texto de Rm 14:14 em nada tem a ver com Mc 7:14-19. Não ensina que todas as carnes são boas para o consumo humano. Não anula e nem contraria o que Deus determinou, em Lv 11 e Dt 14. Nossa fé deve ser apoiada numa firme convicção na palavra de Deus e nunca em opiniões particulares e sem apoio bíblico.
QUESTIONÁRIO
1) Para afirmar que todas as carnes são boas para o consumo humano, como é explicada a frase: “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus?”
2) O que muitas pessoas têm ensinado, baseadas na expressão: “Nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda?”
3) Compare Rm 14:1,3 com I Co 8:1,8,9,13 e responda: Qual foi a questão que levou Paulo a escrever Romanos 14? Por que e para que o referido texto foi escrito?
4) O que Paulo quis realmente ensinar, em Rm 14:3,13?
5) Em Rm 14:22-23 qual é o significado de ter fé?
6) Qual o significado real das palavras Eu sei, e estou certo no senhor Jesus?
7) Comente o sentido real sentido da expressão “nada de si mesmo é imundo”. Tem algo a ver com Mc 7:14-19?
8) Comente sobre a expressão a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo?
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BÍBLIA SHEDD – Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição, 1998, Edições Vida Nova, São Paulo-SP.
BROADMAN - Comentário Bíblico Broadman, Volume 10, 1984, Rio de Janeiro.
BRUCE, F. F. - Romanos Introdução e comentário, Editora Mundo Cristão, 4ª edição 1986, São Paulo.
CHAMPLIN, Russel Norman - O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Editora Milenium, volume 3, 1ª edição 1979.
GEISLER, Norman e HOWE, Thomas - Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia, Editora Mundo Cristão – 3ª edição, Julho de 1999.
GINGRICH, F. Wilbur e DANKER, Frederick W - Léxico do Novo Testamento Grego/Português, Edições Vida Nova, 1ª edição 1984.
LUND, E. / NELSON, P. C. - Hermenêutica, Editora Vida, 1968, Miami.
PFEIFFER, Charles F. e HARRISON, Everet F. - Comentário Bíblico Moody, Volume 5 Romanos a Apocalípse, Imprensa Bíblica Regular, Primeira Edição em Português, São Paulo, 1983.
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[1] BRUCE, F. F. Romanos – introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 4a ed, 1986, 201.
Esse texto ensina que todas as carnes
são boas para o consumo humano?
Autor: Pastor Enéias Manoel dos Santos
Lição Bíblica 273, sábado, 15 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar ao estudante que, ao contrário do que muita gente pensa e ensina, Rm 14:14 não é uma permissão para o crente comer de tudo o que deseja, pois à luz do contexto, o assunto central se refere apenas a carnes sacrificadas aos ídolos.
TEXTO BÁSICO: Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. (Rm 14:14)
INTRODUÇÃO: Como a maioria das epístolas doutrinárias de Paulo, Romanos contém uma seção prática. No Capítulo 14, mostra o dever do cristão para com os irmãos mais fracos. O versículo 14 do mesmo capítulo é um dos textos interpretados de forma equivocada, em defesa do uso de carnes impuras como alimento. Tais declarações são feitas sem o respeito às regras básicas de interpretação.
O bom senso nos diz que, para termos uma compreensão exata do texto, é necessário considerar o contexto social em que viviam os romanos; não estudar o versículo isoladamente, sem levar em conta todo o capítulo e o livro em que está inserido; considerar como Paulo tratou o mesmo assunto com outra igreja (cf. I e II Coríntios); observar, também, como a Bíblia, no seu todo, se refere a alimentos limpos e imundos. Sem respeitar essas regras básicas, não podemos alcançar um entendimento perfeito do versículo em seu sentido real. Neste estudo, serão apresentadas algumas interpretações deturpadas de Rm 14:14 e, em seguida, o sentido correto do que Paulo falou.
I – A INTERPRETAÇÃO ERRADA
Para dar suporte ao argumento de que a abstinência de carnes imundas não se aplica aos cristãos de hoje, muitos utilizam Rm 14:14. O que dizer sobre o texto em questão? Com base na primeira parte do versículo - Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda –, afirmam que Paulo obteve do próprio Senhor uma nova revelação sobre a questão da comida. Ele foi persuadido e convencido pelo Senhor a acreditar dessa forma, pois Jesus, ao se referir sobre a pureza ou impureza dos alimentos, considerou (...) puros todos os alimentos (Mc 7:19). Paulo ensina-nos que é muito mais importante alguém estar persuadido por Cristo Jesus do que por Moisés, visto que A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1:17). Por isso, não devemos evitar tais alimentos por força da imposição das leis mosaicas, porque a lei mosaica já não se aplica aos crentes do Novo Testamento. Com isso, Paulo mostrou possuir uma hierarquia de valores, dentro da qual Cristo ocupa o primeiro lugar, em todas as considerações. Assim é que devem ser as coisas, para o crente do Novo Testamento.
Quanto à segunda parte do versículo – a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda – esses mesmos comentaristas argumentam que, de acordo com essa frase, a impureza do alimento é apenas uma questão de ponto de vista. Não tem nada haver com questão doutrinária. Assim, segundo eles, Paulo ensina que, se um crente gentílico, que sempre consumira todo tipo de alimento, quisesse continuar se alimentando da mesma forma, não haveria nada de errado em sua decisão, ainda que os outros considerassem repugnante tal hábito. Na própria fé cristã, nada haveria contrário a isso. Enquanto não se comprovar que algum artigo da alimentação é definidamente prejudicial à saúde, o crente está na inteira liberdade de comer o que bem desejar. Os alimentos proibidos, em Lv 11, foram proibidos apenas para os judeus, na época, por causa das condições precárias de higiene. Diante desta afirmativa perguntamos: Porque a higiene seria precária em se tratando das carnes imundas e não seria para as carnes permitidas?
II – A INTERPRETAÇÃO CORRETA
Entendendo o contexto do capítulo 14: Há quem diga que o texto trata de pessoas que, antes de se converterem a Cristo, viviam segundo os rigorosos e extremos preceitos do ascetismo - moral filosófica ou religiosa, adotadas entre os judeus e os gentios - que impunha severas regras de alimentação e disciplina, como meio de se alcançar a salvação do espírito. Talvez algumas dessas práticas ascetas ainda fossem usadas pelos recém-convertidos da igreja de Roma, que se abstinham de ingerir carne e vinho (Rm 14:21). É isso mesmo? Não. Se o problema fosse ascetismo, a reação de Paulo teria sido enérgica e incisiva – como foi em outras epístolas (Cl 2:4,16-23; I Tm 4:1-5) –, pois tal heresia era altamente destruidora e prejudicial. Há, ainda, uma outra explicação para a passagem. Para alguns, os crentes fracos seriam os legalistas, que continuavam acreditando que, para serem justificados e reconciliados com Deus precisavam observar as cerimônias judaicas. De fato, alguns judeus diziam que os cristãos precisariam tornar-se judeus para ser cristãos, e impunham-lhes, principalmente, a necessidade da circuncisão. Essa explicação é satisfatória? Não. Paulo seria assim tão manso e suave com quem pervertia o precioso evangelho de Cristo? De modo algum! Em suas outras cartas – principalmente a de Gálatas –, ele sempre aparece combatendo ardorosamente os ensinamentos dos legalistas (Gl 6:12-16).
Os cristãos dessa época tinham de conviver com uma sociedade paganizada, totalmente envolvida com a idolatria. Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de animais eram comuns em diversas religiões. Parte do animal era queimada sobre o altar; outra parte era exposta e vendida nos mercados da cidade. Para muitos cristãos judeus da Igreja de Roma, que tinham uma crença sensível, inculta, imatura, isso representava um seríssimo problema. Apesar de convertidos ao evangelho, esses fiéis ainda adotavam muitos dos procedimentos e regulamentos aprendidos na tradição judaica – que era o ensino verbal de hábitos, costumes e práticas, passados de geração em geração. Para eles, comer “a carne dos ídolos” significava participação e aprovação da idolatria. Agora, como eles podiam saber se a carne exposta e vendida nos mercados romanos não provinha de animais anteriormente consagrados aos deuses dos templos pagãos? Na verdade, não havia como saber. Assim sendo, a melhor solução achada pelos cristãos judeus, que tinham uma compreensão elementar da fé cristã, era não comer carne alguma, nem mesmo as permitidas por Deus, em Lv 11 e Dt 14. Com isso, eles corriam o risco de se contaminarem espiritualmente.
Os cristãos gentios (os fortes na fé), por sua vez, tinham um outro ponto de vista sobre as carnes sacrificadas às divindades. Para eles os ídolos não significavam nem representavam nada. De acordo com Bruce, “... entre os cristãos [os fortes na fé] havia alguns que possuíam uma consciência robusta e entendiam que a carne não piorava nem melhorava por sua associação com a divindade paga.” [1]
Com base nessa consciência emancipada e esclarecida, esses cristãos continuavam comprando e comendo as carnes vindas dos templos pagãos, sem nenhum tipo de senso de culpa. Esses “irmãos maduros” irritavam-se com os “irmãos imaturos”, tratando-os com desprezo. O clima, na igreja de Roma, era de discórdia, contenda, divisão e censura. Por isso, a igreja corria sério risco de desintegrar-se. Como dois grupos com opiniões pessoais bastante diferentes poderiam conviver de maneira respeitosa e harmoniosa, sem que houvesse julgamentos, condenações, discriminações? Foi o que o apóstolo procurou ensinar. Ele desejava, antes de tudo, que os “fracos na fé” fossem carregados e edificados pelos “fortes na fé”; também, que os mais fracos não se precipitassem em julgar os outros. Assim, ele os exortou a manterem unidade e a comunhão fraternal. Não se deve abandoná-los na sua fraqueza, como fazem aqueles que, cheios de aversão, afastam-se e só se preocupam com a salvação pessoal. (ESTÁ CONFUSO) Entendendo o sentido do versículo 14: À luz do contexto, como podemos interpretar corretamente a expressão paulina: Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda? Para facilitar a compreensão, vamos dividir o versículo em três partes. Vamos à primeira: Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus. Esta expressão, extremamente enfática, exprime a convicção de espírito do apóstolo. E mais: a sua convicção se apoiava na autoridade do Senhor Jesus. O que ele estava prestes a dizer não era resultado de auto-convencimento; ele fora convencido ou persuadido pelo próprio Senhor.
Do que Paulo fora convencido pelo Senhor? De que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. É esta uma declaração de que todos os animais são limpos? É claro que Paulo não está usando o termo genericamente, pois, se o fizesse, teríamos de supor que todos os tipos de carnes seriam próprias para o consumo humano, o que não é verdade. Obviamente, sabemos que existem carnes impuras, isto é, prejudiciais em si mesmas.
Na primeira epístola aos Coríntios, encontramos uma expressão parecida: ... sabemos que o ídolo nada é no mundo (I Co 8:4). Aqui, Paulo está autorizando a igreja a praticar a idolatria? Se os ídolos nada são, por que Deus condena a idolatria? O que o apóstolo está afirmando a respeito dos ídolos é que eles, em si mesmos, não são divindade; não têm poder algum. O apóstolo está confirmando, aqui, a verdade relatada no Sl 115:4-6: Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, têm nariz, mas não cheiram. Os ídolos não representam Deus, e, sim, não representam coisa alguma. Comer alimentos sacrificados a ídolos é o mesmo que comer alimentos sacrificados a nada. Se os ídolos nada são, perguntamos: As carnes que lhes são oferecidas se tornam impuras? Não. O ídolo não tem, “em si mesmo”, a capacidade de afetar o crente maduro que come carne que lhe tenha sido oferecida. Não é a existência do ídolo, mas a sua divindade que Paulo nega. O ídolo, em si mesmo, nada é, mas a idolatria é pecado, por que os demônios se manifestam e trabalham na idolatria (I Co 10:19).
Portanto, quando Paulo diz: ... nenhuma coisa é de si mesmo imunda, não está, absolutamente, querendo afirmar que todas as carnes são puras. A expressão nada de si mesmo é imundo (Rm 14:14) não tem sentido genérico, mas específico; não se refere a todas as carnes, mas àquelas que, naquele momento, eram oferecidas aos ídolos. No sentido específico, dizer: nada de si mesmo é imundo é o mesmo que dizer: nenhuma dessas carnes que estão sendo aí oferecidas são imundas, porque se tratava de carnes que, segundo as regras de Lv 11 e Dt 14, eram limpas.
“... a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo” (Rm 14:14). A primeira pessoa que classificou as carnes e considerou algumas como imundas foi o próprio Deus: Falou o Senhor a Moisés (...) destes, porém, não comereis (Lv 11:1-4). Então, se alguém considerar alguma carne imunda é porque está se baseando na palavra de Deus, e não há nenhuma censura a isso; ao contrário, trata-se de uma atitude louvável.
A palavra de Deus está acima de qualquer opinião ou entendimento humano; todo cristão conhecedor e fiel a Deus, diante de uma mesa com vários tipos de carnes, imediatamente, vai comparar com a palavra de Deus e identificar se se trata de alimento imundo ou não. Por outro lado, quem não conhece a Palavra considera tudo puro. Conclusão: A respeito de Romanos 14, concluímos que se trata de um texto escrito para desfazer a dúvida sobre se o cristão deveria ou não comer carnes sacrificadas aos ídolos; também, para sanar o problema do desprezo e do julgamento entre os irmãos e resolver o desconforto na igreja de Roma.
O texto de Rm 14:14 em nada tem a ver com Mc 7:14-19. Não ensina que todas as carnes são boas para o consumo humano. Não anula e nem contraria o que Deus determinou, em Lv 11 e Dt 14. Nossa fé deve ser apoiada numa firme convicção na palavra de Deus e nunca em opiniões particulares e sem apoio bíblico.
QUESTIONÁRIO
1) Para afirmar que todas as carnes são boas para o consumo humano, como é explicada a frase: “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus?”
2) O que muitas pessoas têm ensinado, baseadas na expressão: “Nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda?”
3) Compare Rm 14:1,3 com I Co 8:1,8,9,13 e responda: Qual foi a questão que levou Paulo a escrever Romanos 14? Por que e para que o referido texto foi escrito?
4) O que Paulo quis realmente ensinar, em Rm 14:3,13?
5) Em Rm 14:22-23 qual é o significado de ter fé?
6) Qual o significado real das palavras Eu sei, e estou certo no senhor Jesus?
7) Comente o sentido real sentido da expressão “nada de si mesmo é imundo”. Tem algo a ver com Mc 7:14-19?
8) Comente sobre a expressão a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo?
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BÍBLIA SHEDD – Revista e Atualizada no Brasil, 2ª edição, 1998, Edições Vida Nova, São Paulo-SP.
BROADMAN - Comentário Bíblico Broadman, Volume 10, 1984, Rio de Janeiro.
BRUCE, F. F. - Romanos Introdução e comentário, Editora Mundo Cristão, 4ª edição 1986, São Paulo.
CHAMPLIN, Russel Norman - O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Editora Milenium, volume 3, 1ª edição 1979.
GEISLER, Norman e HOWE, Thomas - Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia, Editora Mundo Cristão – 3ª edição, Julho de 1999.
GINGRICH, F. Wilbur e DANKER, Frederick W - Léxico do Novo Testamento Grego/Português, Edições Vida Nova, 1ª edição 1984.
LUND, E. / NELSON, P. C. - Hermenêutica, Editora Vida, 1968, Miami.
PFEIFFER, Charles F. e HARRISON, Everet F. - Comentário Bíblico Moody, Volume 5 Romanos a Apocalípse, Imprensa Bíblica Regular, Primeira Edição em Português, São Paulo, 1983.
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[1] BRUCE, F. F. Romanos – introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 4a ed, 1986, 201.
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estudos,
lição 3
Lição 4 - O cristão está livre para comer de tudo o que se vende no mercado?
I CORÍNTIOS 10:25
Este texto indica que o Cristão está livre
para comer de tudo o que se vende
no mercado?
Este texto indica que o Cristão está livre
para comer de tudo o que se vende
no mercado?
Autor: Pastor Genilson Soares da Silva
Lição Bíblica 273, sábado, 22 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar a interpretação distorcida de I Co 10:25; explicar corretamente o seu verdadeiro significado.
TEXTO BÁSICO: Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência. (I Co 10:25)
INTRODUÇÃO: Antes de “conhecermos” e “desfazermos” as interpretações defeituosas dadas ao texto-base desta lição, façamos um rápido “passeio” pela história da cidade de Corinto. A famosa Corinto, que, nos dias de Paulo, tinha por volta de 700.000 moradores, fora destruída pelo cônsul romano L. Múmio, em 146 a.C. Tempos depois – 46 d.C – foi reconstruída por Júlio Cezar, como colônia romana. Em breve, tornou-se capital da província romana da Acaia. Devido a sua privilegiada localização geográfica – entre os Mares Egeu e Asiático –, Corinto se tornou um famoso e próspero centro cultural, político, comercial e religioso. Por ser um lugar de fácil acesso – entre dois portos – a cidade era bastante visitada por pessoas que buscavam diversão.
De fato, Corinto era a “cidade dos prazeres”. Sobre isso, Gundry[1], ao retratar a grandeza e a estrutura da “indústria da diversão” de Corinto, mostra que os jogos atléticos em Corinto perdiam apenas para os jogos olímpicos. O teatro livre acomodava vinte mil pessoas, e o teatro fechado, três mil. Templos, santuários e altares estavam espalhados pela cidade. Cerca de mil prostitutas sagradas estavam à disposição, no templo da deusa grega Afrodite. No lado sul do mercado, havia várias tavernas equipadas com cisternas subterrâneas para esfriar as bebidas.
Pelo fato de serem liberais e flexíveis, os coríntios tornaram-se tão famosos pelas suas imoralidades que a palavra Korinthiazomai – agir como um coríntio – tornou-se sinônimo de devassidão, prostituição, paganismo e sensualidade.
I - A INTERPRETAÇÃO ERRADA
Muitos dizem que esse versículo – comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência – ensina que o cristão está livre para comprar e comer de tudo o que se vende no mercado. Alguns pensam assim sobre o texto em questão porque se deixaram influenciar por interpretações de comentaristas, que, intencionalmente, abandonaram os princípios e as diretrizes da hermenêutica – disciplina teológica que fornece os princípios básicos para a interpretação correta de uma passagem das Escrituras Sagradas -, incorrendo em explicações distorcidas e deturpadas.
Um exemplo de interpretação aberrante sobre a afirmação paulina é a proposta pelo comentarista Champlin: Naturalmente o princípio exarado [mencionado] nessa citação é mais amplo ainda, destruindo completamente a necessidade de qualquer cerimonial, a exemplo dos rituais do judaísmo, no tocante as alimentos. Dentro do pacto neotestamentário o crente pode comer porco, cão, répteis, camelo, etc., se assim lhe parecer melhor. Nenhuma criatura por si mesma é impura, conforme a lei judaica determinava. Tais idéias não tinha por intuito ser permanentes. Porquanto a liberdade cristã nos livrou de tais questões.[2]
Diante de uma explicação tão surpreendente, perguntamos: O que Champlin está dizendo sobre o texto é certo? Era isso que o escritor da epístola aos coríntios pretendia transmitir? Esse conceito está correto? Por que está ou por que não o está? Essa explicação reflete o significado da passagem? É o que veremos na seqüência, na parte que trata da “Interpretação Correta”.
1. Com base na introdução, responda: O que se sabe sobre a cidade de Corinto?
2. Qual interpretação errada tem sido dada à expressão comei de tudo o que se vende no mercado? Baseie-se no primeiro comentário.
II - A INTERPRETAÇÃO CORRETA
Temos enfatizado, desde o início desta série de lições, a importância de interpretarmos as passagens das Sagradas Escrituras, sem desconsiderarmos os seus respectivos contextos bíblicos. Isto é essencial, porque ignorar o contexto acarreta interpretações falsas. Vejamos um exemplo: Quem faz missões, gosta de citar Salmo 2:8 – ... pede-me, e eu te darei as nações por herança e os confins da terra por tua possessão – para ilustrar suas expectativas de conversões nos campos missionários. Todavia, se o versículo anterior for verificado, ficamos sabendo que se trata de Deus Pai falando a Deus Filho (At 13:33; Hb 1:5). Logo, não tem nada haver com missões!
Por que citamos esse exemplo? Porque o mesmo princípio pode também ser aplicado para explicar o sentido da expressão comei de tudo o que se vende no mercado, que é interpretada erroneamente como mandamento para se comer o que quiser. Mas essa é uma conclusão que o versículo não pode sustentar nem significar, porque, se o contexto do versículo for analisado, tal conclusão ficará seguramente excluída. Pois bem, qual é, então, o contexto de comei de tudo o que se vende no mercado? Que quer dizer essa passagem?
Ao examinarmos o contexto do parágrafo, que começa em 10:23 e termina em 10:33, vemos que o conteúdo diz respeito a uma resposta do apóstolo sobre a postura a ser adotada, pelos que faziam parte da igreja, quanto ao consumo de alimentos ofertados às divindades. Os crentes de Corinto enviaram a Paulo, através de Estéfanas, Fortunato e Arcaico (7:1), uma carta com uma lista de perguntas sobre vários assuntos que estavam causando divisões, desordens, e conflitos na igreja: matrimônio (7:1-40), as coisas oferecidas aos ídolos (8:1 – 11:1), o culto público (11:2 – 14:40), a ressurreição (15:1-58) e a coleta para Jerusalém (16:1-4).
O trecho de I Co 10:23-33 faz parte de um extenso contexto em que o apóstolo responde à pergunta a respeito das comidas utilizadas na idolatria (8:1 – 11:1). É nesse contexto que aparece a sentença comei de tudo o que se vende no mercado. Mas o que tem a ver esse mercado? De acordo com Morris (REF. BIBLIOGRÁFICA?), a maior parte da carne vendida nos mercados era sacrificada. Uma parte do animal sempre era oferecida em um altar a um deus, outra parte era dada aos sacerdotes e, normalmente, uma terceira parte era distribuída aos adoradores. Os sacerdotes, costumeiramente, vendiam o que não conseguiam usar. Seria muito difícil saber com certeza se a carne em determinado mercado tinha sido parte de um sacrifício ou não. Alguns, em Corinto, porém, alegando que um ídolo não tinha existência, sustentavam que essas carnes de ídolos eram limpas. Do ponto de vista teológico, eles estavam corretos, pois os ídolos não são coisa alguma. O próprio Paulo afirmou: ... sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só. Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses (...). Todavia, para nós há um só Deus, o Pai (8:4-6).
Mas isso não é tudo! Esse tipo de saber não estava edificando a igreja, pois não se estava levando em conta que nem todos conheciam ou entendiam essa profunda verdade bíblica. Paulo, então, advertiu de que ... existem pessoas tão acostumadas com os ídolos, que até agora comem desses alimentos, pensando que eles pertencem aos ídolos. A consciência dessas pessoas é fraca, e por isso elas se sentem impuras quando comem desses alimentos. (I Co 8:7 – NTLH)
Embora, teologicamente, nada houvesse de errado em comer a carne, isto, contudo, feria a consciência de outro irmão (I Co 8:10,12, 10:29). Insistir nessa prática, enquanto outro se ofendia, seria viver sem amor pelo irmão. Mesmo que este não tivesse uma teologia correta sobre os ídolos, deveria ser respeitado pelos demais. Paulo propôs que, por amor ao irmão de crença frágil, os demais mudassem de atitude (I Co 10:31–11:1).
Ainda assim o prezado estudante pode perguntar: O texto em questão – I Co 10:25 – pode ter mais de um significado? Não. Um texto só pode ter mais de um significado ou mais de uma interpretação, se o contexto nos apresentar claramente essa alternativa. Como o contexto (I Co 8:1–11:1) apresenta somente uma única possibilidade de interpretação – o problema dos alimentos dedicados à idolatria –, devemos nos contentar. Além disso, vale dizer que um texto jamais pode significar aquilo que nunca poderá ter significado para seu escritor (apóstolo) ou seus leitores (coríntios). Esse princípio nem sempre ajuda as pessoas a descobrirem o que um texto significa, mas aos menos ajuda a estabelecer limites, quanto àquilo que não pode significar[3].
O comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência foi explicado corretamente. Mas isso não basta. Falta-nos saber como tudo isso se aplica a nossa vida cristã. Que atitude devemos tomar em relação ao que aprendemos? Vamos apontar apenas dois princípios práticos. Em primeiro lugar, devemos tomar cuidado com o amor excessivo pela verdade. Uma pessoa que se considera protetora da verdade é capaz de matar ou destruir para defendê-la, mesmo que seja a verdade do amor. Infelizmente, a história da igreja tem mostrado que verdade rima com violência. Religião e violência têm uma estranha relação, estranha porque a verdade deve ser vivida com amor (Ef 4:15).
As maiores dificuldades de Jesus se deram por causa dos defensores da verdade. Seus próprios discípulos foram advertidos do perigo. Tendo entrado num povoado samaritano, o Mestre não foi recebido. Tiago e João quiseram utilizar a violência para defender a verdade, personificada em Jesus (Jo 14:5). Jesus os repreendeu veementemente (Lc 9:54-55). Da mesma forma, por causa da verdade de que os ídolos não significam coisa alguma no mundo, muitos estavam destruindo a unidade e a comunhão da igreja de Corinto. Siga a verdade. Viva a verdade. Mas não esqueça de amar!
Em segundo lugar, devemos evitar ser instrumentos de obstáculos na igreja de Deus. Paulo nos adverte de que não devemos por tropeços diante das pessoas, por causa das nossas atitudes (I Co 10:32). Os que são maduros na fé (os mais instruídos na palavra de Deus) devem aprender a conviver com os imaturos na fé (os menos instruídos na palavra de Deus). Mesmo que consideremos algo não-reprovável, se um irmão em cristo o considera reprovável, não devemos afrontar sua consciência. Há coisas e idéias cujo abandono não implica perda, mas lucro, para o bem-estar do corpo de Cristo, a igreja. As pessoas, na igreja, são desiguais, quanto ao conhecimento e o amadurecimento espiritual, em vários assuntos, e isso deve ser levado em conta, quando se trata de liberdade. Um crente novo, por exemplo, tem muito que aprender sobre a vida cristã, e não pode aquele que já tem muitos anos de convertido ferir sua fé, com prática que o escandalize e o prejudique em seu desenvolvimento espiritual. Por isso, em seu comportamento, não deve procurar somente seus próprios interesses, mas também o de seu novo irmão em Cristo (I Co 10:24).
CONCLUSÃO:
Ficou claro, portanto, que, ao inspirar e permitir que o apóstolo Paulo registrasse comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência, o Espírito Santo nunca pretendeu invalidar ou modificar os divinos preceitos universais de Lv 11 e Dt 14, também escritos sob sua inspiração e supervisão. Por ser um livro divino, a Bíblia Sagrada não se contradiz, pois possui unidade e coerência. Assim sendo, ela interpreta a si mesma. Ainda assim, a interpretação da mensagem bíblica é uma tarefa importante que deve ser feita em oração, com seriedade, humildade e cuidado.
QUESTIONÁRIO
03. Por que o exame do contexto bíblico facilita a interpretação de uma passagem bíblica? Exemplifique, usando Sl 2:8, citado no começo do segundo comentário.
04. Com base no comentário, responda: Qual é o conteúdo do contexto de I Co 10:25?
05. Qual é a verdadeira interpretação das palavras comei de tudo o que se vende no mercado?
06. Leia I Co 8:1-2,4-7 e responda: Por que o amor excessivo pela verdade pode ser perigoso para a unidade e a comunhão da Igreja de Deus? Baseie-se também no comentário.
07. Leia I Co 8:9-13, 10:23,31-33 e explique a expressão: “devemos evitar ser instrumentos de obstáculos na Igreja de Deus”.
________________________________________
[1] Citado por Lawrence RICHARDS, Comentário Bíblico do Professor, São Paulo, Vida, 2004, p. 969-70.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo, Hagnos, 1998, vol. 04, p. 162.
[3] Roy B. ZUCK, A Interpretação da Bíblia: meios de descobrir as verdades da Bíblia, São Paulo, Vida Nova, 1994, p. 123-129.
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Lição 5 - O cristão pode comer todos os tipos de carne?
I TIMÓTEO 4:4-5
Esse texto prova que o cristão pode comer todos os tipos de carne?
Esse texto prova que o cristão pode comer todos os tipos de carne?
Autor: Pastor José Lima de Farias Filho
Lição Bíblica 273, sábado, 29 de outubro de 2005
OBJETIVO: Mostrar ao estudante o sentido teológico correto do ensino do apóstolo Paulo, em I Tm 4:4, e motivá-lo a praticar essa verdade, em seu dia-a-dia
TEXTO BÁSICO: Porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebida com ações de graça. Porque pela palavra de deus e pela oração é santificada. ( I Tm 4:4-5 )
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
Objetos têm poder?
Objetos Têm Poder para Curar e Libertar? AUTOR: Pr José Lima de Farias Filho | |
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Os introdutores dessa heresia evangélica apresentam dois argumentos: 1) A experiência pessoal: Dizem que, ao orarem, o Espírito Santo, através do dom da profecia, os manda usar esses elementos. 2) A base bíblica: Afirmam que, na Bíblia, há o caso da serpente de metal que curava , do lodo feito com a saliva de Jesus que curava, dos mergulhos em rios que curavam, etc. Segundo os defensores do uso desses objetos, esses casos escriturísticos dão base bíblica para essas práticas. Diante dessa delicada questão, faz-se necessário analisarmos alguns desses textos para verificarmos se eles autorizam os cristãos usarem esses objetos como meio para pessoas serem curadas e libertas. Segundo Jesus Cristo, a única maneira de não errarmos em nossa vida cristã é verificarmos se as nossas práticas estão de acordo com a Bíblia Sagrada (Mt 22:29; At 17:11). Sabemos que foi o Espírito Santo quem inspirou a Bíblia inteira; logo, se, no estudo desses textos, as Escrituras Sagradas autenticarem o uso de elementos materiais para curar e libertar, então, realmente foi o Espírito Santo quem mandou esses irmãos usarem esses elementos; mas, se, na análise desses textos, as escrituras Sagradas não autorizarem o uso desses objetos, então estará provado que não é o Espírito Santo quem está orientando esses irmãos, mas, sim, o espírito do erro (I Jo 4:6). No trato desses assuntos delicados, é importante lembrarmos que sempre que desejamos interpretar as Escrituras Sagradas corretamente, é necessário estudar o texto dentro do seu contexto imediato, amplo, histórico e temático. Uma outra regra não menos importante é verificar se o texto é normativo ou descritivo. Respeitando essas e outras regras hermenêuticas, o intérprete terá segurança na interpretação das verdades divinas. Analisemos, então, seis desses textos considerados "polêmicos", a fim de constatarmos se a Bíblia autoriza o uso de lementos materiais para curar e libertar as pessoas. 1 - II Reis 5:10 e 14Contexto: Israel estava em profunda apostasia; Acabe e Jesabel haviam elameado a fé do povo, a ponto de a feitiçaria assumir o lugar da fé no Deus vivo; morto Acabe, Acazias assumiu o poder; doente, o novo rei deu a seguinte ordem a seus servos: Ide e consultai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença. Mas o Anjo do SENHOR disse a Elias o tesbita: Dispõe-te, e sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom? " (II Rs 1:1-2). Foi nesse ambiente de enfrentamento da falsa espirutalidade pagã com a verdadeira espiritualidade do Deus vivo que Elias exerceu seu ministério. No lugar desse profeta, Deus levantou Eliseu. Elias enfrentou a falsa e arrogante espiritualidade interna dos reis de Israel; por sua vez, internamente, Eliseu teria de lutar contra a arrogância espiritual dos reis e dos sacerdotes de Israel, e, externamente, teria de lutar contra a arrogância espiritual dos reis e sacerdotes pagãos. Naamã, por exemplo, comandante do poderoso exército da Síria, cujo rei era Bem-Hadade (II Rs 8:7), com a permissão de Deus, havia tido grande vitória contra um inimigo de Israel; isso o deixou famoso entre seu povo. Por ser comandante de uma grande potência mundial, Naamã pensava que Eliseu iria admirá-lo como um "grande homem", como um "poderoso general", que iria jogar-lhe confetes ou ainda recepcioná-lo, abaixando-se, etc. (v.11); contudo, o profeta de Deus sequer o recebeu; apenas mandou-lhe um recado: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo.". O arrogante general ficou indignado: "Não são, porventura, Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? E voltou-se e se foi com indignação" (v.12). Os rios Abana e Farfar da Síria, eram limpos; suas nascentes estavam nas montanhas alimentadas por colinas; o rio Jordão, de Israel, era barrento, lamacento e sujo, sua nascente era nos vales. Ora, se as águas tivessem poder de curar, certamente Deus usaria as águas limpas da Síria. Como as águas não tem poder de curar e o problema tratado no texto não é a qualidade delas, mas, sim, a arrogância do general sírio, Deus decidiu humilhá-lo, fazendo-o mergulhar num rio lamacento e fedorento, para, depois, curá-lo, não com a água suja, mas com seu imenso poder e sua misericórdia. E assim foi feito: ao mergulhar sete vezes (o numero que expressa a perfeição, na Bíblia), Naamã aprendeu que só há um Deus perfeito, verdadeiro e Todo-Poderoso, o Deus daquele rio sujo de Israel: "Aí Naamã disse:...de agora em diante eu não vou oferecer sacrifícios e ofertas que são completamente queimadas a nenhum deus, a não ser a Deus, o SENHOR. Mas eu gostaria que ele me perdoasse uma coisa, que é a seguinte: quando eu tiver de acompanhar o meu rei ao templo de Rimom, o deus da Síria, para ali adorar, eu vou ter de adorá-lo também. Que o SENHOR Deus me perdoe por isso! Eliseu disse: - Adeus! Boa viagem!(vv.17-19 NTLH). Na seqüência, por não conhecer corretamente a Deus e nem o sentido de suas ações espirituais, Geazi, conhecido pelo povo como homem de Deus(v.27), recebeu castigo divino no próprio corpo: a lepra que era de Naamã passou para ele e para seus descendentes (v.27). Nem sempre os que são conhecidos e proclamados pelo povo como "homens de Deus" agem como tais. Enfim, no texto em questão, o assunto principal não é a água e nem os sete mergulhos de Naamã no rio, mas a luta contra a arrogância da falsa espiritualidade do deus sírio Rimon, representado por Naamã, e a simplicidade da verdadeira espiritualidade do Deus de Israel, representada pela simplicidade das ações do profeta Eliseu. 2 - Marcos 8:23:Contexto: Ao lermos os versículos anteriores (1-21) e posteriores (27-38) do capítulo 8, verificamos que o texto refere-se à revelação de Cristo como Messias para os discípulos, através de sofrimentos (31). Para revelar, Jesus fez um grande milagre, ao mesmo tempo em que conversou com seus discípulos (1-9), enquanto os fariseus exigiam sinais para o tentarem, o que lhes foi negado com veemência (10-13). Ocorre, porém, que os discípulos não compreenderam espiritualmente as palavras do Mestre e nem a malícia dos fariseus (14-21). Diante da incompreensão espiritual dos discípulos, Jesus decidiu realizar um milagre em que suas ações pudessem "chocar" aquelas mentes endurecidas: passou saliva nos olhos do cego, impôs-lhe as mãos e curou seus olhos (22-23); mas como o rapaz viu as pessoas e pensou que eramárvores, Jesus voltou a impor-lhe as mãos e o homem passou a distinguir corretamente as pesoas. Primeiro Jesus curou os olhos; depois, a mente, para ilustrar a situação espiritual dos discípulos, ou seja: eles tinham olhos, mas não viam; tinham ouvidos, mas não ouviam o que Jesus falava e fazia (18). Ao forçar a mente dos discípulos com este milagre "diferente", Jesus alcançou seu alvo: os discípulos o reconheceram como o Messias, enviado de Deus (27-29), que, através de muito sofrimento, redimiria a humanidade de seus pecados (30-38). desta forma, ao ter cuspido nos olhos do cego, Jesus não estava autorizando a nenhum cristão peagr objetos ou elementos materiais para usar em cultos ou ministrações espirituais, visto que o Messias, Jesus Cristo, já nos foi revelado. Além disso, o texto em questão não é normativo (uma ordem a ser cunprida), mas descritivo (uma narrativa e respeito de um fato). 3 - Atos 19:11-12:Contexto: A leitura dos versículos anteriores (vv. 1-10) e posteriores (vv. 13-40) do capítulo 19, mostra que o ambiente em que Paulo e seus companheiros estão pregando é de profunda idolatria, feitiçaria, espiritismo, etc. Até mesmo os poucos crentes que haviam pela região de Éfeso não sabiam nada sobre o batismo cristão nas águas e nem sobre a pessoa do Espírito Santo e sobre o batismo no Espírito Santo (vv.1-7). Havia, também, uma total ignorância a respeito do reino de Deus (v.8). Não menos intensa era a oposição à verdade (v.9), o que consumiu dois anos da vida do apóstolo com ensinamento bíblico (v.10). Diante de um ambiente profundamente afetado por Satanás," Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários"(v.11). O falso poder era combatido com o verdadeiro poder, sem a necessidade de elementos materiais. Mas aquelas pessoas vindas do paganismo, da feitiçaria, do esoterismo, do sincretismo, do xamanismo, do animismo, não conhecendo o poder do verdadeiro Deus, pensavam que Paulo era o detentor do poder (como aconteceu em Listra - Atos 14:8-19), e, por essa razão, pegavam os lençóis e aventais de uso pessoal do apóstolo, e crendo que esses objetos tinham sido afetados pelo poder que saía do corpo de Paulo, tocavam o corpo do apóstolo com esses elementos, a fim de serem curadas e libertas (v.12). Os versículos seguintes comprovam o total desajuste espiritual dessa gente (vv. 13-40). Quem levava objetos metriais diante de Paulo eram pessoas desajustadas espiritualmente, gente perdida no paganismo; os crentes de Éfeso, conquanto imaturos doutrinariamente (vv. 1-7), nunca cometeram tal loucura. O texto deixa ainda bem claro que quem curava as pessoas não eram os objetos, mas Deus (v.11). Portanto, Atos 19:11-12 não pode ser usado como base para os cristãos de hoje levarem para os cultos ou ministrações espirituais peças de roupa, carteira de trabalho, fotografias, copo com água, galho de arruda, etc, a fim de receberem as bençãos de Deus. A fé no poder do Senhor Jesus é suficiente! Além de tudo isso, o texto em questão não é normativo, mas descritivo. 4 - Números 21:8-9:Contexto: Ao mandar Moisés fazer uma uma serpente de metal e levantá-la numa haste, para que os israelitas mordidos por víboras fossem curados, ao olharem para ela, Deus estava lembrando ao povo liberto do Egito que é poderoso para cumprir a promessa feita a Adão e a Eva no Éden (Gn3:14-15); isto é, ser propício aos seres humanos decaídos pela ação da serpente maligna; aquela serpente de metal, didaticamente, ilustrava, de forma profética, um novo tempo que estava chegando, ou seja, a hora em que o ministério da morte perderia a sua força no mundo. De que maneira? Através do povo eleito, tirado do Egito, com poderosa mão, para ser luz das nações, Deus pretendia exterminar o reinado da morte. Mas o povo falhou amargamente, transformando a serpente de metal num Deus: Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronza que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã." (II Rs 18:4). Por esta razão, Deus desistiu de usar um povo como instrumento de salvação e enviou seu Filho Amado, o Messias, para cumprir essa missão: "E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna."(Jo 3:14-15). Portanto, a serpente que Moisés fez, no deserto, não serve de base bíblica para que os cristãos de hoje usem objetos como meios de serem abençoados por Deus. O Messias é o único meio de nos chegarmos ao Pai. A crença em objetos como fonte de poder é doutrina pagã, chamada de Animismo, isto é, a crença segundo a qual as coisas inanimadas têm vida e poder espiritual. O uso de objetos no culto a Deus é uma demonstração de ignorância da parte de quem adora a Deus sem conhecê-lo, como os esotéricos e politeístas atenienses: "Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos; porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio." (At 17:22-23). 5 - Marcos 5: 27-29:Contexto: Neste conhecido texto de uma mulher com hemorragia, entendemos que nem é necessário usarmos o contexto para explicá-lo, basta prestar atenção no próprio texto para compreendermos que jesus, compadecendo-se daquela mulher, curou-a, não porque ela tocou nas suas vestes, mas porque tinha fé. E, para que seus discípulos e a multidão não viessem a crer que suas roupas tinham poder de curar, Jesus parou a caminhada e afirmou a mulher: "Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal." (v.34 - grifo nosso). Foi a fé da mulher em Cristo, não a roupa dele, que proporcionou ao Mestre a satisfação em curá-la. 6 - Tiago 5:14:Contexto: As palavras de Tiago estão inteiramente alinhadas com as palavras de Cristo, em Mc 5:27-29, e, por assim dizer, dispensam o detalhamento do contexto para serem entendidas corretamente. O apóstolo afirma: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. Esta oração da fé, salvará o enfermo,e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." (v.15 - grifo nosso).O texto é claríssimo: Quem cura não é o óleo, mas a fé no Senhor, que, por sua vez, levanta o doente. O óleo é apenas um símbolo de que aquele que está aplicando a unção, no caso, o presbítero, é uma pessoa de Deus, como no Antigo Testamento, em que os sacerdotes eram ungidos para serem representantes de Deus. Conclusão O que vimos até aqui é suficiente para concluirmos que o uso de lementos materiais em cultos e ministrações cristãs, com o intuito de servirem de "ponto de contato" para despertar a fé das pessoas ou para "fazer Deus agir", não tem nenhum apoio nas Escrituras Sagradas. Quando analisamos os textos, dentro de seus respectivos contextos, todo engano de Satanás cai por terra, diante da veracidade do Evangelho de Cristo. Logo, se a Bíblia não ensina tais coisas, e tendo sido toda ela inspirada pelo Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que guia "em toda verdade" (Jo 16:13), concluímos que não é ele quem está falando na vida de quem afirma estar sendo por ele guiado para fazer rituais utilizando elementos materiais como meio de curar e libertar pessoas. Na Bíblia Sagrada, as pessoas são limpas de seus pecados pelo poderoso sangue de Jesus (I Jo 1:7; I Pe 1:2; Hb 10:19) e curadas de suas enfermidades e libertas de suas opressões pelo poderoso nome de Jesus (Mc 16:17; Jo 14:13, 15:16, 16:23). O próprio Cristo lamenta o fato de muitos de seus seguidores não usarem seu santo nome para pedirem e obterem as bênçãos do Pai: "Até agora nada tendes pedido em meu nome." (Jo 16:24). Portanto, em quaisquer circunstâncias, sejam elas as mais difíceis e dolorosas, peçamos ajuda do Pai, indo até Ele em nome de Jesus. "O que disto passar, vem do maligno." (Mt 5:37) Retirado na íntegra da: |
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Resumo dos Dogmas da Igreja Adventista da Promessa
Conforme Isaias 34.16, cremos que a Bíblia Sagrada é o livro do Senhor. Inspirada, Revelada e Iluminada pelo Espírito Santo, foi produzida por homens santos, II Tm. 3.15-17, II Pd. 1.20-21, Rm. 15.4.
a. Proveniente de Deus - O Testemunho de Jesus: Mt 5.17-18; Jo 10.34-35; Mt 22.43-45. Os textos são inspirados: 2 Tm 3.16, Ex 24.4, Is 30.8, 2; Sm 23.2, Mt 4.4,7; Lc 24.27,44; I Co 2.13; Ap 22.19. A Bíblia diz que suas palavras vieram da parte de Deus.
b. É plena: Todas suas partes são inspiradas. 2 Tm. 3.16; Rm. 15.4.
c. É autoritativa: Sua inspiração lhe concede autoridade. Jo. 10.35; Mt. 4,7,10-15, 22.29; Lc. 16.17. Sua autoridade é divina.
d. É inerrante: Não contém erros. Hb. 6.18; Jo. 17.17.
2. A Criação e a Triunidade Divina
Cremos que a criação de todas as coisas inclusive do homem como ser humano, foi obra das mãos de Deus, Gn 1.1, 26, revelado, nessa ação, pela Divindade Jo. 1.3; Hb 1.2; Jó 33.4; Sl 104.30. Cremos na Triunidade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo. O Deus único, revelado nas três pessoas da Santíssima Trintade, Jo 1.18; 15.26; Mt 28.19; 2 Co. 13.13.
3. Criação, Queda e Restauração do Homem
O homem saiu perfeito das mãos de Deus, mas, pelo livre arbítrio, pecou pela transgressão da ordem divina, no Éden, Gn 1.26-27; 2.16-17; 3.1-6, 17-19. Ali mesmo, Deus deu ao homem a promessa da redenção, Gn 3:15. Essa Promessa divina cumpriu-se em Jesus, o Redentor prometido e enviado ao mundo, para remissão do pecador, Lc 19.10; At 5.30-31.
4. Jesus: "Mediador e Salvador"
Cremos que Jesus, o Filho de Deus, foi enviado ao mundo para cumprir a divina promessa da redenção. Morrendo na cruz pelos nossos pecados, como Cordeiro de Deus, Jo 1.29, tornou-se nosso único Mediador e salvador, Jo 14.6; 1Tm 2.5; Lc 2.11; Jo 4.44.
5. Arrependimento e Conversão
São os dois passos decisivos para o Pecador que aceita Jesus como Salvador e Senhor de sua vida. Em virtude de a pregação de Jesus ser um chamado ao arrependimento, Mc 1.15, Pedro no Pentecostes, começou o seu diálogo com a multidão falando da necessidade desse arrependimento, At 2.38, cujo resultado é a conversão que é fruto do Espírito Santo, capaz de levar o arrependido a mudar a direção de sua vida, do caminho da morte para o caminho da vida eterna, At 3.19; 26.18-20; 1Ts 1.9.
6. O Batismo do Arrependimento
Cremos que o batismo é a porta de entrada à comunhão da igreja. Deve ser realizado na forma de imersão, para cumprir o seu simbolismo, Mt 3.6, 16; Rm 6.3; Cl 2. 12, e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Mt 28:19.
7. Batismo no Espírito Santo
Cremos no batismo no Espírito Santo, como promessa anunciada, Is 44.3; JI 2.28-30, como promessa confirmada, Mt 3.11; Lc 24.49; At 1.5, como promessa cumprida, At 2.1, 33. Essa bênção divina não se limitou ao Cenáculo, mas acompanhou a Igreja de Deus e chegou até nós, At 2.39, 10.44-46, 19. 1-6. Cremos, também, que as línguas estranhas são o sinal do batismo no Espírito Santo, como referidas nos testos acima, 1Co 14.2.
8. Dons Espirituais
Cremos nos dons espirituais como dádiva divina á igreja de Deus. Cremos que eles operam para aquilo que for útil quando o Espírito Santo quer, I Co 12.7, 11. Conforme a relação de 1 Coríntios 12. 8-10, são 9 os dons espirituais: 1) Palavra da sabedoria, 2) Palavra do Conhecimento, 3) A Fé, 4) Dons de Curar, 5) Milagres, 6)Profecia, 7 ) Discernimento de Espíritos, 8) Variedades de Línguas e 9)Interpretação de Línguas. Esses dons são, portanto, obra exclusiva do Espírito Santo, 1 Co 12.11, e se manifestam para a edificação da igreja, 1ICo14.12.
9. Ordenanças Instituídas por Cristo
Cremos nas ordenanças como cerimônias religioas-espirituais, dados por Cristo à sua igreja. São elas: O Batismo por imersão, Mt 3.1, 6; Jo 3.23, e a ceia do Senhor, Lc 22:19-20; 1Co 11.23-25; 10.16. Deve fazer parte da cerimônia da ceia, o Lava-Pés, como instituído por Jesus, Jo 13:4-17.
10. Reverência ás Coisas Santas
A reverência é uma atitude de profundo respeito do ser humano às coisas santas. O crente deve reverenciar: a Deus, Ec 5.1; 1Tm 3.15. Tudo deve ser feito em respeito à palavra de Deus, Lv 27. 28-32.
11. A Sã Doutrina
Denomina-se sã doutrina o conjunto de doutrinas bíblicas. Há muitos ensinos religiosos que configuram heresias e doutrinas estranhas; por isso, a sã doutrina deve ser a prova da verdade. Com base nisso, o próprio Jesus citou doutrinas de homens, Mc 7.7, e o autor da carta aos hebreus lembra que há doutrinas estranhas, Hb 13.9. Nesse sentido a sã doutrina existe para colocar a verdade eterna na sua real posição, Tt 1.9; 1 Tm 1.10.
12. Santificação no Porte e na Conduta Cristã
Cremos que o crente em Jesus torna-se "nova criatura”. A partir daí, sua maneira de viver, referente ao porte cristão e à conduta do caráter, deve refletir Cristo na vida da pessoa. As formas velhas do procedimento mundano não se coadunam mais com a mente renovada pelo santo evangelho. Em todas as circunstâncias da vida, o crente deve ser luz para não produzir escândalos, Fp 2.15; 1Co 10.321; 1Pe 3.2-4.
13. Abstinência e Temperança
Cremos na lei que regula o direito aos alimentos permitidos e declarados limpos, especialmente no que se refere às carnes, conforme o capitulo 11 de Levíticos. As referências às coisas imundas passam por toda a Bíblia, para orientar os fiéis na obediência à palavra soberana de Deus. Jó 14.4; Is 65.4; 66.17; 2 Co 6.17 e Ap 18.2.
14. A Oração e sua Eficácia
Cremos que a oração é o meio de o crente falar com Deus. É na oração que ele agradece, louva e suplica ao senhor, que lhe responde, o que é maravilhoso e benéfico ao crente que ora com fé naquele que tudo pode, Sl 69.13; Is 59.7; 1Rs 18.36-38. Embora a oração possa acontecer em várias circunstâncias e em momentos diferentes, Is 38. 2-5; Jn 2. 1, adotamos, para os trabalhos regulares e oficiais, a oração de joelhos, como forma de adoração e reverência, e em conjunto, Fp 2.10; Rm 14.11; At 20.35-36; At 1.14; 12.5.
15. Cura Divina
Cremos que Jesus pode curar as enfermidades, pois é promessa de sua palavra, Mc 16.18; At 4.30; Tg 5.16. A cura divina pode ser alcançada pela imposição das mãos, Mc 16.18, pela oração confiante, Tg 5.16, e pela unção com óleo, Tg 5.14, ministrada pelo pastor ou pelo presbítero. Há casos em que se manifesta os dons de curar 1Co 12:9.
16. Os Dez Mandamentos
Cremos que a lei moral, contida nos dez mandamentos, deve ser observada pelo crente em Cristo Jesus, Ec 12.13; Rm 2.13.Cremos que a Lei é eterna e não findou na cruz do Calvário, Mt 5.17; Sl 7-8. Ao contrário do que muitos ensinam, a morte de Jesus na cruz não anula a obediência aos seus ensinamentos. Dessa forma, a guarda aos dez mandamentos é a prova de que amamos a Deus, Jo 14.21; 15.10; 1Jo 2.4; 3.24.
17. Sábado, dia de Repouso
Cremos que o sábado é o dia de repouso cristão, que foi abençoado e santificado por Deus, na criação, Gn 2.2. Na entrega da lei, no monte Sinai, o sétimo dia, denominado sábado, aparece como o dia abençoado e separado para o repouso do povo de Deus, Ex 20:8-11. A semana permanece, portanto, como formada na criação, composta por sete dias; logo, o sétimo continua sendo o dia de repouso. Em toda a Bíblia, não há nenhuma menção de mudança do dia de sábado para outro qualquer. Jesus confirmou a bênção da criação, dizendo: O Sábado foi feito por causa do homem, Mc 2.27, o que equivale a dizer: enquanto o homem existir sobre a face da terra , o sábado lhe será o dia de repouso.
18. Distinção das leis Moral e Cerimonial
Cremos que há distinção entre a lei moral e a lei cerimonial. A lei moral é composta por dez mandamentos, Dt 4.13, e foi escrita pelo próprio Deus, em duas tábuas de pedra, Ex 31.18. É chamada de lei perfeita, Sl 19.7, lei da liberdade, Tg 2.12, lei de Deus, Rm 7:22 e 25, a verdade, Sl 119.142; não é sombra, porque é chamada lâmpada e luz, Pv 6:23; foi guardada dentro da arca, que por sua vez, estava no lugar santíssimo do Tabernáculo, Ex 25.10-22; Lv 16.2. A lei cerimonial contem todas as instruções referentes ao trabalho do santuário, e, por ordem de Deus, foi escrita por Moisés em um livro, Dt 31.24, guardada fora da arca, ao seu lado, 25-26.Todos os regulamentos religiosos e festivos de Israel estavam nessa lei, que, por isso, é chamada lei de ordenanças, Ef 2.15; Cl 2.14-16. Era considerada sombra das coisas futuras, Cl 2.17; Hb 10.1; portanto, não se confunde com a lei moral. As duas aparecem nitidamente separadas, em I Co 7.19.
19. Manutenção da Obra: "Dízimos e Ofertas"
Cremos que o dízimo é uma determinação legal a todos filhos de Deus. Foi instituído para a manutenção do ministério eclesiástico, Lv 18.21, como ordena a Bíblia: Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, Ml 3.10.O dízimo representa a décima parte dos proventos da pessoa. Dessa forma, o crente que é fiel entrega o dízimo em obediência à Palavra e numa forma de louvor e agradecimento a Deus. Já as ofertas são voluntárias, uma vez que o crente contribui segundo suas condições e o seu coração, 2 Co 9:7.
20. Submissão às Autoridades e Liberdade de Consciência
A Bíblia determina que haja submissão, por parte dos crentes, às autoridades seculares, Rm 13. 1-7, e às autoridades religiosas, Hb 13.7 e 17. A liberdade de consciência é um direito garantido a todo cidadão, pela Constituição Nacional. Isso garante ao Crente exercer a sua fé, sem constrangimentos ou censuras. A consciência cristã deve ser, também, praticada e respeitada, Dn 3.12-18; At 21.37-40; 22.25-29.
21. O Casamento, o Lar e a Família
Cremos que o casamento é a base e a segurança da família, pois um lar não é feito de pedras frias da casa (o edifício), mas , essencialmente, de amor, compreensão, respeito, comunhão e submissão, o que só se pode conseguir numa família legitimamente constituída sob as bases legais e sobre a benção do Deus eterno. Por isso Paulo aconselha que todo casamento seja realizado no Senhor, isto é, conforme a vontade de Deus, 1 Co 7.39.
22. O Ministério Eclesiástico
Cremos que o ministério eclesiástico começou em Cristo, na escolha dos doze discípulos e, depois, dos setenta, Mt 10.1-6; Lc 10. 1-2. A escolha e a ordenação passou pelo ministério apostólico, seguindo, através da historia da igreja, até nossos dias, At 13.1-3; 1Tm 4.14; Tt 1.5.Cremos que há na Bíblia, dois graus de consagração: diaconato e presbítero, At 6.1-6; 1Tm 3.1,2 e 8-11; 1 Pd 5.1). Os títulos-pastor, missionário, evangelista e obreiro - dizem respeito à função e não ao oficio.
23. Imortalidade condicional
Cremos que o homem é mortal por natureza. Na morte, ele permanece em estado de inconsciência, Ec 9.5, 10; IS 38.18-19; Sl 146.3 e 4, e só voltará à vida pela ressurreição, Jo 5.28-29; 1Co 15.51-54; 1Ts 4.15-16, quando, então, os justos herdarão a recompensa e receberão a coroa da vida, Lc 14:14; 2 Tm 4.6-8. Só quem possui a imortalidade inerente é Deus, 1Tm 1.17; 6.15-16.
24. O Axioma da ressurreição
Cremos que Jesus morreu em uma quarta-feira e ressuscitou três dias e três noites depois, período que terminou no sábado, ao pôr-do-sol, exatamente 72 horas depois que fora deposto na sepultura, Mt 12.40; 28.1-6. Esse assunto é bastante extenso; por isso damos aqui apenas o resumo do que ele encerra.
25. A Segunda Vinda de Cristo
Cremos no advento de Cristo; por isso, somos adventistas. Jesus cumpriu seu ministério terreno, Jo 17.4, morreu e ressuscitou, subindo ao céu, de onde viera, At 2.23-24; Mc 16.9 At 1.9. Voltará, em sua segunda vinda, para buscar os redimidos, salvos por ele, Jo 14.3; Fp 3.20; Hb 9.28, e essa vinda será visível e pessoal, At 1.10-11.
26. A Ressurreição dos Mortos
Cremos na ressurreição dos mortos, como declara Paulo, em Atos 24.14: “Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos”. A ressurreição dos justos dar-se-á por ocasião da volta de Jesus, Lc 14.14; a dos ímpios, após o milênio, Ap 20.5. A morte, para o justo, é chamada de sono, pois ele acordará ao som da última trombeta, 1ITs 4.14-16.
27. O Milênio
Cremos que haverá um período de mil anos, chamado milênio, que acontecerá exatamente entre as duas ressurreições: começará com a ressurreição dos justos e terminará com a dos injustos, Ap 20.4-6. Durante esse período, a terra estará vazia e assolada, como o abismo, Jr 4.23-26; Ap 20.1-3. Os justos salvos estarão nos céus, Jo 14.1-3; Fp 3.20, ali realizarão o juízo dos ímpios e dos anjos maus, Sl 149.7-9; 1Co 6.2-3; Ap 20.4. Findo o Milênio, os ímpios ressuscitarão, Ap 20.7, e logo, empreenderão, sob o comando se satanás, a última batalha deles contra o povo de Deus; mas serão destruídos pelo fogo eterno e se tornarão cinza sobre a terra, Ml 4.3; Ap 20.9-10. Jerusalém, a cidade eterna, será colocada na terra renovada, para todo o sempre, Ap 21.1-7.
28. O Juízo Final
Cremos que todo ser humano passará pelo juízo divino, Sl 9.8; Ec 12.14, que será feito com base na santa e imutável lei de Deus, Ec 12.13; Tg 2.8-12. e esse processo determinará qual seja a recompensa de cada um, Rm 2.5-8; 2 Co 5.10.
29. A Extinção do Mal
Cremos que o mal entrou no mundo através da transgressão de nossos pais, Gn 3.17-18, e que o pecado e a morte passaram para toda a humanidade, Rm 5.12. Com a Volta de Jesus, tudo se acabará neste mundo. Assim, a causa do mal será eliminada e os seus efeitos serão cessados, Ap 21.4; 20.1-15
30. A Nossa Terra: ‘‘Lar dos Remidos”
Cremos que a nova terra será o lar eterno dos remidos do Senhor: promessa há, através da Bíblia, garantindo aos salvos esse lar de paz e vida eterna, Is 65.17-19; Is 35.1-10; 2 Pd 3.13; Ap 21.1; 22.1-5.
Fonte: Portal IAP
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Para conhecer a história da Igreja Adventista da Promessa, acesse: História da IAP
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Estude, leia, releia e faça bom proveito da palavra de Deus que é lâmpada para os nossos pés, e luz para o nosso caminho. (Sl 119:105)
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